Novas Crónicas da Idade Mídia
O que se escreve e o que se diz nos jornais, na rádio, na televisão e nas redes sociais. E como se diz. Eduardo Oliveira e Silva, Luís Marinho, Luís Marques e Rui Pêgo são quatro jornalistas com passado, mas sempre presentes, olham para as notícias, das manchetes às mais escondidas, e refletem sobre a informação a que temos direito. Todas as semanas, leem, ouvem, veem… E não podem ignorar. Um programa Renascença para ouvir todos os domingos, às 12h, ou a partir de quinta-feira em podcast.
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​A Carochinha e o João Ratão

Novas Crónicas da Idade Mídia

​A Carochinha e o João Ratão

14 mai, 2026 • Eduardo Oliveira e Silva, Luís Marinho, Luís Marques e Rui Pêgo


Montenegro na Alemanha, Alexandra Leitão num automóvel da RTP e uma greve na LUSA são alguns dos temas debatidos em mais uma edição das Novas Crónicas da Idade Mídia.

A SIC voltou a ganhar abril. Venceu outra vez a TVI, no apuramento consolidado dos valores de audiência registados, começando a desenhar para o primeiro semestre do ano uma vantagem, embora escassa, sobre a estação de Queluz.

Francisco Pedro Balsemão fez 10 anos como CEO da Impresa. Negociou o acordo com um parceiro estratégico internacional, a Media for Europe (MFE), da família Berlusconi, passando a integrar a dimensão pan-europeia do grupo italiano. O acordo foi uma boa notícia para a proprietária da SIC e do Expresso e para o mercado português de Media. Em entrevista, publicada na revista do Expresso, Francisco Pedro reafirma a intenção da família Balsemão manter as posições que detém no Grupo, embora o acordo parassocial para os próximos três anos, deixe tudo em aberto. Mas como todos sabemos, o futuro a Deus pertence.

A Carochinha e o João Ratão
A Carochinha e o João Ratão

“A desinformação da TVI que André Ventura gosta” é o título do texto de Bárbara Reis, (Público, sábado, 9) em que a jornalista aborda a questão da segurança na relação, nem sempre clara, entre a imagem percepcionada e o rigor da estatística. Todos sabemos que quando se torturam os números, eles dizem o que queremos. Não é o caso. A evolução da criminalidade desmente a ideia de aumento da insegurança. Mas o problema é que esse sentimento existe.

A semana foi tomada por uma polémica, mais uma, envolvendo a RTP. Desta vez tratou-se de uma peça sobre a inflação que terminava com declarações recolhidas no Mercado de Benfica sobre o aumento do custo de vida: “os que estão no Governo, é tudo para o saco deles e os pobres cada vez mais pobres”. O desabafo é puro populismo. E dá para tudo. Juntar vox-pop a uma matéria complexa como a inflação é um erro.
A peça foi exibida no Telejornal (30.abril) e retransmitida, expurgada da “habilidade” populista, na RTPN. O pecado original não está no corte produzido, mas na ausência de coordenação que permitiu exibir uma matéria complexa tratada daquela maneira. Quem ordenou o corte? Interessa pouco. A jornalista deveria ter sido previamente avisada? Devia. Detectado o erro, a peça não deveria ter sido retransmitida.

Alexandra Leitão foi transportada num automóvel da RTP para participar num debate nos estúdios do Porto (Grande Debate, 29.abril). Durante a viagem, a ex-ministra participou online numa reunião da CML, onde é vereadora. PSD e Chega querem explicações da Administração da empresa. Para quê? Para exigirem saber quem é que a RTP transporta e o que fazem com os seus telemóveis, com quem falam, em que reuniões participam? O caso vale toda esta berraria? Não, vale nada.

O que justificaria uma berrata das antigas é a pulsão cada vez mais evidente de enxamear o Conselho de Opinião de deputados. O que deveria ser um colégio de representantes da sociedade, começa a ser mais um braço do poder político. O que deveria ser um grupo de personalidades habilitado a acompanhar a atividade da empresa e um fórum de reflexão sobre o caminho e a estratégia do SPM começa a transformar-se num diretório político. O desígnio de uma rádio e televisão da sociedade acaba por confinar-se, outra vez, à ideia acanhada da rádio e televisão do Estado.

Os trabalhadores da Lusa prometem uma greve para a próxima quarta-feira (20), em defesa da “independência” da agência. O escrutínio, embora disparatado, a que a DI da empresa está sujeita com o novo regime de governance pode ser confundido com interferência? A independência da agência está em causa?

Uma sondagem encomendada e publicada pela Folha Nacional, órgão do Chega, teve eco em vários órgãos de comunicação social. O trabalho é da Aximage. Dá o Chega a uma décima do PSD. Será sensato dar publicidade a estudos encomendados pelos partidos políticos? A esta distância das próximas eleições, talvez não fosse pior começar a pensar em rever a Lei eleitoral, reavaliar a situação das Comissão Nacional de Eleições e a sua própria existência. E, de caminho, o verdadeiro absurdo que constitui, neste nosso tempo, o dia reflexão.

O primeiro-ministro falou para 80% do PIB alemão e ninguém ligou nenhuma. Rangel zangou-se com as televisões porque não abriram os telejornais com o evento.
Montenegro foi a uma reunião de jovens social-democratas fazer de Kalimero. Tem razão o Governo. Falar para 80% do PIB alemão merecia mais destaque. Talvez até com o Hino Nacional a ilustrar as peças. O ideal teria sido abrir os telejornais na Alemanha. Mas isso…

Em suplemento ao programa, nos Grandes Enigmas, quanto custam as celebrações portistas da vitória no campeonato?
A multa (10.200 euros) por ter escondido as bolas no final do jogo com o Sporting foi barata.
Em que século vive o PCP?
Qual o acontecimento da agenda do primeiro-ministro que o levou a faltar à Cimeira da Comunidade Política Europeia?
Passos Coelho voltou a aparecer para dizer que está “farto de histórias da carochinha”. Ele acha mesmo que o João Ratão vai ser cozido e assado no caldeirão?

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