Novas Crónicas da Idade Mídia
Qual é o desconforto do PS?
22 nov, 2024 • Eduardo Oliveira e Silva, Luís Marinho, Luís Marques e Rui Pêgo
Os mil dias de guerra na Ucrânia, a nova administração Trump, o encontro de Nuno Melo e Gouveia e Melo num bar, a situação dos trabalhardores da Trust in News e muitos outros temas em destaque nas Novas Crónicas da Idade Mídia esta semana. Ouça, leia ou veja aqui esta edição.
E aos mil dias de guerra, Biden autorizou a utilização de armas americanas contra território russo. Putin ameaça com o nuclear. Esta quarta-feira (20), os Estados Unidos e alguns países europeus, entre os quais Portugal, decidiram fechar as Embaixadas em Kiev, dada a iminência de um ataque russo em larga escala à capital ucraniana.
Os media nacionais e de todo o mundo têm dedicado tempo e espaço à informação e comentário desta nova escalada da tensão com o Kremlin. Fechar Embaixadas, mesmo que temporariamente, não dá o sinal errado? A ameaça de Moscovo de utilizar armas nucleares é um bluff? Só o tempo poderá responder a estas perguntas.
O tempo e a nova administração Trump que, a avaliar pelas personalidades já reveladas da futura equipa da Casa Branca, mais parece um casting para a Casa dos Segredos.
Aparentemente, há duas coisas que parecem certas: militarmente, a Europa vai ter de contar consigo própria, basta atentar no perfil do novo embaixador americano na NATO; a Ucrânia vai ter de fazer um acordo com o Kremlin, se quiser preservar um módico de soberania e algum território.
A sessão solene na Assembleia da República que assinala o 25 de novembro esteve sempre envolta em grande polémica.
O PCP avisou que não comparece. O Bloco far-se-á representar apenas por um deputado. Vasco Lourenço, que foi um dos subscritores do Documentos dos 9, informou que a Associação 25 de Abril, a que preside, também não estará presente. O PS não concorda que a sessão seja idêntica à cerimónia que celebra o 25 de Abril, momento fundador do regime que sucedeu ao Estado Novo. E o 25 de novembro? Não é o documento dos 9 que desencadeia o processo? Não é a ação política de Mário Soares, com o PS na primeira linha do combate pela democracia pluralista, que conduziu o país ao atual regime parlamentar? Detecta-se algum desconforto, para dizer o mínimo, na atual direção do Largo do Rato com o legado histórico do PS. Ou será mais do que desconforto?
Nuno Melo, o ministro, encontrou-se num bar de Lisboa com Gouveia e Melo, o Almirante. Explicou o ministro: “um ministro da Defesa tem sempre coisas para falar com um chefe militar”. Tem certamente. Num bar, na noite de Lisboa, com que propósito? Discutir a guerra? O CEMFA deve ter alguma coisa para dizer sobre o tema, não? E o presidente do CDS, pode beber um copo de vinho com o putativo candidato a presidente da República? Claro que o putativo candidato não pode enquanto for militar no ativo. Então o cidadão Melo não pode ir comer um prego no pão com o cidadão Gouveia. Pode, mas não deve, sendo um ministro e o outro chefe da Armada. Se nenhum dos dois quisesse que o encontro fosse público, o Página Um não tinha sido avisado.
Os trabalhadores da Trust in News (TiN), com salários em atraso e sem informação sobre o processo de insolvência do grupo que edita a Visão, o JL, a Caras e a Exame, entre outros, tomaram posição pública: vão bater-se para que os títulos não desapareçam.
A Associated Press anunciou que vai reduzir os efetivos da organização em todo o mundo e concentrar-se decisivamente no digital. E é exatamente no digital que tem estado um dos problemas dos Media tradicionais que não são remunerados pelos conteúdos que produzem. Os grandes jornais franceses, a que se juntam também a France Press e o agregador de blogues norte-americano HuffPost, exigem que as tecnológicas paguem pela utilização dos seus conteúdos, em cumprimento da diretiva europeia sobre direitos conexos.
O Tribunal judicial de Paris decidiu em Maio a favor dos requerentes, exigindo à rede X o fornecimento de informação sobre a utilização do material dos queixosos. Até agora, Elon Musk nada disse. O Tribunal vai avançar com uma multa (1000 euros por dia e por publicação), desproporcional em relação ao volume de negócios dos prevaricadores. A ação contra a rede X surge na sequência de uma outra de 50 publicações associadas na General Information Press Alliance que pretendem que os players tecnológicos sejam obrigados a cumprir as regras da propriedade intelectual.
Álvaro Sobrinho renunciou à nacionalidade portuguesa há 40 anos. Mas continuou a renovar a identificação portuguesa e a viajar como cidadão português. A revelação feita pela SIC no “Jornal da Noite” desta quarta-feira (20), informou que o erro administrativo foi detectado quando foi pedida, na Loja do Cidadão, uma certidão de nascimento do empresário, que o próprio negou ter feito. Quem pediu a certidão? Os serviços de registo notariais negaram ao Expresso online fornecer essa informação. A SIC, para lá do “scoop”, produziu, em desenvolvimento, uma emissão especial na SICN e uma entrevista exclusiva com Álvaro Sobrinho, a partir de Luanda.
Ángel Éxposito conta uma história extraordinária no seu podcast “La Linterna”. Em retribuição pela ajuda espanhola numas cheias em Tumbuctu, o presidente da câmara de uma pequena aldeia do centro do Mali fez uma coleta para ajudar as vítimas e a reconstrução de Valência. Recolheu 50€ (cinquenta euros) e enviou à Embaixada espanhola em BamaKo. Ángel tem um desempenho extraordinário, é verdade. E diz como poucos. Mas o que fica claro para quem ouve é a capacidade tremenda da rádio para comunicar, de uma forma próxima, quase íntima. Comovente. (podcast La Linterna, COPE)
No suplemento ao programa, nos Grandes Enigmas e outras histórias, porque é que as televisões nas peças sobre reformados recorrem sempre a imagens de velhos a jogar às cartas? Montenegro informou que “há um país a pulular todos os dias? Como será? O INEM não pulula, certamente. Dois lamentos: nenhum dirigente do Benfica se referiu publicamente ao desaparecimento de Pedro Guerra, nem mesmo no site do clube foi feita qualquer referência à morte do jornalista, antigo diretor da Benfica TV; a crueldade de Martinez ter convocado Geovany Quenda e não o ter utilizado, num jogo “a feijões” em que o futebolista podia ter feito a diferença. O selecionar impediu que Quenda se tornasse no mais jovem jogador a jogar pela seleção principal de Portugal, sucedendo a Futre. Para um miúdo de 17 anos, é um castigo sem tamanho.











