Benfica
E agora, Rui Costa?
17 set, 2025
O editor de desporto da Renascença, Luís Aresta, escreve sobre o despedimento de Bruno Lage e o momento do Benfica.
Sem outra saída, Rui Costa despediu Bruno Lage. Um desfecho previsível, que mais do que uma exibição e um resultado desastrosos na Liga dos Campeões, reflete as debilidades do projeto que o próprio treinador defendeu com determinação. Lage estava convencido de que os resultados - dentro do campo e, mais adiante, nas urnas - lhe permitiriam prosseguir como treinador do Benfica.
Errou na previsão, e embora a responsabilidade não seja unicamente sua, é principalmente sua, porque não conseguiu pôr a equipa a jogar. É verdade que venceu a Supertaça, que passou o exigente teste do acesso à fase principal da Liga dos Campeões e que entrou a ganhar no campeonato. Mas fez tudo isto sem brilhantismo, sem um futebol dominador, consistente e convincente como se exige ao Benfica.
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Nenhum adepto do Benfica esperaria o pesadelo da última noite, de uma equipa que vai do 2-0 ao 2-3 perante um Qarabag composto por jogadores que, enquanto atuaram em Portugal, nunca passaram de segundas e terceiras figuras. Análises táticas não são a minha especialidade, mas é difícil de compreender como este Benfica é incapaz de controlar os momentos do jogo, mesmo quando em vantagem clara, como foi este caso. Enquanto houve Sudakov a ligar o jogo, houve Benfica.
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Depois, veio o descalabro. A asneira de António Silva, que só não acabou em golo graças a Trubin e ao poste esquerdo da sua baliza, deu o mote para o que viria a seguir: uma equipa a lidar mal com a pressão alta, presa a uma tendência vertiginosa para procurar a área contrária, quando o jogo aconselhava uma abordagem fria, o gelo que permitiria talvez desferir o golpe fatal no adversário. Nada disso.
Perdas de bola, falta de intensidade e erros infantis na organização defensiva, como aconteceu na abordagem de António Silva (outra vez...) no segundo golo, e na forma como o Qarabag encontrou espaço na área para chegar ao terceiro golo. Estas debilidades já vinham de trás, do jogo com o Santa Clara e, antes disso, da Amadora e de Alverca, onde o Benfica ganhou, mas passou por vários sustos. Tudo mau, demasiado mau para quem tanto investiu.
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Ao demitir o treinador, o presidente do Benfica dá razão aos opositores que nunca viram em Bruno Lage um técnico capaz de melhorar os resultados e elevar a qualidade de jogo da equipa. Uma derrota para Rui Costa, a poucas semanas de eleições, mas que lhe pode poupar uma derrocada nas urnas.
Para evitar a suprema humilhação, o presidente do Benfica não pode falhar na contratação do novo treinador. Diz-se que Mourinho é o pretendido. Há muito que o “special one” deixou de estar protegido por aquela aura que ele próprio construiu, sobretudo nos bons anos de Inglaterra e de Itália, mas vê-lo de novo nos relvados portugueses seria um interessante estímulo para os apaixonados do futebol.
Rui Costa (e Mário Branco) certamente sabem aquilo de que o Benfica precisa para sair da atual conjuntura. A época não está perdida. As eleições, estarão, com toda a certeza, se o novo treinador não colocar a equipa a jogar e a ganhar.
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