Fórmula 1

F1: George Russell vence na Austrália e Mercedes faz dobradinha após breve luta com a Ferrari

08 mar, 2026 - 08:30 • João Pedro Quesado

A primeira corrida do ano abateu alguns dos receios sobre o estranho mundo da nova F1. Os arranques-relâmpago da Ferrari confirmaram-se e a equipa italiana disputou a liderança até falhar na estratégia.

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George Russell é o primeiro vencedor da F1 em 2026. Foto: Joel Carrett/EPA
George Russell é o primeiro vencedor da F1 em 2026. Foto: Joel Carrett/EPA
George Russell teve de lutar pelo primeiro lugar com Charles Leclerc durante as primeiras voltas do GP da Austrália de F1. Foto: Joel Carrett/EPA
George Russell teve de lutar pelo primeiro lugar com Charles Leclerc durante as primeiras voltas do GP da Austrália de F1. Foto: Joel Carrett/EPA

George Russell venceu este domingo o Grande Prémio da Austrália. Kimi Antonelli terminou em segundo lugar, enquanto Charles Leclerc foi terceiro pela Ferrari. Apesar da dobradinha da Mercedes na primeira corrida da época de 2026 do Mundial de F1, o campeonato sai de Melbourne com sinais de que pode, talvez, ter uma temporada disputada.

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A história do GP da Austrália tem dois capítulos bem diferentes. O primeiro foi escrito a vermelho: a Ferrari mostrou que os arranques-relâmpago da pré-temporada não eram apenas fogo de vista, e Charles Leclerc saiu da primeira curva em primeiro lugar após arrancar de quarto. Lewis Hamilton juntou-se à festa, saltando de sétimo para terceiro.

Na segunda volta, George Russell ultrapassou Leclerc na zona rápida da pista. Na terceira volta, Leclerc recuperou a liderança no mesmo local. E assim começou um jogo do gato e do rato, com várias trocas de posição entre os dois líderes.

Na sexta volta, Leclerc segurou Russell depois de fechar o espaço no interior de uma das últimas curvas. Na oitava volta, Russell ultrapassou na terceira curva, mas o monegasco da Ferrari voltou a primeiro no setor rápido, antes da nona curva. Na volta seguinte, o britânico da Mercedes passou a primeiro na primeira curva, Leclerc recuperou a posição duas curvas depois, e Hamilton começou a ficar perto desta dupla.

Na volta 11, o fumo esbranquiçado que saía em catadupa do Red Bull de Isack Hadjar — o regresso dos problemas mecânicos nos motores à F1 — antecedeu o fim deste duelo pela liderança. Com o Red Bull parado em pista, e na zona mais rápida, a corrida foi neutralizada com um Safety Car virtual, originando uma corrida às boxes para trocas de pneus. Nesta tarde australiana, a estratégia esperada era de uma paragem nas boxes, aumentando o benefício de aproveitar a neutralização para fazer a troca.

Não foi esse o raciocínio que a Ferrari seguiu, ao contrário de quase todos os outros. Se alguém pensava que era uma estratégia ponderada para aproveitar o ar limpo e tentar ganhar vantagem aos Mercedes, as palavras de Hamilton para o seu engenheiro de corrida foram uma verificação de factos. "Um de nós devia ter entrado" nas boxes, queixou-se o heptacampeão.

Apesar de a neutralização da corrida durar três voltas, a Ferrari não aproveitou nenhuma delas para fazer as trocas de pneus. No fim desse Safety Car Virtual, Russell estava a apenas 11 segundos de Lewis Hamilton, o suficiente para ultrapassar os dois carros vermelhos mal estes parassem nas boxes.

Na volta 18, a desistência de Valtteri Bottas (Cadillac) apresentou outra oportunidade para a Ferrari trocar de pneus durante uma neutralização. Mas a Scuderia voltou a ser lenta a reagir e, na volta seguinte, quando parecia pronta a mandar os dois pilotos entrar nas boxes, estas foram fechadas — o Cadillac de Bottas tinha parado na entrada.

Assim começou o segundo capítulo da corrida, com a Mercedes a poder utilizar a sua performance pura, livre de ter de lutar com outros carros. Os dois Ferrari trocaram, eventualmente, de pneus — Leclerc na volta 25, Hamilton na volta 28 —, e nunca mais ameaçaram os "Flechas de Prata", ficando até ao fim a cerca de 15 segundos da liderança. Não era claro que tinham capacidade de vencer, mas a estratégia da Ferrari anulou qualquer hipótese que houvesse.

Atrás, Max Verstappen (Red Bull) lutou com Lando Norris (McLaren) pela quinta posição. O neerlandês começou a corrida em 20.º, mas já estava no décimo lugar à décima volta, e teve de trocar de pneus uma segunda vez, na volta 42, devido ao desgaste dos pneus. Voltou à pista atrás do campeão em título e, como muitas vezes em 2025, não teve armas para o ultrapassar até ao fim.

