Rali de Portugal

Diogo Salvi só quer desfrutar no Rali de Portugal: "Oportunidade de andar num fórmula 1 do mundo dos ralis"

15 mai, 2025 - 11:05 • Carlos Calaveiras

Em entrevista a Bola Branca, o piloto português lança o Rali de Portugal, a prova do Mundial de Ralis que vai decorrer entre 15 e 18 de maio.

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O 58.ª edição do Rali de Portugal começa esta quinta-feira, com 95 participantes, incluindo 12 do principal escalão.

Entre os participantes da categoria Rally1 está o português Diogo Salvi, de 55 anos, ao volante de um Ford Puma, ao lado do navegador Axel Coronado.

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Em entrevista à Renascença, o empresário da área das tecnologias da informação baixa a fasquia em termos de resultado final e reforça que a ideia é apenas “dar um presente” a si próprio e “desfrutar” de um carro que é o “fórmula 1 dos ralis”.

O Ford Puma, que Diogo Salvi testou pela primeira vez no dia 10 de maio, em Mortágua, tem “um valor proibitivo” e 450 cavalos de potência, ao contrário dos 280 cavalos que tem o carro que habitualmente conduz nas corridas.

Salvi aposta no underdog Martin Sesks, também da Ford, e alerta para os muitos quilómetros da primeira etapa.

Diogo Salvi, que foi décimo no Rali Casinos do Algarve já este ano, já tem dez participações no Rali de Portugal. Participou também no Rali da Acrópole (2022) e Turquia (2019).

Desde 2012 que não há um português ao volante de um WRC. O último foi Armindo Araújo, na Mini.

Esta quinta-feira haverá três sessões de shakedowns (testes) em Baltar, entre as 8h00 e as 12h30. A cerimónia de abertura vai ter uma partida simbólica em Coimbra, pelas 17h00, e, já em competição, às 19h05, os pilotos vão fazer 2,94 kms na Figueira da Foz.

Já vamos à prova deste ano, mas comecemos pelo princípio. Como é que o Diogo Salvi começou nos ralis?
Comecei com 21 anos, em que fiz uma época de iniciados, com o carro de um tio meu, que era um Renault 11 Turbo. Comecei entre aspas, porque no meio do primeiro troço capotei e depois fui para esses ralis com o carro, em que o carro tinha 5 velocidades, eu acho que não metia mais que a quarta, com medo de estragar e porque não tinha orçamento.

Depois, fiz um interregno de 20 anos, estive a montar a minha empresa e mais tarde, com as coisas a correr bem, voltei em 2009, com o Mitsubishi, passei para o Open, onde estive três ou quatro anos, e depois para o Campeonato Nacional e hoje em dia só faço ralis de terra em Portugal e no estrangeiro.

O Rali de Portugal deste ano tem 12 carros do escalão máximo, vamos ter cá as “trutas” todas. Vai ser uma corrida equilibrada?
Falando de mim, vai ser o desfrutar de um presente que eu me dou a mim mesmo, oportunidade de andar num fórmula 1 do mundo dos ralis e estar um bocadinho dentro do show mediático, que é ir lá à frente.

Em termos desportivos é absolutamente zero, ou seja, a única coisa que eu tenho consciência é que com certeza vou andar menos do que ando com o meu atual carro, que estou habituadíssimo.

Não é muito habitual um português ter um carro da primeira divisão dos ralis. Como é que isto foi possível?
Isto claramente não tem a ver com os meus skills de condução. Isto tem a ver só com uma questão da vida empresarial me ter corrido bem e com isso poder alugar este carro. Ponto final parágrafo.

Custa muito dinheiro esta aposta
Eu diria que bastante. Repito, acaba por ser um presente que eu estou a dar a mim próprio para ter a oportunidade de guiar um carro que é um fórmula 1 de ralis que está em vias de extinção. Uma das razões para isso estar a acontecer é que são carros com valores absolutamente proibitivos.

Então será “one shot”, só para este rali?
Isso depois veremos, depende de como for a experiência.

Se eu lhe pedisse um prognóstico de lugar final, o que me diria? Ou não pensa nisso?
Zero, absolutamente zero. É que não penso mesmo. É mesmo só desfrutar e ter a oportunidade de guiar um carro destes.

