Novas Crónicas da Idade Mídia
O que se escreve e o que se diz nos jornais, na rádio, na televisão e nas redes sociais. E como se diz. Eduardo Oliveira e Silva, Luís Marinho, Luís Marques e Rui Pêgo são quatro jornalistas com passado, mas sempre presentes, olham para as notícias, das manchetes às mais escondidas, e refletem sobre a informação a que temos direito. Todas as semanas, leem, ouvem, veem… E não podem ignorar. Um programa Renascença para ouvir todos os domingos, às 12h, ou a partir de quinta-feira em podcast.
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​Ministro “surpreendido”

Novas Crónicas da Idade Mídia

​Ministro “surpreendido”

15 nov, 2024 • Eduardo Oliveira e Silva, Luís Marinho, Luís Marques e Rui Pêgo


A redução de publicidade na RTP, o caos no INEM, o suposto telefonema entre Trump e Putin, a saída do "The Guardian" da redes social X são alguns dos temas debatidos nas Novas Crónicas da Idade Mídia desta semana.

À margem da discussão do orçamento na especialidade, a RTP foi o tema. A oposição contesta a redução de publicidade e questiona onde estão menos entretenimento e mais informação que o Governo prometera. Pedro Duarte, o ministro da tutela, defende que “o fim da publicidade é uma oportunidade para chegar a mais e novos públicos” e que o executivo está a fazer um “investimento sem memória na RTP”. “Não queremos uma RTP obesa, queremos uma RTP ágil e musculada”. Manifestou-se “surpreendido” com a eleição de Aarons de Carvalho para presidente do CGI, mesmo antes deste Conselho integrar a totalidade dos seus membros, após a renúncia de Leonor Beleza.

Aarons poderia ter sido eleito sem o Conselho estar completo? O novo elemento aceitará como facto consumado a eleição do antigo secretário de Estado socialista?

Os Media – e bem - não largam o caos na emergência médica. A ministra chamou a si a tutela direta sobre o INEM e anunciou, na audição parlamentar, que aguarda o desfecho das investigações que avaliam a relação entre as mortes e a greve no INEM, assegurando que saberá “interpretar os resultados”.
O JN (13), conclui, em manchete, que a “ministra da saúde admite sair” do governo. Nada que perturbe Montenegro que, no início do processo, teve mais um deslize no domínio da comunicação: “não andamos aqui atrás de pré-avisos de greve”. De facto, um primeiro-ministro tem muito mais que fazer. Mesmo um ministro. Muito mais um secretário de Estado. Assim sendo, talvez fosse aconselhável arranjar, no Governo, quem se ocupe de “andar atrás” de pré-avisos de greve. Porque um pré-aviso, é mesmo isso: avisar que a coisa pode correr mal. Sobre o incumprimento dos serviços mínimos, o presidente do INEM, não tem nada para dizer. Para lá, claro, do facto de a instituição ter metade dos efetivos de que necessitaria.

A confirmar-se a relação direta entre os atrasos na resposta do INEM e as mortes ocorridas, o país espera que se apurem todas as responsabilidades. Será que alguém ainda vai lembrar-se de vir dizer que os responsáveis foram os grevistas?

E Trump falou ao telefone com Putin? O Washington Post anunciou que sim. O Kremlin apressou-se a desmentir. Percebe-se mal porque Trump, recém-eleito com marcas expressivas no voto popular e para o colégio eleitoral, se daria ao trabalho de ligar ao chefe russo? E se o telefone tocou no Kremlin porque é que o assessor de Putin negaria que tal tivesse acontecido? Os Media tradicionais que apoiaram declaradamente Kamala e agora vêm explicar os erros cometidos pelo partido democrata e pela própria vice-presidente que antes não identificaram, parecem apostados em erguer uma “barreira ideológica” contra Trump.

O Guardian ofereceu “apoio psicológico” aos seus jornalistas depois da vitória “perturbadora” de Trump, nas palavras do jornal britânico. “Combater Trump é um esforço legítimo, não um perigoso sintoma de «parcialidade do jornalismo»”, escreve Manuel Carvalho, na edição desta quinta-feira (14), no Público. Quando se avizinha uma transferência tranquila de poderes, Biden recebeu Trump esta quarta-feira (13) na Casa Branca, não parece fazer grande sentido o “entrincheiramento” da maioria dos media tradicionais na antecipação de uma espécie de colapso democrático. O Mundo conhece o envolvimento de Trump no assalto ao Capitólio. E não esquece. Os americanos e as suas instituições resistirão a todos os afrontamentos.

Na sequência da vitória de Trump nas eleições americanas, o britânico Guardian decidiu abandonar a plataforma X, de Elon Musk. Tinha 27 milhões de seguidores. OLa Vanguardia já lhe seguiu o exemplo. A Austrália é o primeiro país do mundo a estabelecer 16 anos como idade mínima para os adolescentes acederem às redes sociais.

A CMTV, com o relato do Braga/Sporting, do passado domingo, 10, teve mais espectadores do que a TVI e a SIC. Mais de 700.000 pessoas optaram por ouvir na televisão em vez de ver televisão. A MediaLivre estreou (11) a anunciada rádio CM, com a transmissão de vários programas da CMTV. Já tínhamos a rádio na televisão, agora teremos a televisão na rádio. A promoção cruzada dos conteúdos que produz é, indiscutivelmente, uma prioridade estratégica para o único grupo português de comunicação com oferta em todas as plataformas.

O jornal Correio da Feira, de Vila Nova da Feira, anunciou esta segunda-feira (11) o seu encerramento, após 127 anos de atividade. É mais um rombo no património mediático nacional e na comunicação de proximidade.

Dois momentos de excelente televisão com conteúdos de grande qualidade: SIC: o documentário de Sofia Pinto Coelho (George/Jorge); a reportagem da TVI sobre a imigração. Não se consegue pedir um visto sem passar por esta VFS.

Em suplemento ao programa, nos Grandes Enigmas, porque é que os políticos portugueses insistem em utilizar publicamente uma língua que não dominam? Autarca de Espinho acusado de ter autorizado dois lugares de estacionamento a uma empresa foi ilibado. Será para perder tempo com estes casos que serve a justiça? Ruben Amorim está em Manchester e ainda não vestiu o fato de treinador. Não tem visto de trabalho. É caso para perguntar outra vez: qual era a pressa do United?

Uma última nota: partiu esta semana (12) Fernando Magalhães Crespo, o sr. Engenheiro, como todos o tratavam. A importância do papel dele na consolidação da Renascença e, depois, no desenvolvimento do grupo Renascença, é indiscutível. O que está por estudar é a importância que teve no fortalecimento da indústria da rádio e no reforço do papel deste meio na relação com os vários poderes. Diz-se que era tão persistente na perseguição dos objetivos que entendia os melhores para a sua Renascença que os sucessivos poderes políticos “já não podiam nem ouvi-lo”. Um exemplo desta tenacidade, deste empenho, deste compromisso e, certamente, desta visão, foi a atribuição à RR de uma nova rede nacional de FM de que veio a resultar a RFM. Quem se cruzou com ele, não pôde deixar de se comover com a sua partida e enaltecer o legado da sua ação.

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