Olhá Bola, Maria
Raquel Sampaio e o trabalho de uma agente no mercado de verão. "Quase não consigo dormir"
19 jun, 2026 • Inês Braga Sampaio
A agente FIFA é fundadora da Teammate Football Management, que atua no futebol feminino. Em entrevista ao "Olhá Bola, Maria", Raquel Sampaio fala da azáfama da janela de transferências, a evolução do futebol feminino português e o futuro de alguns dos seus agenciados.
O sono vem com dificuldade para a agente FIFA Raquel Sampaio, em vésperas do mercado de transferências de verão.
"Eu quase que não consigo dormir pelo stress. Ainda ontem estava a comentar que, num dia, tinha 50 chamadas feitas e dez reuniões realizadas. Então, imaginem isto todos os dias, às vezes até mais", conta a empresária, em entrevista ao "Olhá Bola, Maria", o podcast de futebol feminino da Renascença.
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Raquel Sampaio é fundadora da agência Teammate Football Management, que atua no futebol feminino. Foi uma missão abraçada há cerca de cinco anos.
"A minha missão era tornar as coisas mais profissionais no campo do agenciamento", explica.
Agora, tem em carteira estrelas como Lúcia Alves, Iara Lobo e Inês Pereira, além de treinadores como Mariana Cabral e Gonçalo Nunes.
Para a agente, o mais importante é que as jogadoras e treinadores tenham em conta, na escolha de novos projetos, "não só a parte económica, mas a proposta a nível 360".
Crescimento do futebol feminino
Raquel Sampaio valoriza a forma como o futebol feminino cresceu nos últimos cinco anos e dá o exemplo da utilização dos dados na prospeção de jogadoras, em especial nos grandes campeonatos.
Em Portugal, há várias realidades diferentes. Há um Benfica que "faz um investimento não só para ganhar as competições internas, mas também para conquistar um espaço europeu". O Sporting e o Braga, que também têm estruturas profissionais.
O FC Porto, "que está a fazer o seu percurso e o que tem feito dentro e fora de campo é realmente muito importante, não só na valorização do futebol feminino português, mas também na desvalorização das suas, das suas jogadoras".
E os restantes clubes, que "têm muitas dificuldades, não só a nível económico" e com vários plantéis que "não são totalmente profissionais".
"Para nós conseguirmos dar as mesmas condições a todas as jogadoras, para que todas partam do mesmo pé de igualdade tem que existir aqui, sem dúvida nenhuma — e vimos falando disto há muitos anos, mas ainda não aconteceu — a profissionalização da nossa Liga", salienta Raquel Sampaio.
"Temos de acelerar a profissionalização"
O plano estratégico da Federação Portuguesa de Futebol define a profissionalização como objetivo até 2030. No entanto, a agente teme que isso já seja demasiado tarde: "Podemos ficar para trás uns oito ou dez anos relativamente às principais ligas europeias, que já deram todas esse passo."
"Temos de tentar acelerar a profissionalização, para existir menos desigualdade fora de campo, dentro de campo, a nível de condições, a nível de salário, a nível de protecção das jogadoras, que também é muito importante para que o nosso futebol feminino em Portugal possa ser mais atrativo. E para uma coisa muito importante, que acho que estamos a começar a perder: reter o nosso talento", sustenta.
Ouça e veja na íntegra a entrevista à agente FIFA Raquel Sampaio, disponível nas plataformas habituais de podcast, no YouTube e no site da Renascença. Há um novo episódio do "Olhá Bola, Maria" à terceira sexta-feira de cada mês.







