Guerra

Um dia com refugiados ucranianos na Cidade do Futebol: “Esquecem um pouco os horrores que estão a passar"

24 jan, 2026 - 10:55 • Redação

A Renascença acompanhou refugiados ucranianos num dia longe da guerra e cheio de esperança.

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No meio da tempestade que está a assolar o país, a Cidade do Futebol encheu-se de dezenas de mulheres e crianças ucranianas, numa iniciativa conjunta da Fundação FPF e da Ukrain Refugees UAPT (conhecida por HELP UA.PT).

Entre troféus, camisolas da seleção e imitações da famosa celebração de Cristiano Ronaldo, fez-se uma visita guiada pelas instalações desta cidade futeboleira, numa autêntica viagem no tempo pelas mais diferentes conquistas de Portugal em modalidades como futebol e futsal.

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A parceria entre as duas entidades surgiu em dezembro de 2025, quando alguns elementos do programa “Famílias de Guerra” tiveram a oportunidade de assistir a um jogo de futsal entre Portugal e Ucrânia, em Albufeira.

“É importante que a federação e a fundação tenham um papel preponderante naquilo que é o impacto na sociedade com a inclusão”, destaca Edinho, ex-jogador e embaixador da Fundação FPF. “Um dia acaba por não apagar todo o sofrimento, mas estas são memórias que vão guardar para o resto da vida”.

Em solo nacional desde o início do mês, 18 crianças e 15 mulheres estão por três semanas a ser acolhidas no Centro de Reabilitação Fénix, em Ourém, para realizar passeios culturais e passar por um processo de reabilitação longe da guerra.

“O facto de terem uma noite de sono sem sirenes e sem terem de descer para os abrigos três ou quatro vezes faz com que o cérebro faça um restart e consigam ter mais motivação e energia para continuar a lutar”, esclarece Ângelo Neto, vice-presidente da HELP UA.PT.

E continua: “Por mais que seja um período curto, esquecerem um pouco os horrores que estão a passar ajuda em termos cognitivos. Deixam de ter o terror constante e isso faz com que possam sonhar com um amanhã melhor”.

Alice, uma das jovens acolhidas, é a única do grupo fluente em português. Numa mistura entre nervos e fascínio, evita tocar diretamente no tema do conflito, centrando-se em elogios à visita. “Os ucranianos adoraram. O que fizeram aqui é incrível”, confessa.

Não esconde que “queria muito ver” o ídolo número 1, Cristiano Ronaldo. Tanto para ela como para os restantes jovens ali presentes, “o facto de estarem a ver onde ele treina é uma imagem inesquecível”. Ou seja, “o impacto que Cristiano tem no mundo é tremendo. Ter um exemplo de resiliência como o dele também dá algum alento e, no fundo, acaba por motivá-los a buscarem os seus sonhos e a saberem que em Portugal podem sentir-se em casa”, reforça Neto.

Uma coisa é certa: o desporto transforma vidas. Mais do que um momento simbólico, este ato reforçou o papel do futebol como ferramenta de integração e responsabilidade social, mostrando que, mesmo em contextos de dificuldade, é possível criar pontes de esperança fora do campo.

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