03 jan, 2026
Quando os Estados Unidos usam a força para derrubar um ditador, como se vão opor a que Rússia e China façam algo semelhante nas respetivas zonas de influência?
A ‘tomada’ da Venezuela, sem um coro de protestos de Moscovo e Pequim, indica que o mundo caminha para uma nova, e pior, ordem internacional. E nessa nova ordem internacional avultam Estados Unidos, Rússia e China.
Com zonas de influência bem determinadas, cada uma destas grandes potências poderá, dentro delas, fazer os ajustes adequados aos respetivos interesses.
Aos americanos o petróleo da Venezuela não interessa mais do que o Donbass a Putin ou a recuperação de Taiwan, à China.
As apetências de Trump por toda a América do Sul, onde já confessou pretender ser preponderante, permite a russos e chineses idênticos propósitos, nas suas áreas de influência.
Por estranho que pareça, a extração de Maduro acaba por ser uma boa notícia para Moscovo e Pequim. Ambos ficam mais livres para as suas ambições regionais.
A Europa (atónita e impreparada para esta nova ordem internacional), a Ucrânia, Japão, Taiwan são os grandes derrotados do dia, para além de Maduro, líder incapaz de um regime apodrecido.
O direito internacional que já tinha praticamente morrido foi agora enterrado por um dos seus antigos defensores.
A queda de um ditador costuma ser motivo de celebração e sinal de força da liberdade e do Direito e não um sintoma da sua fraqueza.
Porém, desta vez, a preocupação pelo que aí vem, é mais forte do que a celebração. O que é injusto, de resto, para o povo venezuelano que tanto tem sofrido com o regime, agora aparentemente deposto.