São Bento à Sexta
Eurico Brilhante Dias: "Ideia de que o país não precisa de Orçamento é errada"
03 jul, 2026 • Tomás Anjinho Chagas
Líder parlamentar do PS não antecipa sentido de voto dos socialistas, mas assume que é importante para o país ter OE aprovado. Brilhante Dias lamenta problemas na correção dos exames e compara o ministro da Educação ao Marquês de Pombal, ironizando: "Fez o terramoto e agora quer reconstruir".
Eurico Brilhante Dias rejeita entrar numa "novela de verão" sobre a forma como o PS vai votar o Orçamento do Estado (OE2027), remete para o outono, mas admite que é importante para o país ter o OE aprovado para o próximo ano.
Em declarações durante o São Bento à Sexta, programa de política semanal da Renascença, o líder parlamentar do PS evitou comprometer-se com um sentido de voto, mas rejeitou colocar-se ao lado de Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega, que ao Observador considerou que o país viver em duodécimos "não era uma tragédia".
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"O país deve ter Orçamento. Ouvi um outro líder parlamentar dizer que ficar em duodécimos... eu lamento, mas acho mesmo que a estabilidade do país precisa de renovar orçamentos e a ideia que o país não precisa de OE é errada", afirma Eurico Brilhante Dias.
No entanto, o líder da bancada dos socialistas no Parlamento diz ter "grande dificuldade" em antecipar se o PS vai votar contra, a favor ou abster-se em relação ao próximo ano. O antigo secretário de Estado da Internacionalização garante que olha para os atuais números orçamentais com "elevada preocupação" e critica a falta de execução do OE deste ano.
Eurico Brilhante Dias alerta ainda para a resposta à tempestade Kristin: "As pessoas em Leiria não viram chegar os apoios" e lembra que o PS se disponibilizou no início do ano para "deixar passar" um Orçamento retificativo, para fazer face às despesas abruptas e que foi o Governo que não quis dar esse passo.
"Ministro gosta de se apresentar como Marquês de Pombal, mas foi ele que fez o terramoto"
Sobre os problemas registados na correção dos exames nacionais, que já levaram ao adiamento do arranque da segunda fase, o líder da bancada socialista aponta responsabilidades diretas ao Governo.
Eurico Brilhante Dias acusa o ministro da Educação, Fernando Alexandre, de ter criado dificuldades através das alterações introduzidas na reforma do setor, que classifica como "fusões e confusões", e que deram origem aos constrangimentos agora verificados.
"O ministro da Educação, muitas vezes, gosta de se apresentar como uma espécie de Marquês de Pombal da Educação. O problema é que ele fez o terramoto e a seguir quer reconstruir em cima do terramoto que está a promover no Ministério da Educação", acusa o líder parlamentar do PS.
Exames nacionais
Exames adiados. Quem deve ser responsabilizado? O ministro, para já, não
Ministro Fernando Alexandre dizia, na quarta-feira(...)
Eurico Brilhante Dias critica a estratégia constante de "sacudir a água do capote", referindo-se às declarações de Fernando Alexandre no Parlamento, onde o ministro da Educação defendeu que muitas das queixas relacionadas com este tema eram falsas.
A imigração foi outro dos temas em destaque no São Bento à Sexta. Depois de Sebastião Bugalho, novo porta-voz do PSD, ter anunciado que o PSD quer ouvir antigos governantes socialistas devido ao aumento do número de imigrantes residentes em Portugal, o líder parlamentar do PS mostrou reservas em relação aos números apresentados pelo Governo.
Eurico Brilhante Dias admite mesmo avançar com um pedido para ouvir no Parlamento o presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE), de forma a esclarecer os dados em causa.
Já sobre a reforma do Tribunal de Contas, os socialistas deixam a porta aberta a um entendimento com o executivo, mas o dirigente do PS admite a possibilidade de viabilizar a proposta do Governo, mas faz depender essa decisão de uma maior aproximação entre as duas partes durante o processo negocial.















