José Luís Ramos Pinheiro
Opinião de José Luís Ramos Pinheiro
A+ / A-

Guerra: há posições que não mudam

18 mai, 2026 • Opinião de José Luís Ramos Pinheiro


A Igreja e o Papa não mudaram de posição sobre a guerra.

“As famílias, os grupos, os Estados, a própria Comunidade internacional, necessitam de abrir-se ao perdão para restaurar os laços interrompidos, superar situações estéreis de mútua condenação, vencer a tentação de excluir os outros, negando-lhes a possibilidade de apelo.

A capacidade de perdão está na base de cada projeto de uma sociedade futura mais justa e solidária.

Pelo contrário, a falta de perdão, especialmente quando alimenta o prolongamento de conflitos, impõe custos enormes ao desenvolvimento dos povos: os recursos são destinados à corrida aos armamentos, às despesas de guerra, às consequências das represálias económicas. Deste modo, acabam por faltar os recursos financeiros necessários para gerar desenvolvimento, paz e justiça.

Quantos sofrimentos padece a humanidade por não saber reconciliar-se, e quantos atrasos por não saber perdoar! A paz é a condição do desenvolvimento, mas a paz verdadeira só é possível com o perdão.

A proposta do perdão não é de imediata compreensão nem de fácil aceitação; é uma mensagem de certo modo paradoxal. De facto, o perdão implica sempre uma aparente perda a curto prazo; mas garante, a longo prazo, um lucro real.

Com a violência passa-se exatamente o contrário: opta-se por um lucro de vencimento imediato, mas que prepara, para depois, uma perda real e permanente.

À primeira vista, o perdão pode parecer uma fraqueza, mas não o é; ele pressupõe, tanto para ser concedido como para ser aceite, uma força espiritual e uma coragem moral a toda a prova. Em vez de humilhar a pessoa, o perdão leva-a a um humanismo mais pleno e mais rico, capaz de refletir em si um raio do esplendor do Criador”.

Acabei de colocar entre aspas um texto que não é meu.

Um texto com mais de 24 anos, mas que podia ter sido escrito hoje ou nas últimas semanas.

Aplicou-se à pré-anunciada invasão do Iraque, podia aplicar-se à Guerra do Irão.

O autor deste texto referia-se, entre outros, ao Presidente George W Bush, mas podia referir-se, entre outros, a Donald J Trump.

O autor do texto é o Papa São João Paulo II, mas podia ser da autoria do Papa Leão XIV.

Felizmente, a Igreja e o Papa não mudaram de posição sobre a guerra.

Infelizmente, os outros protagonistas também não.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.