Novas Crónicas da Idade Mídia
O que se escreve e o que se diz nos jornais, na rádio, na televisão e nas redes sociais. E como se diz. Eduardo Oliveira e Silva, Luís Marinho, Luís Marques e Rui Pêgo são quatro jornalistas com passado, mas sempre presentes, olham para as notícias, das manchetes às mais escondidas, e refletem sobre a informação a que temos direito. Todas as semanas, leem, ouvem, veem… E não podem ignorar. Um programa Renascença para ouvir todos os domingos, às 12h, ou a partir de quinta-feira em podcast.
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​Do que estamos à espera?

Novas Crónicas da Idade Mídia

​Do que estamos à espera?

18 dez, 2025


A greve geral, as declarações menos felizes de membros do Governo, as sondagens e os debates presidenciais e a presença de Israel na Eurovisão são alguns dos temas em comentário nas Novas Crónicas da Idade Mídia.

​Do que estamos à espera?
​Do que estamos à espera?

Os números da greve geral não batem certo. Nunca batem. Para Leitão Amaro praticamente ninguém fez greve (0 a 10%); para os sindicatos foi a maior paralisação de sempre. A cobertura dos Media, designadamente das televisões, foi exaustiva, regra geral equilibrada.
Em frente à AR, meia dúzia de arruaceiros na presença da centena de pessoas que restou da manifestação incendiou caixotes do lixo e arremessaram garrafas. Mesmo percebendo que se tratava de uma arruaça, as televisões mantiveram os "diretos". Neste mercado altamente competitivo, todos sabemos, onde vai um vão todos. Mas talvez seja o momento de começar a apertar o critério editorial. Quem tiver a sensatez de se excluir deste processo de instrumentalização das emissões em direto, pode não ganhar audiências, mas ganhará credibilidade. Do que é que estamos à espera?

Nos últimos dias, a comunicação do Governo tem vivido momentos menos felizes, para dizer o mínimo. Primeiro foi Leitão Amaro com a projeção da adesão à greve; agora o ministro da Educação veio dizer o que não pretendia dizer. Fernando Alexandre, um dos melhores ministros do Governo, informou que as residências universitárias se degradam porque são frequentadas apenas por bolseiros, o que não aconteceria se albergassem estudantes de proveniências financeiramente mais nutridas. Levantou-se um clamor nacional, uma berrata monumental, porque o ministro não gosta de pobres. Do que o ministro disse, pode concluir-se com seriedade que ele não gosta de pobres? Não, claro que não. O que o titular quis dizer com o que disse, veio explicar mais tarde, é que instalações e equipamentos teriam uma manutenção mais cuidada se fossem transversais à origem dos estudantes. Se as residências continuarem, como querem os Reitores, só para bolseiros, podem deixar-se degradar? Nem na emenda, o gabinete do ministro acertou.

A sondagem da Universidade Católica para o RTP/A1/Público dá Ventura em primeiro lugar (22%), à frente de Marques Mendes (20%), Gouveia e Melo (18%), Seguro (16%) e Cotrim de Figueiredo (14%). Marques Mendes vence qualquer adversário na segunda volta; Ventura é derrotado por todos.

O debate da RTP (segunda, 15) confirmou a perda de gás do Almirante? Embora com alguma evolução, percebe-se que Gouveia e Melo, homem de águas profundas, navega com dificuldade no mar encapelado do confronto de ideias. “Vêm aí tempos difíceis”, diz o candidato “das duas pernas”. Ventura, o seu oponente da RTP, foi estranhamente macio, para dizer o mínimo.
Perder para o Almirante, na segunda volta, é politicamente menos grave para o chefe do Chega do que ser derrotado por Mendes, Seguro ou Cotrim de Figueiredo? Parece uma evidência. De resto, a campanha desencadeada contra o candidato Marques Mendes parece generalizar o temor, aparentemente induzido pelas sondagens mais recentes, de que o social-democrata, uma vez na segunda volta, terá fortíssimas possibilidades de vencer a eleição.

A UER/EBU confirmou a presença de Israel no Festival da Eurovisão. Na sequência da decisão, Espanha, Irlanda, Países Baixos e Islândia anunciaram a sua ausência no certame. Alguns concorrentes recusam-se a representar a RTP no concurso internacional, caso vençam a competição doméstica. Quem concorre ao Festival da Canção sabe que, em caso de vitória, compete-lhe representar a RTP na Eurovisão. Como é que a televisão pública vai gerir as recusas? É simples, evitando-as.

O Benfica lançou a rádio oficial do clube quinta-feira passada, 11, às 19:04, horário que reproduz o ano da fundação da coletividade. Com uma equipa de mais de 20 pessoas, a rádio é ainda só digital. No FM - com frequências já contratadas - vai ter de esperar pela autorização. O FC Porto, passa a ter um canal de televisão próprio, o ex-Porto Canal. O Dragão que vivia só cauda de fora, apresenta-se agora de corpo inteiro. E já tem aprovação do Regulador. Perceberam-se as razões e os objetivos do arranque do canal Conta Lá nas autárquicas. Não se percebeu porque é que saiu do ar. Regressa agora. Os diretores de jornais escreveram ao Governo por causa da distribuição. É um facto inédito que demonstra união e comunhão de objetivos, sem dissidências sobre a importância do que está em causa. Talvez a carta pudesse ter apresentado algumas propostas de solução para o problema. A associação de municípios apelou também ao executivo para impedir a paragem da distribuição. Será que o governo, à semelhança do PGR, também prepara um “presente de Natal”?

Em suplemento ao programa, nos Grandes Enigmas, o que motivou o assassínio do cientista português do MIT? A morte de Ted Reiner e o desrespeito de Trump com o defunto, e a má criação com os jornalistas. Até quando teremos de suportar os desaforos do presidente norte-americano? Num vídeo que rola por aí, percebe-se que a IA não sabe línguas. A AI quando utiliza uma língua, não consegue reproduzir palavras noutro idioma? Um colaborador próximo de Embaló, o ex-presidente da Guiné-Bissau, foi apanhado em Lisboa, a bordo de um jato privado, com 5 milhões de euros em notas. De onde veio o dinheiro? Os portugueses da flotilha já reembolsaram as despesas da repatriação?
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