Benfica
Usar a vitória como trunfo ou acabar dentro do bolso. A vida de Rui Costa, no pós-eleições
09 nov, 2025 • Luís Aresta
O editor de desporto da Renascença reflete sobre o que levou os sócios do Benfica a revalidar a confiança em Rui Costa e o que esperam do presidente reeleito.
A vitória inequívoca de Rui Costa nas eleições do Sport Lisboa e Benfica permite várias leituras. Desde logo, a de que os sócios do Benfica, mais do que olharem para o mandato anterior, voltaram a valorizar Rui Costa pelo seu passado enquanto jogador e referência do clube. A segunda, não tão óbvia, mas igualmente válida, é de que a maioria dos sócios se revê e aprova a forma e o estilo moderado com que Rui Costa tem gerido o SL Benfica. A outra leitura possível é de que João Noronha Lopes, apesar de ter reunido dentro e fora da sua lista um conjunto de apoios vindo de personalidades com passado e peso mediático no clube, não revelou jeito, nem capacidade, para capitalizar o descontentamento de quantos votaram nos opositores da anterior direção. Sobre esta última leitura, há que reconhecer que João Noronha Lopes se revelou pouco esclarecedor sobre o que efetivamente pretendia para o Benfica, deixando-se perder no debate inútil dos incidentes de campanha e na trama das acusações, nada dignificantes, sobre as mentiras e verdades de cada um. Foi mau de mais aquilo a que assistiu, de ambos os lados, sublinhe-se.
Neste triplo cenário, percebe-se como Rui Costa acabou premiado pelos sócios do Benfica, porventura com uma maioria superior aquela que ele próprio esperaria, tão criticado que foi dentro e fora do Benfica, sobretudo nestes últimos anos em que lhe escapou o campeonato.
Compete a Rui Costa provar que merece o crédito que lhe foi dado pelos mais de 58 mil sócios que nele votaram. O discurso de tomada de posse do presidente reeleito, foi apaziguador nas intenções; importante, sem dúvida, depois de tão evidentes divisões. Quanto aos objetivos, foi curto e vago, como quase sempre tem sido. Dizer que é preciso ganhar ao ganhar ao Casa Pia, é pouco e só se percebe no contexto da ressaca eleitoral e da necessidade de ganhar fôlego para o que aí vem.
Rui Costa sabe bem que os adeptos do Benfica esperam de si um presidente que ganhe mais títulos, que seja mais claro nos objetivos, que melhore as infraestruturas do clube, que valorize as modalidades e que seja mais impositivo nas suas ideias, em particular no que respeita ao futebol português. O momento e os desafios atuais não deixam alternativa. A perceção de que Rui Costa não tem sido um líder forte, não pode ser interpretada como fruto da má vontade da crítica ou da mera ambição de quem quer chegar ao poder no Benfica.
Compete ao presidente do Benfica, na perspetiva do seu clube, fazer valer a dimensão desta vitória, com números sem paralelo na história do futebol. Rui Costa saiu legitimado e reforçado destas eleições. Resta saber se saberá fazer uso da vitória como trunfo para dominar a agenda desportiva e marcar posição nas várias frentes do futebol português. Se o não fizer, aí sim, tem sérias probabilidades de acabar no bolso de um qualquer rival.
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