Novas Crónicas da Idade Mídia
O que se escreve e o que se diz nos jornais, na rádio, na televisão e nas redes sociais. E como se diz. Eduardo Oliveira e Silva, Luís Marinho, Luís Marques e Rui Pêgo são quatro jornalistas com passado, mas sempre presentes, olham para as notícias, das manchetes às mais escondidas, e refletem sobre a informação a que temos direito. Todas as semanas, leem, ouvem, veem… E não podem ignorar. Um programa Renascença para ouvir todos os domingos, às 12h, ou a partir de quinta-feira em podcast.
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​O “pontapé” e o “triângulo”

Novas Crónicas da Idade Mídia

​O “pontapé” e o “triângulo”

02 abr, 2026 • Eduardo Oliveira e Silva, Luís Marinho, Luís Marques e Rui Pêgo


O "triângulo amoroso" que fez crescer as audiências da TVI, os protestos dos trabalhadores da RTP, a presunção de inocência devida ao realizador Ico Costa, os recados de Cavaco Silva e o segundo aniversário do governo de Luís Montenegro estão em debate, esta semana, nas Novas Crónicas da Idade Mídia.

A TVI pode retomar a liderança das audiências de televisão este mês de março, por escassas décimas. O caso que incendiou as redes sociais fez disparar a audiência de “A Casa dos Segredos” para números que não se viam há muito tempo, o que terá concorrido em grande medida para o resultado do canal generalista da Media Capital. Depois do “pontapé do Marco” que impôs o Big Brother no ano 2000, agora foi um “triângulo amoroso” a desencadear o fenómeno. Aparentemente, o país não mudou de forma significativa.

Veja o vídeo:


A RTP estreou o novo desenho gráfico da marca, como prometido. Como é conhecido, os Conselhos de Redação da rádio e televisão públicas discordaram da solução que existe na prática há mais de 20 anos. Agora os trabalhadores da RTP decidiram em plenário avançar para uma greve ao trabalho suplementar face à proposta de aumentos salariais da Administração. E decidiram retirar a confiança ao órgão de gestão da empresa. Os Sindicatos terão voltado a falar esta semana com o Conselho de Administração, uma entidade à qual retiraram a confiança. Mas se não reconhecem o CA, falam com quem?

A Media Livre tem vindo a celebrar os aniversários do CM (47 anos) e da CMTV (13 anos) com uma campanha no seu principal jornal diário. O texto do anúncio que abriu a campanha - “nem sempre aparecemos com o cabelo impecável…” [sobre uma foto da repórter Tânia Laranjo, com os cabelos ao vento] ”…porque estar onde a notícia acontece, não pede estilo, pede coragem”, é um achado. Chapeau!

Ico Costa é inocente. O realizador foi retirado do Festival pela direção do Indie Lisboa (2005), depois de uma acusação de agressões a seis mulheres. Ficamos a saber agora, após um combate judicial de Ico Costa pela sua inocência, que a “denúncia anónima” foi de um homem. Não se confirmam, portanto, as agressões.

Nem a direção do Indie Lisboa, nem quem divulgou a falsidade pediram desculpa ao homem. Muito menos ao profissional que viu a sua vida cancelada. Quem é que repara o estrago?

Neste nosso tempo em que a presunção de inocência é trucidada todos os dias nas redes sociais, é imperativo que os Media tradicionais apertem as malhas do escrutínio editorial e defendam à outrance a bom nome e a honra dos cidadãos. O bom senso exige contenção.

Cavaco Silva reapareceu no Expresso a semana passada (27 de março) para responder a Passos Coelho. As reformas do Estado não se fazem à direita, com o Chega, explica o antigo Presidente. Fazem-se com o PS, com a colaboração ativa de Seguro. Ficamos também a saber, o que não é novo em Cavaco, que a culpa do estado do país é da Comunicação Social, que alinha permanentemente com o Portugal negativo que impede o desenvolvimento do país.

O segundo aniversário do governo de Montenegro celebra o segundo maior superávit da democracia (0,7%). A dívida pública voltou a descer. As oposições não atribuem grande valor à proeza. O primeiro-ministro segue com firmeza dinâmica. E acaba de fazer aprovar a nova Lei da Nacionalidade com o apoio do Chega. O que dirá Cavaco?
Portugal tem o maior número de violações da década, mas a criminalidade violenta diminuiu, informa o RASI. É o sexto país mais seguro do Mundo. O chefe do Governo diz que está tudo bem. Convém não desvalorizar a pequena criminalidade que produz uma inquietante sensação de insegurança.

A reunião socialista no congresso de Viseu, para lá das cadeiras vazias, regista uma entrada de leão de José Luís Carneiro: “se Montenegro armar ventos, vai colher tempestades”. Que tempestades? Santos Silva será o coordenador-geral da reflexão sobre o país que o PS deseja em 2050. As tempestades a que se referia Carneiro, são deste tipo? Ou mais do tipo Caracas, onde o líder socialista foi apresentado como secretário-geral do PCP?

Maria Flor Pedroso é distinguida esta semana com o Prémio Mário Mesquita, instituído pela SPA, que consagra a carreira e a qualidade do trabalho da jornalista. O jornalismo e a rádio ganham um novo alento.

Em suplemento ao programa, nos Grandes Enigmas, qual o resultado da reflexão do PS, coordenada por Santos Silva, para Portugal em 2050?
Nos jogos da NBA são sempre os jogadores da mesma equipa que se socorrem entre si. As regras da competição não permitem ajudar os adversários?
Pedro Delille, o advogado que renunciou à defesa de Sócrates na Operação Marquês, vai defendê-lo noutro processo. A Ordem dos Advogados não tem nada para dizer? O contrato de utilização da base das Lajes prevê a frequência de drones?

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