Novas Crónicas da Idade Mídia
O fenómeno do Entroncamento
16 out, 2025 • Eduardo Oliveira e Silva, Luís Marinho, Luís Marques e Rui Pêgo
Os resultados e as conclusões no pós eleições autárquicas, o encerramento da MTV, o impacto das autárquicas na corrida presidencial de Ventura, a negociações de Trump em Sharm el-sheik e, em França, a renomeação de Lecornu para primeiro-ministro poucos dias depois de se ter demitido do cargo. Estes são alguns dos temas em debate nesta edição das Novas Crónicas da Idade Mídia.
Uma longa noite eleitoral, que assinala o regresso da designação RTPNotícias para o canal de informação da RTP e a estreia de avatares como comentadores no Conta Lá. Isto para lá do novo “fenómeno do Entroncamento”, que é uma coisa que se deu no exato momento em que convergiram para aquela zona do país todas as televisões disponíveis para mostrarem o encontro de Ventura com o autarca eleito. A CMTV mostrou a viagem que fazia no automóvel do Dr. Ventura em simultâneo com o discurso do Presidente do PSD, vencedor das eleições. A RTP foi mais contida, mostrou a chegada do chefe do Chega, mas não ficou para ouvi-lo repetir o que já tinha dito ao longo da noite.
Apesar da grande proximidade entre eleitores e eleitos, as eleições de domingo, 12, registaram um elevado índice de abstenção. Não surpreende.
O encerramento de rádios, com ligação efetiva às comunidades locais, e a deficiente distribuição de jornais, quer regionais, quer nacionais, determina que mais de metade do país corra o sério risco de ficar sem cobertura jornalística profissional. Logo com o direito à informação irremediavelmente afetado.
Jornalistas da Visão tentam manter a continuidade da revista. Rui Tavares Guedes, o diretor da publicação, pede ao Governo que “cumpra as suas promessas de apoio à comunicação social e não dificulte o processo de venda de uma empresa que já foi considerada insolvente”. A ERC ainda não disse nada.
A MTV vai encerrar os seus canais de música na Europa até ao fim do ano, 44 anos depois do início da atividade. A queda significativa de audiências e, sobretudo, a alteração dos hábitos de consumo de música, estão na origem da decisão da Paramount, proprietária da MTV, que pretende reduzir drasticamente os custos da operação. Mais do que um ciclo que se fecha, parece ser o fim de uma era.
André Ventura poderá ter tido nesta eleição uma dura prova da sua real implantação no eleitorado. Apareceu em todos os cartazes de todos os locais onde o Chega concorreu. O resultado foi cerca de metade dos votos obtidos nas legislativas. Todos sabemos que se trata de eleições diferentes, mas a verdade é que André Ventura quis submeter-se a este escrutínio. Que impacto terá este resultado na corrida presidencial Ventura?
Autárquicas 2025
Chega e o "Venturocentrismo": partido conquistou menos câmaras do que PCP e CDS
André Ventura repetiu que o objetivo era ganhar e (...)
Uma sondagem da Pitagórica para TVI, CNN, JN e TSF revela Gouveia e Melo a liderar as intenções de voto (26,9%). Marques Mendes (20,3%) e Seguro (18,4%), tecnicamente empatados. O estudo revela que o Almirante venceria à segunda volta contra qualquer adversário. No entanto, é preciso reter que a candidatura de Gouveia e Melo tem vindo a perder fulgor (tem agora menos 6 pontos percentuais do que em Março).
À segunda volta, contra Marques Mendes, a vitória seria por 5 pontos de diferença. Um pouco mais dilatada em relação a Seguro (7%). Esmagadora contra Ventura, que não iria além dos 15%.
Publicada esta terça-feira, 14, esta sondagem foi feita antes das eleições autárquicas de domingo passado. Três dias antes, a Intercampus que estudou o mesmo tema para o CM/CMTV dá um empate técnico entre Gouveia e Melo (21,6%), Marques Mendes (19,7%) e Ventura (19,1%). Seguro (10,2%) aparece praticamente empatado com Cotrim de Figueiredo. São números muito diferentes em apenas três dias de intervalo.
Quanto valem as sondagens? Até Janeiro, ficaremos a saber o impacto que terão nas campanhas dos candidatos.
Trump foi ao Egito (Sharm el-sheik) assinar a primeira fase do cessar-fogo para Gaza com o Qatar e a Turquia, que mediaram o conflito. O presidente egípcio explicou que esta é a “última oportunidade” para a paz na região. O plano pode dar certo? Pode, se o financiamento ao Hamas terminar. E, aparentemente, é o que o presidente norte-americano negociou com as potências regionais: uma nova era para o Médio Oriente. Pode ser que resulte daí o Nobel para Trump. Que será ainda mais certo se conseguir resolver a guerra na Ucrânia. Desta vez, a justeza da luta de Corina Machado contra a ditadura venezuelana falou mais alto.
Médio Oriente
Trump e mediadores assinam acordo para Gaza
Na cimeira de Sharm El-Sheikh, que juntou mais de (...)
Macron nomeou outra vez o mesmo primeiro-ministro, depois deste ter apresentado a demissão. Recorde-se que Sébastien Lecornu demitiu-se do cargo na passada segunda-feira, 6. Macron voltou a nomeá-lo ao princípio da noite de sexta-feira, 10, depois de “duas horas e meia de conversas com lideranças partidárias”, na tarde de sexta-feira, conta a rádio francesa RFI. O que se alterou? A legislação sobre as reformas foi congelada, o que permitirá o apoio socialista.
Em suplemento ao programa, nos Grandes Enigmas, porque é que Ronaldo não cumprimenta os árbitros auxiliares? Onde está Sócrates? Qual é o medicamento para a azia que Carlos César está a tomar para apoiar Seguro? Como foi possível que o comboio para Faro perdesse uma carruagem?














