Contra os bretões, marchar, marchar?
08 jul, 2020
Não adiante pedirmos simpatias aos ingleses em nome da história. Como o famoso Lorde Palmerston definiu no século XIX, em diplomacia, “a Grã-Bretanha não tem amigos, mas interesses”.
Segundo Augusto Santos Silva, a Inglaterra, nossa secular aliada, acaba de cometer mais uma perfídia, a saber, excluir-nos da lista de países para onde os súbditos de Sua Majestade podem viajar sem terem de cumprir quarentena no regresso a casa. O ministro acha a decisão “injusta”, “errada” e “até absurda”, um “episódio triste” numa relação bilateral que “teria merecido um outro comportamento por parte das autoridades britânicas”. Talvez à sua batuta todos os portugueses assim ofendidos no seu brio devessem ter um sobressalto patriótico de anti britanismo, como em 1890, contra o humilhante ultimato telegrafado pelo governo de Lorde Salisbury para Lisboa, que obrigou Portugal a renunciar ao sonho do mapa cor-de-rosa de unir Angola a Moçambique. Na contabilidade de casos de Covid por milhão de habitantes, o Reino Unido acumulou, desde março, 4.195 infetados e Portugal 4271. Por aqui, Santos Silva tem razão. Como tem razão em lembrar que há países com rácios piores incluídos na lista inglesa, e que, imprudência por imprudência, as cenas de praias apinhadas ou de pubs desconfinados em ruas cheias de gente embriagada acontecem no Reino Unido e não cá. O problema é que nesta última quinzena os números ingleses cifraram-se em 12,8 casos por milhão de habitantes e os números portugueses em 38,3 casos (mais do triplo). Na apreciação, mesmo que muito empírica, de tendências Portugal está a portar-se mal…enquanto o Reino Unido sabe de si.
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