Novas Crónicas da Idade Mídia
O que se escreve e o que se diz nos jornais, na rádio, na televisão e nas redes sociais. E como se diz. Eduardo Oliveira e Silva, Luís Marinho, Luís Marques e Rui Pêgo são quatro jornalistas com passado, mas sempre presentes, olham para as notícias, das manchetes às mais escondidas, e refletem sobre a informação a que temos direito. Todas as semanas, leem, ouvem, veem… E não podem ignorar. Um programa Renascença para ouvir todos os domingos, às 12h, ou a partir de quinta-feira em podcast.
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​Abandonar é perder

Novas Crónicas da Idade Mídia

​Abandonar é perder

06 nov, 2025 • Eduardo Oliveira e Silva, Luís Marinho, Luís Marques e Rui Pêgo


Entrevistados que abandonam o estúdio, a possibilidade de ilegalização do Chega, a guerra de sondagens na corrida para as presidenciais e a troca de advogados de José Sócrates são alguns dos temas a que dedicamos as Novas Crónicas da Idade Mídia esta semana.

Miguel Prata Roque abandonou o estúdio da SICN, indignado com o seu oponente do Chega. Entregou-se, depois, às redes sociais. A seguir, foi a vez de André Ventura fazer o mesmo na CNNP, praticamente no final do programa.
“Porque é que berra tanto?” foi a pergunta feita pelos espectadores que Pedro Costa (PS) teria escolhido para fazer a Ventura. André ofendeu-se. E abandonou o estúdio. Nem um, nem outro, tiveram razão. No caso do presidente do Chega pareceu claramente uma retaliação ao PS e ao militante socialista, empatando a Liga dos Abandonos.

A teoria do abandono, do eu-não-falo-com-esse-senhor, é um exercício despropositado num regime democrático. A democracia não precisa de cercas, dispõe de instrumentos institucionais para decidir quem pode ou não participar no jogo. A quem aceita as regras, resta-lhe o combate político. Contra insultos, convém apresentar soluções para resolver os problemas das populações. Desistir é perder. A verdade é que o tom geral parece crispar-se cada vez mais.
Filipe Melo (Chega), depois dos beijos enviados na mesa da presidência do Parlamento para Isabel Moreira, agora foi o “vai para a tua terra” lançado a Vera Cruzeiro, do PS. A bondosa iniciativa de Garcia Pereira de pedir a ilegalização do Chega vai acabar por morrer na praia.

Os Italianos da MFE (Media for Europe) deverão tomar uma posição relevante na estrutura acionista da Impresa (33%). Francisco Pedro Balsemão manter-se-á como CEO, devendo o acordo ficar fechado até a o fim do ano. A notícia do Jornal de Negócios já foi confirmada, em comunicado, pela administração da Impresa.

A TVI voltou a captar a preferência dos portugueses em outubro. As vitórias consecutivas nos últimos meses, alicerçadas no bom desempenho da “Casa dos Segredos”, anunciam uma luta renhida com a SIC pelo resultado final do ano, dados os resultados vitoriosos alcançados no primeiro semestre de 2025.

Guerra de sondagens na corrida para as presidenciais. Aparentemente, vai ser assim até Janeiro. Cotrim de Figueiredo tem amealhado seguidores, recrutados nas redes sociais onde o trabalho que está a desenvolver se tem revelado eficaz.

O Governo não quer intermediários. “Já somos mais do que vocês”, o comentário de um fotógrafo governamental, contado pelo Expresso (sábado, 1). O Executivo está a criar uma estrutura para produzir a sua própria informação e um regime autónomo de fact check. O Executivo recusa a ideia de que se trata de uma Central de Informação. A Secretaria Geral Adjunta para a Comunicação Institucional, assim se chama a entidade, tem três objetivos: fornecer mais informação “chave na mão”, agregar conteúdos no portal da República, profissionalizar a gestão das redes sociais. Chamemos-lhe então uma Agência Central de Comunicação.
O Governo quer “virar o jogo”? Quer. Pretende retirar capacidade de intervenção à intermediação jornalística. Assim sendo, faz sentido endereçar 314 milhões do OE para os Media tradicionais? Quanto custa a construção desta relação direta com os destinatários? Se Carlos Moedas seguisse o exemplo do governo central, não teria precisado das redes sociais de Lili Caneças para os portugueses ficarem a saber que convidou para jantar no salão Nobre da CML as estrelas internacionais presentes no Tribeca Film Festival.

Pedro Delille resignou à defesa de Sócrates porque se sentiu ofendido pelo Tribunal. Foi chamado um oficioso a quem foi recusado o período requerido de 48 horas para se inteirar do processo. O advogado fornecido pelo Estado é invisual e ao fim da tarde (quarta, 5) não tinha os contactos de Sócrates, nem do seu ex-advogado e não tinha sido contactado por qualquer dos dois. Mais um passe de mágica da defesa de Sócrates que se revela um mestre da comunicação.

Nova Iorque elegeu um socialista, islâmico, nascido em Kampala (Uganda) para Mayor da cidade. Para chegar à vitória, Zohran Mamdani usou predominantemente as redes sociais, digam os democratas o que disserem. É este o grande desafio do Partido Democrata?

Em suplemento, será que as autoridades do Mar e da Atmosfera têm acesso direto à entidade que controla os tsunamis e pediram para aguentar a coisa até 2027? O jornalismo virou um reality show? A partir de 2026, o IUC passará a ser pago em fevereiro. Quem foi o inventor da alteração? O árbitro Veríssimo foi pressionado no Porto, presenteado com um televisor instalado no balneário para os árbitros verem, ao intervalo, os erros que cometeram. O vídeo, em loop, retrata a era da imagem. A fruta é de outro tempo.

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