Novas Crónicas da Idade Mídia
O que se escreve e o que se diz nos jornais, na rádio, na televisão e nas redes sociais. E como se diz. Eduardo Oliveira e Silva, Luís Marinho, Luís Marques e Rui Pêgo são quatro jornalistas com passado, mas sempre presentes, olham para as notícias, das manchetes às mais escondidas, e refletem sobre a informação a que temos direito. Todas as semanas, leem, ouvem, veem… E não podem ignorar. Um programa Renascença para ouvir todos os domingos, às 12h, ou a partir de quinta-feira em podcast.
A+ / A-
Arquivo
​Uma coisa das Américas

Novas Crónicas da Idade Mídia

​Uma coisa das Américas

11 jun, 2026


O Mundial ainda não começou e já há muito a dizer sobre a edição de 2026 da competição futebolística. Com uma lista de atropelos e episódios insólitos interminável, o silêncio da FIFA tornou-se ensurdecedor. Mas nem só de futebol se fala nestas Novas Crónicas. A encíclica “Magnifica Humanitas”de Leão XIV e a violência no dia da greve geral também estiveram em destaque.

O Mundial começa esta quinta-feira, 11.

Omar Artan, o árbitro somali, que vive na Turquia, foi barrado em Miami e devolvido à procedência, embora viajasse com passaporte diplomático; o Irão mudou-se para Tijuana, apesar de jogar em LA e Seatle; os bilhetes dos adeptos iranianos foram cancelados; as revistas abusivas às equipas, visaram particularmente Haiti, Costa do Marfim e Senegal; Embalo, jogador suíço nascido nos Camarões, viu o visto recusado num primeiro momento; adeptos de uma lista de 50 países têm de depositar uma caução de 13.000 euros para poderem assistir aos jogos do torneio.

A lista de atropelos e episódios insólitos é interminável. O silêncio da FIFA é ensurdecedor. A seleção portuguesa viaja esta sexta-feira, 12. 5 dias antes do jogo de estreia. Esperemos que as autoridades americanas não inventem nada contra Nuno Mendes, Matheus Nunes, Nélson Semedo…ou Cristiano Ronaldo. “Ou Tuga ou nada”!

​Uma coisa das Américas
​Uma coisa das Américas - Veja as Novas Crónicas da Idade Mídia

5,5 milhões é quanto valem 20 jogos em sinal aberto, incluindo os da seleção portuguesa. Em média 275.000 euros por jogo. Longe, portanto, dos quatrocentos e muitos mil que a FIFA pretendia. Estamos perante a última vez em teremos jogos de grandes torneios de futebol em sinal aberto?

O Benfica não queria o treinador e fingiu que queria, apresentando uma proposta para lá de qualquer racionalidade. Mourinho queria, mas percebeu que o Benfica não queria. E preparava-se para ser chamado à seleção, depois do Mundial. E, de repente, apareceu o Real. Uma maçada!
Rui Costa falou para explicar o que toda a gente sabe. Marco Silva deverá ser apresentado (6ªfeira, 12) na véspera de Santo António. A novela transformou-se numa série.

O modelo da centralização dos direitos audiovisuais do futebol e a chave de repartição da receita foram aprovados por esmagadora maioria pela Assembleia-Geral da Liga de Clubes. A projeção dos proventos para a época de 2028/2029, data da entrada em vigor da centralização, é de 225 milhões. A parte de leão do bolo é dominada pela distribuição igualitária (20%) e pelos resultados desportivos (57,5). O Benfica votou contra, como se esperava. Os presidentes dos três maiores clubes não participaram na reunião.

A nova decisão judicial sobre a Trust in News determina que Luís Delgado e os seus colegas de administração fiquem inibidos de gerir empresas durante 6 anos; percam direitos sobre créditos que tenham na empresa; e considera-os solidários no pagamento de 23 milhões a credores. O Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Oeste julgou culposa a insolvência da Trust in News, o que contradiz a anterior decisão judicial que homologou o plano de insolvência, dando razão a Luís Delgado. Um embrulho sem tamanho que deixa, mais uma vez, a viabilização da revista Visão comprometida.

A Anthropic pediu uma pausa no desenvolvimento da IA. 110 cientistas já o tinham feito em março de 2023. No final do ano passado (novembro), 100.000 trabalhadores desta indústria assinaram um documento com o mesmo objetivo: parar para pensar. A Anthropic quer falar com decisores políticos, parceiros, cientistas e sociedade civil. Será possível? Não, parar a IA é como parar o vento com as mãos.

Leão XIV, na nova Encíclica “Magnifica Humanitas”, é decisivo: é preciso desarmar a IA. O Papa não fala em parar a IA, mas colocar as pessoas no centro de todos os processos sociais e resgatar a humanidade que deve presidir às relações entre os povos e os Estados. Depois de Francisco, poucos davam alguma coisa pelo cardeal norte-americano. Agora clamam para que assuma a liderança moral que os líderes políticos ocidentais não conseguem.

Mais uma vez, violência a seguir ao final da manifestação de encerramento de uma greve. Meia dúzia de pessoas a agredirem a polícia. Mais uma vez, as televisões mostraram a arruaça. Trata-se de atos promovidos por desordeiros que visam apenas a exibição pública. Não têm significado social nem político. E do ponto de vista cívico, são negativos. Vale a pena mostrar?

No polo oposto, a TVI substitui-se à polícia e fez o que a PSP não tinha conseguido: identificou o condutor que entrou em contramão na Marginal de Cascais. Valeu a pena ouvir o cidadão explicar que o objetivo da iniciativa foi “chamar a atenção”.

A Prestação Social Única (PSU) está a criar um tumulto político. Faz sentido integrar as contribuições sociais, centralizar a sua execução, moralizar a sua atribuição, fiscalizar quem a recebe. Faz todo o sentido combater os abusos. As virtualidades da proposta dispensam excessos: castigar quem é portador de deficiência, sofre de doença crónica incapacitante ou, regra insólita, tem um carro, uma moto ou 16 mil euros no Banco. É assim tão difícil produzir legislação equilibrada que responda às necessidades de regulação da sociedade?

Em suplemento ao programa, nos Grandes Enigmas, porque é que um dirigente partidário de esquerda não pode usar um polo Gant?
A lista de episódios nas fronteiras dos EUA com jogadores, dirigentes e adeptos é, no mínimo, insólita. Para o que serve a FIFA?
A ausência de autores portugueses no Literarte, Festival Literário de Fernando Noronha, é gritante. O que fazem o MNE, o MC e o Instituto Camões?

O Sindicato dos Jornalistas propõe-se alargar o seu âmbito e passar a integrar outras profissões ligadas à atividade. E resolver uma questão de género: Sindicato DE jornalistas. Nada a opor. Mas não há nada mais importante do que a questão de género?

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.