Análise
Bellingham total, uma equipa direta das antigas e uma ‘laranja' bem mecanizada: o resumo do dia 3 do Euro
17 jun, 2024 - 06:20 • Francisco Sousa
As principais notas do dia que registou o primeiro empate deste Campeonato da Europa.
A Inglaterra quis ir pela direita - e assim se estreou a ganhar
Longe do brilhantismo de outras noites, a seleção inglesa somou uma vitória absolutamente justa (1-0) na abertura do Europeu. Southgate apostou no 4-2-3-1 para desconstruir a Sérvia dos três centrais e foi extremamente perspicaz em visar o corredor lateral esquerdo dos balcânicos para criar as melhores situações e decidir o encontro. Saka encarou Kostić em vantagem de forma constante e até foi escapando mais por fora, puxando pelo pé direito e não tanto pela preferencial canhota, como se viu no lance do golo. Walker facilitou nalguns envolvimentos e também foi capaz de fugir rumo à baliza num lance em que Saka se soltou mais por dentro. Também na segunda parte, e mesmo com a perda de projeção ofensiva, alguns dos melhores lances apareceram daquele lado do campo. Bowen (substituto de Saka) serviu Kane numa réplica do 1-0, mas a bola bateu na trave.
Pela esquerda cresceram os Países Baixos. E que bem venceram…
O Polónia-Países Baixos foi dos jogos mais interessantes da jornada inaugural, até pelos estilos diversos. A equipa de Koeman perdeu médios fundamentais mesmo antes da prova, mas nem por isso ficou órfã de qualidade. A chave do triunfo sobre os polacos (2-1) esteve na maneira como impôs o jogo no meio-terreno adversário, com Reijnders a projetar-se a partir da zona intermediária, a atrair adversários (lance do golo decisivo) e a acrescentar no passe, acompanhado na perfeição pelo central/lateral Nathan Aké, mais um catedrático multifunções, doutorado da universidade de don Pep Guardiola. Serviu duas assistências, ajudou atrás e criou também combinação feroz com um Gakpo com muito apetite pela baliza. Os melhores lances neerlandeses foram trabalhados desde a esquerda, mas a equipa mostrou argumentos criativos também para desequilibrar por dentro, com Memphis em apoio e Xavi Simons a somar participações até perder ascendente.
Eslovénia e um estilo direto… ao empate
O inegociável 4-4-2 de Matjaz Kek voltou a fazer das suas no arranque do Europeu. A Eslovénia aguentou o melhor período competitivo da Dinamarca (primeiros 45 minutos) e agigantou-se quando foi possível, sem perder a identidade. Šporar e Šeško formam um duo que desgasta muito as defesas contrárias e isso viu-se no período de recuo dos nórdicos. O ex-sportinguista mostrou debilidades técnicas, mas atacou sempre a profundidade, enquanto o atacante do Leipzig captou segundas bolas, ameaçou duas vezes com muito perigo e esteve sempre ligado ao encontro. Tudo isto numa tarde em que Erik Janža, lateral de 30 anos do Górnik Zabrze, se mostrou ao mundo a partir da esquerda, bem a dirigir passes, mais integrado na zona ofensiva no segundo tempo e decisivo ao marcar o golo do empate (após bola parada). Oblak e os centrais ajudaram atrás, numa prova de resistência de uma equipa que se baseia na complementaridade nas duas áreas para ser bem sucedida.
Sobe 💎
Bellingham total. Diferente do jogador de Madrid, recuperou os ares alemães (Gelsenkirchen é ao lado de Dortmund), foi fundamental a partir do meio-campo, mas não perdeu o instinto incisivo. Entrada perfeita ao segundo poste para resolver o desafio.
Desce 🌧️
Kasper Hjulmand. O Mundial já tinha deixado a sensação no ar de um tempo esgotado e a entrada em prova no Euro mostra um selecionador dinamarquês atormentado. A equipa perdeu o controlo das operações após o intervalo e o técnico não a soube resgatar da mediania (nem com substituições).