E tem algum favorito?
Eu gosto sempre de apostar no “underdog”. Achava muita piada o Martin [Sesks] da Ford ganhar o rali. Vai ter uma posição privilegiada em termos de saída. Acaba por ser piloto novo e isso traz sempre um novo interesse à modalidade.

Há alguma classificativa que possa ser decisiva?
Acho que a primeira etapa vai ser uma etapa muito grande. Qualquer piloto que tenha um percalço vai sair bastante penalizado. É um dia com 150 ou 160 km em que os pilotos vão estar no carro desde as 6 da manhã até às 8 da noite. São muitas classificativas e quem tiver um percalço, como não há assistência, vai sair extremamente penalizado.

Depois, para os pilotos do Campeonato Nacional, que vão fazer duas classificativas à noite, vai ser bastante interessante e o Campeonato Nacional é só o primeiro dia. De resto, o rali depois é mais ou menos nos mesmos moldes. Aquilo que era a classificativa maior, que era Amarante, este ano vai ser encurtada. Acima de tudo, o primeiro dia vai ser, se calhar, o dia decisivo.

O público português é, historicamente, muito efusivo. Qual é a sensação de passar ali dentro do carro?
O Rali de Portugal é, claramente, o rali onde estão mais pessoas, nem há comparação. Tendo dito isto, os pilotos do Campeonato Nacional, que partem mais atrás, chegam duas horas e meia e, às vezes, três horas depois dos primeiros classificados. Portanto, muitas vezes, já só está 20% das pessoas. Isso, para mim, vai ser também uma experiência nova.

Num rali há sempre perigo. A questão da segurança ainda é tema? Há mais condições agora?
Muito mais condições. Há um trabalho extraordinário feito pelo ACP. O nível de segurança do Rali de Portugal é extraordinário. Ou seja, a todos os níveis, em termos de prontidão versus aquilo que é acionar os meios de emergência. Eu diria que o Rali de Portugal está num patamar, está no topo daquilo que foram as experiências internacionais que eu fiz.

As chamadas super especiais, em circuito fechado, como Lousada, por exemplo, têm duas vantagens: o público está nas condições máximas de segurança e permitem transmissão televisiva. Gosta desse tipo de etapas?
Sim, eu acho que qualquer piloto gosta. São circuitos que se pode levar o carro ao seu limite máximo. Ou seja, por uma questão de segurança, muitas vezes quando se faz uma classificativa, tem-se outros elementos que, obviamente, que um piloto se abstrai, mas eles estão ali 100%, ribanceira, árvore, etc. E, geralmente, no circuito consegue-se dar mais espetáculo e ter os carros menos controlados, mais em slide.

E depois também em termos audiovisuais, aquilo que muitas vezes as plataformas não conseguem transmitir e o desporto de automóvel nesse aspeto é um bocadinho ingrato, principalmente os ralis. Se calhar na Fórmula 1 consegue-se passar essa parte, essa sensação, mas nestes circuitos, sem dúvida, que se consegue ter um excelente compromisso em termos de espetacularidade e a perceção do público dessa espetacularidade e daquilo que são as emoções e as sensações que se vive dentro de um carro ali.

Cresci com nomes como a Michelle Mouton, o Marco Alan, o Biasion. Como é que eles comparam com os Rovanpera ou Ogier da atualidade? Seriam sempre pilotos de topo?
Sem dúvida, ou seja, são outros tempos e com outro tipo de formatação. Agora, aquilo que são realidades diferentes, eles eram os melhores naquela altura, estes são os melhores nesta altura, não há uma altura melhor do que a outra, há, acima de tudo, uma altura que é diferente. Portanto, não tem nada a ver, ou seja, as alturas dos Biasions, etc, era se calhar uma vertente muito mais aventureira, em que aquilo que era um improviso, aquilo que era uma assistência na estrada, aquilo que se chamava o desenrascar, estava sempre presente.

Hoje em dia não, hoje em dia são miúdos de 18, 19 anos completamente formatados, que estão a ter uma massagem 5 minutos antes de entrar no carro, em que o imprevisto praticamente não existe, para além do furo e do carro, o sistema informático ir abaixo e terem que pegar no carro e irem para casa, com uma vertente super rally em que no dia seguinte voltam a entrar. Portanto, acima de tudo isso são realidades diametralmente opostas, os pilotos basicamente com características diferentes. Se esses pilotos fossem transportados por hoje, eu acho que obviamente se adaptariam e seriam também pilotos topo.

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