Guerra: há posições que não mudam
18 mai, 2026
A Igreja e o Papa não mudaram de posição sobre a guerra.
“As famílias, os grupos, os Estados, a própria Comunidade internacional, necessitam de abrir-se ao perdão para restaurar os laços interrompidos, superar situações estéreis de mútua condenação, vencer a tentação de excluir os outros, negando-lhes a possibilidade de apelo.
A capacidade de perdão está na base de cada projeto de uma sociedade futura mais justa e solidária.
Pelo contrário, a falta de perdão, especialmente quando alimenta o prolongamento de conflitos, impõe custos enormes ao desenvolvimento dos povos: os recursos são destinados à corrida aos armamentos, às despesas de guerra, às consequências das represálias económicas. Deste modo, acabam por faltar os recursos financeiros necessários para gerar desenvolvimento, paz e justiça.
Quantos sofrimentos padece a humanidade por não saber reconciliar-se, e quantos atrasos por não saber perdoar! A paz é a condição do desenvolvimento, mas a paz verdadeira só é possível com o perdão.
A proposta do perdão não é de imediata compreensão nem de fácil aceitação; é uma mensagem de certo modo paradoxal. De facto, o perdão implica sempre uma aparente perda a curto prazo; mas garante, a longo prazo, um lucro real.
Com a violência passa-se exatamente o contrário: opta-se por um lucro de vencimento imediato, mas que prepara, para depois, uma perda real e permanente.
À primeira vista, o perdão pode parecer uma fraqueza, mas não o é; ele pressupõe, tanto para ser concedido como para ser aceite, uma força espiritual e uma coragem moral a toda a prova. Em vez de humilhar a pessoa, o perdão leva-a a um humanismo mais pleno e mais rico, capaz de refletir em si um raio do esplendor do Criador”.
Acabei de colocar entre aspas um texto que não é meu.
Um texto com mais de 24 anos, mas que podia ter sido escrito hoje ou nas últimas semanas.
Aplicou-se à pré-anunciada invasão do Iraque, podia aplicar-se à Guerra do Irão.
O autor deste texto referia-se, entre outros, ao Presidente George W Bush, mas podia referir-se, entre outros, a Donald J Trump.
O autor do texto é o Papa São João Paulo II, mas podia ser da autoria do Papa Leão XIV.
Felizmente, a Igreja e o Papa não mudaram de posição sobre a guerra.
Infelizmente, os outros protagonistas também não.
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