A anatomia das 100 internacionalizações de Bernardo Silva, "um dos melhores de sempre da seleção”

24 mar, 2025 - 15:00 • Redação

Em 100 jogos por Portugal, o médio marcou 13 golos e apontou 24 assistências. Falhou o Euro 2016 por lesão, mas foi essencial para a conquista da Liga das Nações, em 2019.

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Para além de festejar o apuramento para a "final four" da Liga das Nações, o internacional português Bernardo Silva teve outro motivo para celebrar a vitória da última noite frente à Dinamarca: o médio atingiu o marco histórico das 100 internacionalizações.

Bernardo, de 30 anos, é apenas o oitavo a ultrapassar a centena de partidas, depois de Cristiano Ronaldo, João Moutinho, Pepe, Figo, Nani, Fernando Couto e Rui Patrício.

Em entrevista à Sport TV no final do encontro, o jogador fala num marco "muito especial poder representar o país 100 vezes, sobretudo terminando com esta qualificação para a 'final four'".

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“Tentei dar ao jogo aquilo que a equipa precisava. Mas estou muito contente, acima de tudo, porque acho que foi uma exibição com muita alma da nossa seleção”, acrescentou, à RTP.

Em 100 jogos com Bernardo, a seleção contabiliza 66 vitórias, 18 empates e 16 derrotas. O médio foi titular em 84 dos jogos e soma 13 golos e 24 assistências.

O ex-Benfica chegou à seleção portuguesa em 2015. O seu primeiro jogo foi contra a seleção de Cabo Verde, num amigável em que Fernando Santos levou muitos jogadores para a estreia por Portugal, incluindo Bernardo.

Portugal acabaria por perder esse jogo, por 2-0. Bernardo Silva foi titular e deu início à sua carreira pela seleção.

Desde então, marcou presença em dois Mundiais (2018 e 2022) e dois Europeus (2020 e 2024). Será Bernardo já uma lenda da seleção nacional? João Ferreira, comentador Bola Branca, refere que o médio brilha com a camisola portuguesa desde o início e pode ser considerado um dos melhores.

“Não só pelo seu atestado de competência, regularidade, qualidade, mas por ser, de facto, um grande jogador de futebol. Um dos melhores portugueses de sempre, porque, se analisarmos o que tem sido o trajeto dele, quer ao nível do clube quer ao nível da seleção, é sempre um jogador com enorme utilização, sempre um dos principais destaques dos grupos em que se insere. Portanto, é de facto um jogador de enorme qualidade e enorme importância.”

O seu primeiro golo ao serviço de Portugal acaba por surgir após o Euro 2016, uma competição que falhou por lesão. Num encontro com Gibraltar, no Estádio do Bessa, Bernardo marcou e ajudou na vitória da seleção por 5-0.

O médio não esteve presente no maior triunfo de Portugal, até ao momento, contudo, João Ferreira defende que a sua conquista com a seleção chegou mais tarde.

“Não está na maior conquista da seleção portuguesa, é inquestionável, mas ganhou uma Liga das Nações, a primeira de sempre. É um título que tem pela seleção. Não tem a dimensão de um Euro nem de um Mundial, mas é um título que também é importante, ainda por cima por ter sido o primeiro ao nível de qualquer seleção”, afirma.

Na primeira edição da Liga das Nações, em 2019, Portugal saiu vencedor e Bernardo Silva foi considerado o melhor jogador do torneio. Na meia-final, contra a Suíça, Portugal ganhou por 3-1 com uma asssistência do médio.

Na final, numa partida que colocou frente a frente Portugal e Países Baixos, o atual jogador do Manchester City foi decisivo. Assistiu Gonçalo Guedes que marcou o golo da vitória para Portugal que conquistou, desta forma, a primeira Liga das Nações.

Em fases finais de Campeonatos da Europa, o médio português soma apenas um golo: na vitória sobre a Turquia, por 3-0, na fase de grupos do Euro 2024.

Ainda assim, em partidas de qualificação para esta competição, o internacional português somou três golos e cinco assistências no apuramento para o Euro 2020, mais três golos e quatro assistências no caminho para o Euro 2024.

Em Mundiais, o jogador participou em nove jogos, quatro no Mundial 2018 e cinco no Mundial 2022. Não marcou, nem assistiu.

As exibições de Bernardo pela seleção nem sempre convencem todos, mas o comentador João Ferreira defende que o médio "é um jogador que se vai adaptando às necessidades da equipa, que está disponível para isso, o que muitas vezes lhe tira reconhecimento, porque falta algum brilho individual, alguns números."

"É um jogador de equipa, claramente, e isso pode tirar-lhe alguma regularidade exibicional", justifica.

Pela seleção, Bernardo já jogou nos dois corredores e também como médio, o que não ajuda a manter a regularidade, segundo o treinador João Ferreira.

"Faz muitas posições e isso acaba por lhe tirar alguma rotina, algum enquadramento e pode levar, às vezes, a alguma falta de rendimento e de brilho na sua exibição, que não fica tão visível para os adeptos, mas que é muito reconhecida pelos seus treinadores. Acho que é um jogador imprescindível para os seus treinadores, embora isso o faça ser incompreendido pelos adeptos”, conclui.

Para além de ter sido homenageado pelo novo presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença, antes do jogo com a Dinamarca, Bernardo pode continuar a celebrar a centena de jogos com um segundo troféu da Liga das Nações.

Portugal defronta a Alemanha na meia-final do torneio no final da temporada, no dia 4 de junho na Allianz Arena, em Munique.

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