Novas Crónicas da Idade Mídia
O que se escreve e o que se diz nos jornais, na rádio, na televisão e nas redes sociais. E como se diz. Eduardo Oliveira e Silva, Luís Marinho, Luís Marques e Rui Pêgo são quatro jornalistas com passado, mas sempre presentes, olham para as notícias, das manchetes às mais escondidas, e refletem sobre a informação a que temos direito. Todas as semanas, leem, ouvem, veem… E não podem ignorar. Um programa Renascença para ouvir todos os domingos, às 12h, ou a partir de quinta-feira em podcast.
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Desinformação, a nova peste

Novas Crónicas da Idade Mídia

Desinformação, a nova peste

27 nov, 2025 • Eduardo Oliveira e Silva, Luís Marinho, Luís Marques e Rui Pêgo


A polémica na celebração dos 50 nos do 25 de novemrbo, os debates entre os candidatos presidenciais, a estratégia de desinformação russa, e a palavra do ano de 2025 foram alguns dos temas discutidos nesta edição de Novas Crónicasa da Idade Mídia.

António Costa, atual presidente do Conselho Europeu, informava o DN, foi escutado durante 2 anos no desempenho das funções de primeiro-ministro de Portugal. Não pode ser, exclamou o país em coro. Da Presidência da República ao Parlamento, da esquerda à direita, pediu-se um esclarecimento cabal por parte do MP. Como é possível escutar um primeiro-ministro em funções, sem autorização do Supremo? O país inteiro foi a correr ouvir os comentadores das televisões para se socorrer de alguma ajuda. Ajudaram a esclarecer o que se passou? Não, regra geral, “malharam” forte e feio no MP.
A verdade é que o que tinha sido noticiado como “escutas a António Costa” eram, afinal, escutas a cidadãos que tinham tentado falar com o ex-primeiro-ministro, o que é completamente diferente. E só uma única vez com sucesso. Dito de outra maneira: os comentadores apressaram-se a amplificar o erro do DN, colaborando na desinformação.

A estratégia de desinformação russa, que não é de hoje, fez capa do Público esta terça, 24. A Rússia investe de forma robusta na produção de conteúdos falsos nas plataformas digitais, alimentando a IA de informação falsa. Trata-se de uma autêntica Central de Desinformação. Também por isso parece importante a iniciativa da UE de estabelecer uma estrutura permanente para identificar e remover conteúdos falsos. Dado o confronto digital entre as grandes potências, a que não escapam todos os países do Mundo, não deverão as democracias ocidentais repensar o conceito de censura?

O Polígrafo da SIC analisou uma fotografia de Marcelo Rebelo de Sousa a beijar a mão de João Lourenço, em Luanda, à entrada do Palácio do Presidente angolano. A foto correu mundo, partilhada nas redes sociais. A imagem, manipulada, é falsa. Assim como o episódio que pretende retratar. Nunca existiu. Dada a gravidade cada vez maior da desinformação, talvez fosse aconselhável que o Polígrafo abandonasse classificações pretensamente criativas como “pimenta na língua” e se concentrasse no seu propósito. O que se disse, escreveu ou filmou, é verdadeiro ou falso? Nada mais simples. E sem equívocos.

O início da semana foi dominado pela polémica em torno da celebração dos 50 anos do 25 de novembro. Rosas contra cravos, um episódio quase infantil, fica a marcar a cerimónia oficial no Parlamento. A data divide agora o que uniu no passado. Onde está a verdade da ação militar de novembro? Ninguém sabe? Alguma coisa se sabe. Sabe-se, está documentada, a tentativa de golpe de um pequeno grupo extremista das Forças Armadas que tomou a RTP e ficou isolado, depois do recuo do PCP. Conta quem viveu esse tempo de exceção. E sabe-se que em eleições sucessivas, para a Constituinte (abril.1975) e, depois, nas primeiras legislativas (abril.1976), os portugueses votaram maioritariamente por uma democracia liberal.

A caminho das presidenciais de janeiro, o debate desta terça-feira, 25, era esperado com alguma expectativa. Ventura, o “xerife da República” como lhe chamou Marques Mendes, trouxe mais do mesmo e tentou fazer a Clara de Sousa, o que tinha feito a José Alberto Carvalho, embora sem sucesso. Marques Mendes, não tão contemporizador como Seguro, manteve-se sereno perante a impetuosidade do presidente do Chega.

Com Gouveia e Melo, a discussão vai, quase sempre, aterrar na competição sobre quem é o mais independente.
Com Cotrim de Figueiredo, discutiu-se até a distância que cada um tem do “avental”. O sr. Almirante informou que “nem na cozinha” o usa. As preferências pessoais dos comentadores das televisões, com uma ou outra exceção, condicionam a surpresa. E o sistema de atribuição de notas aos contendores parece cada vez mais frívolo. Sensata, a RTP desistiu da ideia criada na rádio há muitos anos pelo Prof. Marcelo Rebelo de Sousa.

Em suplemento ao programa, nesta edição, a palavra do ano de 2025. Das 10 palavras finalistas – agente (IA); apagão; eleições; elevador; flotilha; fogos; imigração; moderado: perceção; tarefeiro - metade da equipa do programa escolheu flotilha e perceção, que permitiu convocar Platão.
A outra metade decidiu acrescentar ambulância e tanga. A tanga do SNS; a tanga da culpa dos imigrantes; a tanga do excedente orçamental; a tanga das escolas sem professores; a tanga dos bancos que acumulam lucros e não remuneram os depósitos; a tanga das soluções para a habituação; a tanga do custo de vida; a tanga dos cabos dos elevadores que afinal não servem para transportar pessoas; a tanga de quem diz que se chegar ao poder, resolve todos estes problemas no dia seguinte. Uma TANGA!

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