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Estudar, trabalhar e viver a fé. Como funciona o novo centro de jovens na Basílica da Estrela?
Fomos conhecer o novo centro de jovens na Basílica da Estrela. Reportagem de João Maldonado

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Estudar, trabalhar e viver a fé. Como funciona o novo centro de jovens na Basílica da Estrela?

17 mar, 2026 • João Maldonado


Antigo convento carmelita no tempo de D. Maria II é agora “uma casa” dedicada ao acompanhamento e formação de jovens. Aberto todos os dias, das 10h00 às 00h00, não é preciso inscrição para poder estudar ou trabalhar no "12". O Centro de Jovens do Sagrado Coração de Jesus "surge como uma aposta do senhor patriarca", explica o padre Miguel Teixeira Duarte, um dos responsáveis pelo projeto.

“Centro de jovens” talvez seja redutor para descrever o “12”, tal a panóplia de atividades que propõe e tem em mente propor. Mas é o nome oficial – Centro de Jovens do Sagrado Coração de Jesus – que dá mote ao projeto sediado na Basílica da Estrela, em Lisboa.

“É um sítio muito grande, cheio de salas e nunca teve muita presença jovem. É no centro de Lisboa, com muitas escolas ao pé, mas acabava por não ter muitos jovens cá, não se faziam muitas atividades, não se aproveitava o espaço, porque, de facto, tem bastantes salas”, explica, de sorriso rasgado, Maria Ana Mendes Silva, que aos 21 anos divide um estágio numa agência de comunicação com a responsabilidade de liderar o centro com nome de número cardinal – um “nome peculiar”, como descreve.

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São 17 jovens, entre os 18 e os 24 anos, na equipa que tudo organiza. Distribuídos por pelouros tão diversos como "missas e adorações", "cursos"; "atividades noturnas (onde se incluem quizzes)", "comunicação" ou "tesouraria".

“Escolhemos este nome, 12, em primeiro lugar porque é o número da porta por onde se entra aqui no centro. Depois por diversos significados bíblicos. Os 12 apóstolos, as 12 tribos de Israel”. O local está disponível todos os dias, com fim-de-semana incluído. As portas abrem-se pelas 10h00 da manhã e encerram pela meia-noite. Não é necessário inscrições nem avisos. Basta aparecer. “Podem sempre vir cá estudar, ter reuniões”, resume “Nana”, como é por estes lados tratada, alertando também para a existência de internet que pode ser usada gratuitamente.

Há adorações uma vez por mês, com um tema associado, entre as 21h00 e as 23h00. “A adoração que me tocou mais foi uma em que falámos sobre as amizades, qual é a verdadeira importância das amizades, como vivê-las”, aponta a responsável, indicando também as conferências que são organizadas: a última refletindo a partir do mote “para que serve a tua vida” e com a presença de um casal, de um jovem trabalhador e de um padre convidado. Nesta última, estimativas da organização, estiveram cerca de 150 pessoas.

“Temos também grupos de formação em que a ideia é ser um grupo de amigos que se junta para ouvir, de duas em duas semanas, um orador a falar-lhes sobre um tema mais focado na formação de jovens”. Catequeses em que participam, habitualmente, entre oito e 10 pessoas e grupos que se vão formando muito na base do tão português passa-palavra. Sendo aberto a todos, “diria que o grande nicho que cá vem são universitários”, explica Maria Ana Mendes Silva nesta entrevista que decorre numa espécie de sala-de-estar com o objetivo de ser uma mescla entre sala de convívio e copa (porque aqui também se pode almoçar e jantar com o auxílio de um micro-ondas).

O 12 surge como uma aposta do senhor patriarca, porque a partir do momento que, parece-me, viu que isto era uma opção, uma possibilidade real e até fácil de executar, desde a primeira hora apoiou. Vemos que o ambiente juvenil em Lisboa está a ter um grande aumento, a dar-nos oportunidades de trabalho pastoral com os jovens e, por isso, pareceu oportuno, com as condições todas que a Estrela tem, começar aqui um centro de jovens”. A explicação é do padre Miguel Teixeira Duarte, vigário paroquial na Paróquia da Lapa, colocado na Estrela no ano passado “já nesse sentido de criar este espaço, de vir apoiar o padre Duarte [da Cunha, o pároco na Basílica]”.

Mais do que um centro de estudos ou de formação isoladamente pensados, o 12 “é uma casa”. Aliás, relata, “às vezes alguns dizem, ó padre Miguel, em algumas salas há algum barulho”, mas “é o normal de uma casa, porque o principal, ou o ponto de partida para o 12 é que os jovens possam experimentar a Igreja também como uma casa que eles podem habitar”.

Como em todas as casas “é um sítio onde podem estudar e trabalhar”, já que “é um ponto importante para nós que eles assumam a sua vocação de estudantes já hoje com seriedade”, mas também “é um sítio de vivência da fé, através dos sacramentos, um sítio de amizade, em que possam encontrar amigos que façam este caminho da fé com eles, um sítio de encontro com a Igreja, porque há muitos que vêm e não conhecem Jesus”.

Estando a estudar ou a trabalhar ou simplesmente a conviver numa das salas ou corredores disponíveis, o sacerdote responsável pelo projeto explica que os jovens que entram pelo "12" adentro conquistam a possibilidade de acompanhamento espiritual em comunidade e personalizado, através de “convites para participar nas atividades” e de “conversas sobre a sua relação com Deus e sobre a sua vida de oração”, passando naturalmente por pedidos para confissões com ou sem hora marcada.

Toda a comunicação é feita à base do Instagram do centro e de um site (onde são recolhidas inscrições, por exemplo, para retiros de Quaresma, cursos de namorados ou de crisma).

Inaugurado em novembro, o espaço, agora mais inundado por juventude, é “originalmente um convento de irmãs carmelitas”, integradas num projeto de D. Maria II, “numa Basílica dedicada ao Sagrado Coração de Jesus”. Com o decorrer da história “este espaço acabou por ficar para o Estado e depois foi sendo cedido à paróquia”. Ultimamente era “usado por uma fundação, que deixou de o usar” e abriu-se a oportunidade. É que o local onde tudo acontece ainda há parcos meses “estava vazio”. “Era um sonho que agora se está a tornar realidade”, resume o padre Miguel Teixeira Duarte.

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