20 nov, 2025 • Eduardo Oliveira e Silva, Luís Marinho, Luís Marques e Rui Pêgo
Seguro e Ventura inauguraram, na TVI, a série de 28 debates entre os principais candidatos à Presidência. O encontro, em sinal aberto, foi visto por mais de um milhão de pessoas, o que restitui aos debates eleitorais um novo significado. Uma boa notícia, portanto.
A ERC recomendou que as televisões FTA alargassem o acordo a outros canais. Não sendo vinculativa, a recomendação não passa disso mesmo. A providência cautelar anunciada, entretanto, pela Media Livre poderá travar os debates?
A União Europeia está a criar um Observatório para identificar e remover da Internet conteúdos falsos. Uma rede europeia de verificação de factos. O esforço de combater as notícias falsas parece uma boa notícia, mas levanta muitas reservas sobre os critérios de quem decidirá o que é um facto real ou fake. Poderemos estar perante um primeiro ensaio para a censura.
Neste nosso tempo em que os paradigmas da produção de informação se alteraram com a velocidade do digital, de que as redes sociais são o exemplo mais expressivo, talvez seja o momento para cerrar fileiras contra a falsificação da informação.
Eleições 2026
Debates entre candidatos começam esta segunda-feir(...)
No debate de estreia, Ventura não deixou ninguém falar. Nem o próprio moderador. Seguro manteve uma serenidade olímpica perante o discurso torrencial de Ventura, muitas vezes para lá da urbanidade, para dizer o mínimo. Marques Mendes e António Filipe mostraram outra elevação. As redes sociais encarregaram-se de pôr a rolar que um dos filhos de Marques Mendes tem uma empresa que se propõe instalar uma Central Solar na região de Idanha-a-Nova. A população opôs-se, a Câmara deu um parecer desfavorável. O que é que isto tem a ver com o candidato Marques Mendes? Nada. Atualmente os filhos dos candidatos não podem ter atividade profissional ou empresarial com o Estado? Aparentemente, não.
O 25 de Novembro é celebrado no Parlamento, na próxima terça-feira, com a ausência já anunciada do PCP. A evocação dos 50 anos da “normalização democrática” é uma cerimónia envolvida em grande polémica, com o PS a exibir um comportamento político divorciado da sua história e da participação ativa e liderante no desfecho da ação militar de novembro de 1975. Mário Soares, o histórico líder socialista, entendia que era essencial para o país repor os ideais do 25 de abril.
Ronaldo integrou a comitiva do Príncipe saudita na visita à Casa Branca. A CMTV cobriu o acontecimento, com repórteres em Washington, transformando a visita de Bin Salman num encontro entre Trump e o futebolista português. Um “encontro histórico”, classificava a reportagem. “Não vejo nenhuma bandeira portuguesa”, informava a jornalista. Recordo, o visitante era o Príncipe herdeiro da Arábia Saudita.
Valha a verdade que todos os outros canais também debateram a visita de Ronaldo a Trump, com a imagem da porta de entrada para o jantar de gala. A que se deve todo este entusiasmo que tudo transforma? Fora os excessos da noite de terça, 18, Ronaldo foi recebido por Trump que lhe entregou a chave da Casa Branca.
Estados Unidos
Capitão luso esteve reunido com Donald Trump.
A Trump sobrou tempo para ameaçar caçar a licença da ABC News perante a pergunta de uma jornalista sobre o assassínio do jornalista saudita Khashoggi. Ignorando a atitude patética de Trump a defender o Príncipe, fica a assunção do herdeiro de que o ato é uma vergonha para a Arábia Saudita. Parece que hoje é perigoso fazer perguntas. Recentemente, Gabriel Nunziati, jornalista da agência de notícias italiana Nova, foi despedido por perguntar numa conferência em Bruxelas se Israel deveria pagar a reconstrução de Gaza. Houve um tempo em que as perguntas nunca eram estúpidas, as respostas é que podiam ser idiotas. Também por isso hoje o papel do verdadeiro jornalista é mais importante do que nunca?
Depois da Visão, são agora os jornalistas do DN que produzem o jornal a partir de casa. Estamos a caminhar rapidamente para a alteração do paradigma. Todos os intervenientes na produção direta de um jornal, designadamente jornalistas e gráficos, podem trabalhar à distância. O que estraçalha, rebenta definitivamente, com a ideia romântica do grupo que troca experiências e cruza gerações. Perdem-se as histórias que os mais velhos acumularam. Perde-se o fascínio pela escuta da memória das coisas e dos dias. É uma nova vida a que o jornalismo vai ter de habituar-se.
Preservar a memória é o que faz a Renascença num podcast “Igreja e Liberdade” que conta a história da ocupação e restituição da RR. Faz agora 50 anos. É deste compromisso com a memória que o jornalismo e os Medias não podem abdicar.
Podcast Igreja e Liberdade – Episódio 5
A 7 de novembro de 1975, uma decisão política pôs (...)
No momento em que a TAP entra na fase final da venda, aparece uma busca da PJ por causa da aquisição da companhia em 2015 pelo consórcio de David Leeman e Humberto Pedrosa. Parece uma conspiração. Parece que o MP está ali, emboscado, com o calendário, pronto a disparar. Não é assim, claro. Não pode ser assim. Há quem identifique nestas coincidências, uma conspiração tenebrosa para prejudicar os atores políticos. Há outros que não se incomodam minimamente com as buscas da PJ. E apontam os próprios interessados como imunes às ações das polícias. O prazo para entrega das candidaturas à compra de metade da TAP termina este sábado, 22.