Violência no namoro
Catarina Furtado: "A desinformação está a dar cabo das cabeças e dos corações"
16 mar, 2026 • Liliana Monteiro
Ao podcast Romper o Silêncio, da Renascença e da Associação Portuguesa de Mulheres Juristas, a apresentadora fala numa juventude menos preparada para a adversidade, que “anda a uma velocidade maior que o controlo parental”. Juíza desembargadora Maria Perquilhas considera que alguns rapazes esquecem desde muito novos o princípio do respeito pelo outro.
"A desinformação está a dar cabo das cabeças e dos corações" e há hoje uma juventude “menos preparada para as adversidades”, afirma Catarina Furtado no podcast Romper o Silêncio, da Renascença e da Associação Portuguesa de Mulheres Juristas, que neste segundo episódio fala sobre violência no namoro.
“É tudo mais rápido, querem um hambúrguer carregam na plataforma e ele aparece. Tudo o que querem conseguem com um telemóvel e isso faz com que sejam imaturos para lidar com as adversidades. Estão menos bem preparados para a vida”, considera a apresentadora e fundadora da associação Corações com Coroa.
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Catarina Furtado vê atualmente jovens “muitas vezes mais educados pelo telemóvel e pelas redes do que pelo professor, pelo pai e mãe".
"Esse facilitismo cria ilusão que a vida vai ser assim, eu quero eu tenho e quando há um não há frustração”, afirma a apresentadora, que está preocupada com a saúde mental, ataques de pânico, ansiedade e depressão juvenil muito ligados à frustração. Situações que, diz, “vemos muito na associação” Corações com Coroa.
A maioria das situações de violência no namoro acontece num sítio onde não havia razões para que ninguém se sentisse diminuído em relação ao outro, que é na escola
A maioria das situações surge logo na escola com relações abusivas e tóxicas, diz a juíza desembargadora Maria Perquilhas, no podcast Romper o Silêncio, explicando que alguns rapazes esquecem desde muito novos o princípio do respeito pelo outro.
“A maioria das situações de violência no namoro acontece num sítio onde não havia razões para que ninguém se sentisse diminuído em relação ao outro, que é na escola. A grande preocupação são raparigas que começam a namorar e entram em relações abusivas e tóxicas. Como é que um rapaz com 13,14 anos já se esqueceu de um princípio tão básico como é o do respeito pelo outro ser humano?”, questiona.
Acrescenta que “muitas vezes elas não veem maldade na atuação do parceiro, o ciúme começa muitas vezes pelo que vestem e pelo controlo do telemóvel e elas procuram a própria explicação para o comportamento do namorado que veem como amor e não como ciúme que é inimigo do amor, é controlador e limitador”.
Jovens “a uma velocidade maior que o controlo parental”
Neste segundo episódio do podcast Romper o Silêncio, aborda-se ainda o papel dos pais. Catarina Furtado dá como exemplo o esforço que trava para tentar acompanhar os filhos que fazem parte de uma juventude que “anda a uma velocidade maior que o controlo parental”.
Romper o Silêncio
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No primeiro episódio do podcast Romper o Silêncio,(...)
“Tento o mais possível desmistificar a desinformação. Eu tenho de fazer isto e ser a polícia porque eles não o conseguem ser. A maioria dos pais que saem as sete e entram as dez da noite, não conseguem. A desinformação é um mal terrível e está a dar cabo das cabeças e dos corações e estamos a falar de emoções, estamos sempre a falar de emoções.”
Catarina Furtado acredita que o caminho passa por aumentar o diálogo. “As pessoas não nascem más, tornam-se más, não nascem egoístas tornam-se egoístas, racistas. Uma vez plantada a semente é mais difícil, mas é não desistir de acolher. Eu não gosto de racistas, mas vou conversar com eles, de onde é que isso vem, porquê? Tem de se conversar mais e temos de ter consciência do que queremos para o nosso país e o nosso mundo”.
Este é um fenómeno que atinge os mais novos e também adultos. Maria Perquilhas alerta para um problema que é preciso melhorar quando os casos chegam a tribunal.
“Em algumas situações é visível a desvalorização da situação como incompreensão face à não reação da vítima. Exige-se que justifique porque razão se deixa ficar na relação e isto não se deve fazer. Num julgamento deve procurar-se perceber e apurar o comportamento do arguido e porque é que ele agiu assim”, defende a juíza desembargadora.
Romper o Silêncio é um podcast onde se fala de violência doméstica em todas as suas variáveis. Uma parceira da Renascença com a Associação Portuguesa de Mulheres Juristas.
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