Luis Aresta
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​Desporto universitário. Do ideal à triste realidade

17 mar, 2026 • Luís Aresta • Opinião de Luis Aresta


O editor de desporto da Renascença, Luís Aresta, escreve sobre a vontade (tão portuguesa) de superar obstáculos e de como isso choca com os maus hábitos do Estado.

Um estudo divulgado esta terça-feira pela Federação Académica do Desporto Universitário (FADU) é revelador de como a vontade (tão portuguesa) de superar obstáculos se debate com a entropia e os maus hábitos do Estado.

O documento revela “um cenário de carência estrutural acentuada”, em que mais de metade das instituições não possuem instalações desportivas próprias, tendo de recorrer sistematicamente a parcerias externas ou instalações de terceiros para viabilizar a prática desportiva dos estudantes do ensino superior. A concentração da prática desportiva num número reduzido de infraestruturas, não só limita as opções, como conduz a uma degradação mais acelerada de instalações e equipamentos.

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Estas não são as únicas dificuldades. De acordo com o levantamento efetuado, o maior obstáculo é a limitação de horários, com “a escassez de janelas temporais para treino e competição a dificultar gravemente a conciliação entre a vida académica e o desporto”.

O estudo também confirma sinais de “subfinanciamento crónico” com repercussões na construção e requalificação de recintos desportivos e com um impacto negativo no desporto universitário federado. A somar a este vasto conjunto de fatores negativos, há ainda a falta de disponibilidade de técnicos de desporto e treino e o reconhecimento de dificuldades na gestão e coordenação da oferta desportiva.

Ou seja, não falta tudo, mas quase... O que fazer?

Às instituições cabe reforçar o investimento em técnicos especializados, fazer do desporto uma ferramenta estratégica, promover e dar condições aos estudantes para a prática desportiva. Governo e instituições deveriam assegurar um maior enquadramento do desporto nos modelos de financiamento e definir linhas específicas destinadas a infraestruturas desportivas.

São conclusões do estudo da FADU que me parecem óbvias e consensuais. O problema está em levá-las à prática, definindo prioridades, criando projetos e fixando objetivos de investimento para no prazo de uma década (não sendo demasiado exigente) entregar ao desporto universitário as condições necessárias à promoção da atividade desportiva. Fixar e desenvolver talento também passa pelo desporto.

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