Liga das Nações

Ataque "fora de série", defesa tremida. Alemanha recuperou o "espírito vencedor"

25 mar, 2025 - 09:15 • Inês Braga Sampaio , Pedro Castro Alves

O adversário de Portugal nas meias-finais da Liga das Nações marca mais do dobro dos golos que concede, mas também tem mais golos sofridos que jogos.

A+ / A-

Por cada dois golos que marca, a Alemanha sofre outro. Esta conta aproximada (47 golos marcados e 22 sofridos em 21 jogos, se formos exatos) reflete a maior qualidade e o maior defeito do adversário de Portugal nas meias-finais da Liga das Nações: desde que Julian Nagelsmann assumiu o comando técnico, os alemães marcam muitos golos, mas também os sofrem.

Numa análise mais detalhada, vê-se um 5-1 (Escócia, Euro 2024), um 5-0 (Hungria, Liga das Nações) e um 7-0 (Bósnia e Herzegovina, Liga das Nações) no registo da Mannschaft. Já contra o "top-10" do ranking de seleções da FIFA - cujo último lugar a Alemanha ocupa -, os números contam uma história diferente.

Se os alemães ainda não defrontaram a Argentina (1.ª) e a Inglaterra (4.ª), já tiveram oportunidade de medir forças com a França (2.ª), num particular de preparação para o Euro 2024, e venceram por 2-0. Nos quartos de final do Europeu, e a jogar em casa, perderam com a Espanha (3.ª), por 2-1, após prolongamento.

Já segue a Bola Branca no WhatsApp? É só clicar aqui

Sem jogos contra Brasil (5.º) e Portugal (6.º), seguem-se três com os Países Baixos (7.º), para compensar: duas vitórias (uma por 2-1, em amigável, e outra por 1-0, na Liga das Nações) e um empate (1-1, na primeira volta da Liga das Nações, fora de casa). Também não há registo com a Bélgica (8.º).

Diante da Itália (9.ª), nos quartos de final da Liga das Nações, foram visíveis as duas facetas contrastantes desta Alemanha de Nagelsmann. Na primeira mão, em San Siro, deu a volta a um golo madrugador e chegou à vitória, por 2-1. Na segunda, em Dortmund, esteve a vencer por 3-0, mas permitiu a recuperação dos italianos (3-3) e por pouco não permitia o empate na eliminatória. E não permitiu mesmo e, com isso, marcou duelo com Portugal nas meias-finais.

Ainda assim, feitas as contas, o retrato da Alemanha contra o "top-10" da FIFA é de 12 golos marcados e oito sofridos em sete jogos. Ou seja, estatisticamente, marca mais, contudo, também concede mais que um golo por partida.

Carlos Leal foi scout no Wolfsburgo, chief scout no TSV 1860 Munique e diretor desportivo do Arminia Bielefeld, tudo na Alemanha. Conhece o futebol no país e já viu várias gerações da "Mannschaft".

Em declarações a Bola Branca, o português destaca a nova geração de atacantes da Alemanha como uma das suas principais armas.

"Apareceram alguns jogadores que vão determinar o futuro. Jogadores fora de série, como o [Jamal] Musiala e o [Florian] Wirtz", enaltece.

Musiala tem apenas 22 anos, mas apareceu como figura importante do Bayern de Munique na época 2020/21, com tão-só 17 anos de idade. Esta temporada, leva 17 golos e seis assistências pelos bávaros.

Wirtz, de 21 anos (mas de 2003, como Musiala), foi a estrela do Bayer Leverkusen que, na temporada passada, surpreendeu o Bayern e sagrou-se campeão. Esta época, leva números parecidos à anterior: 15 golos e 12 assistências em 39 jogos. Neste momento, está lesionado, mas deve recuperar a tempo de defrontar Portugal no final da época.

Há outro fator em que, no entender de Carlos Leal, a Alemanha "evoluiu bastante" com Julian Nagelsmann como selecionador: "A mentalidade."

"Evoluiu no espírito vencedor, exatamente o ponto mais famoso da seleção alemã, que Nagelsmann voltou a injetar no grupo. E está a funcionar muito bem, como se vê pelos resultados", salienta.

Há muitos nomes que já não inspiram o mesmo temor de várias figuras de outrora. Ainda assim, há alguns que impõem respeito: Nico Schlotterbeck, Jonathan Tah, Leon Goretzka, Leroy Sané e, acima de todos, o central Antonio Rüdiger, do Real Madrid, e Joshua Kimmich, capitão e médio do Bayern.

É uma seleção composta, essencialmente, por jogadores de Bayern, Leverkusen, Estugarda e Borussia de Dortmund. Também há Borussia Monchengladbach, Eintracht Frankfurt, Leipzig, Mainz e Hoffenheim. Na convocatória para os dois jogos com a Itália, só dois jogadores alinhavam fora da Alemanha: o guarda-redes suplente Stefan Ortega, do Manchester City, e o central Yann Bisseck, do Inter de Milão.

Falta um nome sonante, que se juntaria ao pequeno séquito de jogadores extra Bundesliga: o guarda-redes Marc-André ter Stegen, do Barcelona, a quem Nagelsmann já deu um voto de confiança para quando voltar da grave lesão que o riscou durante a maior parte da época: "Será o número um."

Ter Stegen está na reta final da sua recuperação, logo é possível que já possa defrontar Portugal - resta saber em que condições.

O encontro das meias-finais da Liga das Nações está marcado para o dia 4 de junho, uma quarta-feira, às 19h45, na Allianz Arena, em Munique. Toda a "final four" será na Alemanha, o que, admite Carlos Leal, pode conferir aos jogos "um espírito especial, que depois dá uma percentagem extra".

Contudo, o português também lança um desafio à equipa das quinas: "Em relação à qualidade que está disponível para cada um dos grupos, Portugal, encontrando a mistura certa, é que vai decidir como vai ser o resultado final."

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque