Mundial 2026
Ronaldo em declínio na seleção de Portugal? Os números dizem que sim
12 jun, 2026 - 09:00 • Diogo Camilo
Na contagem decrescente para a estreia de Portugal no Mundial 2026, surgem dúvidas sobre o rendimento do capitão da seleção. Com Roberto Martínez a selecionador, Ronaldo faz menos remates e menos golos, cria menos oportunidades e dribla menos, mas desperdiça mais chances.
Minuto 9 do Portugal - Nigéria no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, no último amigável antes do Mundial 2026. Cristiano Ronaldo desmarca-se e recebe um passe cruzado de Nelson Semedo, que galgava pelo corredor direito. Sozinho frente ao guarda redes Maduka Okoye, o capitão da Seleção Nacional remata de primeira, mas falha a baliza.
Ao longo do jogo desta quarta-feira, Ronaldo desperdiçou três oportunidades flagrantes servidas pelos colegas. Todas resultaram em remates desenquadrados com a baliza, mesmo não tendo ninguém entre si e o alvo, além do guarda redes.
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Esta não é uma realidade apenas deste jogo, mas algo que se tem evidenciado nos últimos anos na Seleção Nacional. O que dizem os números? Em média, Ronaldo desperdiça quase uma grande oportunidade por jogo com Roberto Martínez a selecionador.
Mais oportunidades desperdiçadas que golos
As dúvidas sobre a titularidade de Ronaldo surgiram em pleno Mundial 2022, quando foi substituído frente à Coreia do Sul e começou os jogos frente a Suíça e Marrocos no banco. Saindo Fernando Santos e entrando Roberto Martínez no comando técnico da seleção portuguesa, os fantasmas pareceram desaparecer.
Excluindo amigáveis como os dos últimos dias, Ronaldo foi titular em 27 dos 28 jogos de competições oficiais com o novo selecionador, mas o rendimento continua a não ser o mesmo de antes, ainda que a equipa funcione à volta do capitão.
Com Martínez, Cristiano Ronaldo marcou 18 golos pela seleção de Portugal, mas ao mesmo tempo desperdiçou 26 grandes oportunidades.
Comparando o período anterior ao Mundial 2022 com a era do novo selecionador, Ronaldo faz menos remates à baliza por jogo, mas também menos golos, contribuí menos para a equipa, com menos assistências e passes chave, e já não tem a mesma disponibilidade física, com os dribles a caírem também. Ao mesmo tempo, as grandes oportunidades perdidas cresceram, o que significa que Ronaldo está a falhar mais.
Segundo dados do Sofascore analisados pela Renascença, entre 2019 e 2026, Cristiano Ronaldo teve uma média de 0,8 grandes oportunidades falhadas nesta época de 2025/26 ao serviço de Portugal. Na época passada o cenário não era melhor (0,9 oportunidades falhadas), e o da época anterior não melhora muito a figura (0,7 oportunidades falhadas).
Na soma dos cinco jogos oficiais desta época, todos de qualificação para o Mundial 2026, Ronaldo somou apenas um passe chave e não teve qualquer drible ou grande oportunidade criada.
Os números mudaram bastante em 2021, quando Ronaldo rumou ao Manchester United e deixou a Juventus. Antes disso, a média de oportunidades desperdiçadas estava entre as 0,3 e as 0,5, crescendo para o dobro com as épocas no Manchester United e no Al-Nassr.
Martinez substitui mais, mas não deixa Ronaldo no banco
Com Roberto Martinez, há uma mudança em relação a Fernando Santos: o treinador espanhol não tem medo de substituir o capitão, mesmo em grandes competições. Aconteceu na final da Liga das Nações, quando Ronaldo foi substituído aos 88 minutos, antes do prolongamento e penáltis, onde Portugal viria a vencer.
Com o engenheiro, entre 2014 e 2022, Ronaldo disputou 67 jogos de competições internacionais ou qualificações para fases finais e apenas saiu do banco por quatro vezes. Dos outros 63 jogos que começou a titular, foi substituído apenas em sete, o que significa que nos outros 56 cumpriu todos os minutos da partida.
Já com o novo selecionador, Ronaldo tem 28 jogos em competições oficiais, não foi titular em apenas um e foi substituído no decorrer de 11 jogos — quase 40% das partidas com Roberto Martinez.
Em termos de números de golos, a média está lá: Ronaldo tem um golo a cada 98 minutos com Fernando Santos, enquanto com Roberto Martínez tem um golo a cada 104 minutos. Antes destes dois amigáveis com Chile e Nigéria, os registos de CR7 com o atual e o antigo selecionador eram praticamente iguais.
Fernando Santos é, de resto, o selecionador com quem Cristiano Ronaldo se deu melhor, seguido de Martínez e depois de Paulo Bento, com quem Ronaldo marcou 27 golos em 38 jogos. O pior? Carlos Queiroz, com quem Ronaldo marcou apenas dois golos em 18 jogos.
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