Mundial sub-17
Não conseguiu em 1989 mas agora Tulipa espera que "esta história no Mundial tenha final feliz"
24 nov, 2025 - 13:10 • João Filipe Cruz
Em declarações a Bola Branca, o técnico recorda a meia-final em Edimburgo e o golo anulado ao selecionador Bino. Tulipa confia que "vamos passar" o Brasil e partilha o que tem vivido na Arménia.
Campeões da Europa de sub-16 e meia-final do Mundial de sub-17. Podíamos estar a falar da seleção portuguesa que está, por esta altura, a participar no Campeonato do Mundo no Catar, mas se recuarmos 36 anos encontramos o mesmo contexto.
Em maio de 1989, os sub-16 venceram o Euro da categoria na Dinamarca e, exatamente um mês depois, iniciaram a campanha no Mundial de sub-17 na Escócia. O sonho bateu de frente com os escoceses, a jogar em casa, na meia-final. Manuel Tulipa esteve nesse Mundial e, a Bola Branca, puxa a fita do tempo atrás.
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"Esse tipo de momentos dificilmente se esquecem. Lembro-me muitíssimo bem e lembro-me ainda mais da nossa meia-final. Por aquilo que fizemos, poderíamos perfeitamente ter estado na final e possivelmente discutir mais um título. Tivemos muitas oportunidades, fomos muito melhores, éramos uma equipa com uma competência muito grande, mas lá está, às vezes são alguns detalhes que não acontecem, não conseguimos e acabámos por ser eliminados", recorda o técnico.
Em Edimburgo, perante "bancadas que não chegaram para tanta gente", Portugal saiu derrotado pela Escócia por 1-0 e, para além das oportunidades falhadas, Tulipa lembra um golo anulado ao atual selecionador Bino Maçães, que está a fazer "um enorme trabalho" com esta seleção e vai conseguir "vingar" a geração de 89.
"O nosso jogo é muito consistente. Nos momentos em que não temos bola sabemos o que fazemos e somos até uma equipa agressiva. O Bino tem feito um enorme trabalho, desejo-lhe toda a sorte do mundo e que consiga passar o Brasil. Eu acho que vamos fazer um bom jogo, passar e, possivelmente, ganhar o campeonato do mundo" antevê.
Portugal joga esta segunda-feira, às 16h, no Catar, frente ao Brasil, a possibilidade de chegar à final do Campeonato do Mundo de sub-17.
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Líder e feliz na Arménia
Manuel Tulipa está na Arménia, na primeira aventura fora de Portugal, aos comandos do FC Ararat-Armenia. Fundado em 2017, o clube orientado pelo técnico português está em primeiro lugar do campeonato, com mais um ponto que o segundo classificado e menos um jogo, com o acerto de calendário marcado para esta terça-feira.
"Nós elevámos a fasquia quando aqui chegámos. Dissemos que queríamos competir com o Noa, que tem condições diferentes, na minha opinião, de todos os clubes. Tem um budget completamente diferente, o que lhe permite recrutar jogadores de elevada qualidade. Mas está a correr-nos muito bem. Ajustamos algumas coisas, olhámos um bocadinho para o campeonato e pusemos as nossas ideias um pouco mais práticas com aquilo que é o campeonato e as características dos nossos jogadores", explica em entrevista a Bola Branca.
Ainda longe de terminar a época, a conseguir o título, não será o primeiro português a conquistar a Arménia. Rui Mota conseguiu, na época passada, levar o Noa ao primeiro título da história do clube e não por acaso.
"Os portugueses têm conhecimento sobre o treino e sobre liderança, mas nós não queremos trazer Portugal para a Arménia. Nós temos que nos ajustar e nisso os nossos treinadores são hábeis. Ajustamo-nos à cultura do país, à cultura também futebolística da própria liga e foi por aí. A nossa adaptação foi um pouco mais rápida do que se esperaria e os resultados também dependem um bocadinho disso, da flexibilidade que nós tivemos para entender as características do jogar aqui, mas acima de tudo para termos uma ideia arrojada, que os jogadores depois também conseguiram compreender e executar muitíssimo bem", detalha.
Já ambientado ao futebol mais físico, à semelhança do que "se fazia na antiga União Soviética", mas sem querer que os jogadores caiam no estilo de jogo nativo, Manuel Tulipa tem conquistado pontos e os adeptos.
"A minha grande satisfação não é só estar em primeiro lugar, tem muito a ver com a forma como me receberam e a importância que aqui dão aos treinadores. As pessoas do clube são organizadas, querem ajudar, estão sempre disponíveis para qualquer situação que necessites e a qualquer hora. Depois há um gosto muito grande pelo clube, um clube recente, com oito anos, mas com títulos ganhos e com uma organização muito boa", sublinha a Bola Branca.
Por agora, Manuel Tulipa é um técnico feliz, líder do campeonato e satisfeito com a vida na cidade de Yerevan, "muito apelativa" para quem a queira conhecer, mas os resultados vão, como sempre, ditar o futuro próximo.
"Seria um feito grande conseguirmos chegar nesta posição até ao final e depois tomar uma decisão boa, pensada e estruturada. Relembro que o Rui Mota foi para uma liga mais competitiva, para a Bulgária, mas as coisas não correram da forma que ele entenderia que deveriam correr e, nesta altura já não está no clube. Nós temos que dar muitos passos seguros, mas muitas vezes não conhecemos a oferta, a organização do clube, a paciência que as pessoas têm, de que forma é que criam também hábitos que nos permitam poder ganhar mais vezes e eu tenho isso no clube", partilha.








