Seleção Nacional
A reflexão de Martínez sobre ego: “Não me digam que não é preciso para jogar perante 70 mil pessoas”
30 mar, 2026 - 16:20 • Hugo Tavares da Silva
Depois de revelar que se inspira nas palavras de Otto Glória em 1966, o selecionador nacional, Roberto Martínez, deu mais uma entrevista, desta vez ao "The Athletic", na qual ofereceu uma reflexão interessante sobre o binómio ego-má atitude.
Se uma das obsessões de Roberto Martínez, o selecionador de Portugal, é a conversa sobre os perfis dos jogadores, algo que pode ou não dar-lhe dissabores na hora de tentar manter a coerência, outra funciona mais em surdina. Mas é, seguramente, um dos seus mantras: jogadores com ego são bem-vindos, ao contrário daqueles com “má atitude”.
O espanhol que tenta levar Portugal ao primeiro título mundial tem-se desdobrado em entrevistas. À Renascença e às rádios portuguesas fintou a questão sobre o futuro. Ao “The Guardian” revelou que decidiu pensar como Otto Glória, o homem que conduziu os ‘magriços’ ao terceiro lugar do Mundial 1966.
“Antes do Campeonato do Mundo, em que o Eusébio foi o melhor marcador, perguntaram ao treinador Otto Glória ‘poderão ganhar o torneio?’”, relatou Martínez ao diário inglês. “Ele disse ‘deixem-nos sonhar’ e eu acho isso lindo. Porque não abraçar a expectativa agora? Criar esperança? Porque não assumir essa responsabilidade? Se as pessoas acham que esta equipa pode chegar longe, que assim seja…”
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A postura conservadora de Roberto Martínez, um homem que conquistou a FA Cup com o Wigan e que levou a Bélgica ao terceiro lugar em 2018, é menos conservadora diante de um gravador que ouve em estrangeiro. E eis que chegamos a 30 de março, dia de mais uma entrevista, desta vez para o “The Athletic”, do “The New York Times”.
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A conversa iam juntando palavras e ideias sobre Cristiano Ronaldo e depois passou para a clareza que é necessário ter-se no grupo. Os jogadores ou funcionários de qualquer labuta devem saber tudo o que é esperado deles, explicou o espanhol. “Clareza”, insistiu. Depois, chegou a história de gerir um grupo com “tantos egos”. Este admirador de Johan Cruijff, talvez o homem do futebol com mais ego da história, explicou o que pensa sobre o tema.
“Precisas de ter ego para jogar futebol”, sentenciou antes da reflexão preciosa. “Não me digam que uma pessoa que tem de jogar perante 70 mil pessoas ou talvez 1000 milhões de espectadores à volta do mundo não precisa de um ego. Ele precisa e quanto maior o ego, mais fácil será ser um futebolista que faz a diferença.”
O selecionador de Portugal, que vai disputar o terceiro Mundial depois de o ter feito em duas ocasiões com a Bélgica, explicou que é um erro misturar “ego” com “má atitude”. É muito diferente, garantiu, fazendo lembrar o que Jorge Valdano disse em entrevista a esta rádio, em abril de 2024, defendendo que o ego é necessário e que até ajuda o jogador a não cair em dias infelizes...
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“Um ego com má atitude… chamamos-lhe ‘bombas’. Antes de ires para o treino, falas com o jogador para sentir a energia e atitude”, acrescentou Martínez. “Idealmente, queres grande energia, grande atitude. Esses jogadores são fantásticos. Mas a realidade é que tens jogadores sem energia no treino… que afetam a sessão.”
Depois, há outro tipo de jogador, o que tem má atitude e uma grande energia. “As pessoas chamam a esses ‘egos’. Não, isso não é ego, é má atitude. E tens de te livrar da má atitude. É uma grande diferença. Não confundam ego com má atitude.” Conclusão: “Idealmente, queres 11 ou 26 egos com grande atitude”.
Com mais uma entrevista, chegou uma reflexão útil para compreender melhor o treinador. Roberto Martínez Montoliú, de 52 anos, foi o selecionador escolhido para substituir Fernando Santos após o Mundial do Qatar, em 2022.
Portugal está atualmente no derradeiro estágio antes da convocatória final e da partida para o Mundial nos Estados Unidos, México e Canadá. Depois do insosso empate a zero com o México, na reinauguração do Azteca (que voltou a receber Manuel Negrete), a seleção nacional volta a entrar em campo, agora em Atlanta, contra os Estados Unidos, na meia-noite de terça para quarta-feira.