Um dos pilotos em destaque na corrida é o estreante Arvid Lindblad, da Racing Bulls. Terminar em oitavo depois de começar em nono não é um feito extraordinário, mas o jovem britânico defendeu-se bem em pista e mostrou boa performance. Uma das boas lutas em pista foi com Oliver Bearman (Haas), que terminou em sétimo depois de arrancar de 12.º — o jovem da academia da Ferrari confirmou as boas impressões de 2025 e voltou a ser o melhor Haas em pista.

Perceba a vantagem da Mercedes na análise à qualificação do GP da Austrália

Outro destaque positivo é o nono lugar de Gabriel Bortoleto, dando os primeiros pontos a um motor Audi na F1.

O destaque negativo tem de ser Oscar Piastri. Depois de lutar pelo título durante grande parte de 2025 com o colega da McLaren, o australiano bateu no muro e destruiu o lado direito do carro ainda antes da corrida começar, a caminho da grelha de partida. Mesmo que se deva a um pico de potência do motor elétrico, é uma falha do piloto na ambientação aos novos carros, que mais nenhum piloto teve.

Já a Aston Martin, que tem graves problemas de fiabilidade do lado do motor Honda, e apenas duas baterias operacionais para os primeiros dois fins de semana da temporada, tratou a corrida como mais uma sessão de testes. Fernando Alonso desistiu na volta 14 — declaradamente para "preservar componentes" —, enquanto o carro de Lance Stroll passou pelo menos dez voltas dentro da garagem antes de voltar à pista.

Há esperança para esta nova F1?

Depois de todos os receios sobre a primeira corrida de uma nova Fórmula 1, com mais dependência de energia elétrica — e, por isso, mais gestão de energia —, o GP da Austrália esteve longe de ser a farsa que se temia.

A primeira fase da corrida foi interessante, muito graças à capacidade da Ferrari se impor no arranque e rebater as investidas de George Russell em pista. Mas não foi só aí: havia lutas por posição um pouco por todo o lado, ajudadas por os carros serem ligeiramente mais pequenos e mais leves, e de a atual aerodinâmica prejudicar menos o carro atrás (para já).

É preciso esperar para ver o que acontece nas próximas corridas, sendo o GP do Japão um potencial foco de preocupação devido à natureza de alta velocidade, com poucas travagens, do circuito de Suzuka. Mas a primeira corrida do ano não provocou o pânico para o qual a F1 já se estava a preparar nos bastidores.

A cada corrida, as equipas vão acumular mais e mais petabytes de informação sobre os novos carros. Este é o ponto da temporada em que menos sabem sobre como gerir os novos motores e as exigências de energia. Com esse conhecimento, produzem-se melhorias de performance. Mas a quantidade restrita de energia continuará a estar na base desta nova fórmula, e a provocar voltas de qualificação longe do limite.

A Fórmula 1 segue já para a segunda corrida da temporada, o Grande Prémio da China, de 13 a 15 de março. É o primeiro fim de semana da temporada com corrida sprint, no sábado, significando que há apenas um treino livre na sexta-feira — o espaço do segundo é ocupado pela qualificação para a corrida sprint.

Resultado GP da Austrália

  1. George Russell (Mercedes)
  2. Kimi Antonelli (Mercedes) +2.974s
  3. Charles Leclerc (Ferrari) +15.519s
  4. Lewis Hamilton (Ferrari) +16.144s
  5. Lando Norris (McLaren) +51.741s
  6. Max Verstappen (Red Bull) +54.617s
  7. Oliver Bearman (Haas) +1 volta
  8. Arvid Lindblad (Racing Bulls) +1 volta
  9. Gabriel Bortoleto (Audi) +1 volta
  10. Pierre Gasly (Alpine) +1 volta
  11. Esteban Ocon (Haas) +1 volta
  12. Alexander Albon (Williams) +1 volta
  13. Liam Lawson (Racing Bulls) +1 volta
  14. Franco Colapinto (Alpine) +2 voltas
  15. Carlos Sainz (Williams) +2 voltas
  16. Sergio Perez (Cadillac) +3 voltas
  17. Lance Stroll (Aston Martin) +12 voltas
  18. [Não terminou] Fernando Alonso (Aston Martin)
  19. [Não terminou] Valtteri Bottas (Cadillac)
  20. [Não terminou] Isack Hadjar (Red Bull)
  21. [Não arrancou] Oscar Piastri (McLaren)
  22. [Não arrancou] Nico Hulkenberg (Audi)

[notícia atualizada às 11h10 com gráfico de intervalos entre os primeiros seis]

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