Mundial de Clubes
João Martins, adjunto do Palmeiras: "FC Porto tem jovens irreverentes e criativos do meio-campo para a frente"
13 jun, 2025 - 12:45 • Hugo Tavares da Silva (entrevista) , Carlos Calaveiras (texto)
Em entrevista a Bola Branca, a dois dias da estreia no Mundial de Clubes, frente ao FC Porto, o adjunto de Abel Ferreira fala da odisseia até aos EUA, assume a ambição de chegar aos oitavos de final e dá a fórmula para derrotar a equipa portuguesa.
A poucos dias do FC Porto-Palmeiras, a contar para o Mundial de Clubes, a Renascença falou com João Martins, treinador adjunto de Abel Ferreira no clube brasileiro.
João Martins conta como está a ser a adaptação aos Estados Unidos, como está o clube a meio da temporada no Brasil e como o Verdão vê o dragão, primeiro adversário na nova prova da FIFA.
Estêvão despede-se do Palmeiras a caminho do Chelsea, numa altura em que Rodrigo Mora está a "explodir" de azul e branco. Em declarações a Bola Branca, João Martins fala também sobre estes dois jovens, que estão a deixar marca no futebol mundial.
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Que tal foi a chegada aí? Onde estão e como é o plano até ao jogo com o FC Porto? Teme-se o calor, não é?
A viagem foi longa, cerca de 12 horas de avião, mais duas horas de deslocamento lá e mais três horas de deslocamento aqui, ou seja, foi um dia inteiro de viagem.
As condições aqui são espetaculares. Decidimos ficar a meio caminho de Nova Jérsia, onde vão ser os dois primeiros jogos, e Miami, onde vai ser o terceiro jogo. Para fazer o primeiro jogo vamos fazer 1h10 de avião, o que são viagens normais no Brasil e não vamos estranhar.
Vamos tentar a adaptação a este tipo de condições, a este tipo de relvados, a esta qualidade FIFA, e vamos fazer um dia de treinos bidiários para passar conteúdos de preparação do jogo.
Como chega o Palmeiras a esta nova competição? Será uma grande vantagem estarem frescos, em comparação com o final de época dos europeus?
Relativamente a condições físicas e mentais, vai ser engraçado ver. Nós andamos desde março com jogos de três em três dias e por isso, apesar de irmos em junho, já temos quase 50 jogos nas pernas, o que deixa consequências.
Principais consequências: nunca iniciar jogos a 100% das capacidades, andar sempre a gerir problemas físicos, treinar pouco, todos os treinos são para recuperar.
Vai ser engraçado ver se quem teve agora dez dias para se preparar chega em melhores condições do que quem acabou uma temporada e foi descansar oito dias para se preparar para isto. Não consigo hoje saber se chegamos em melhores condições, mas uma coisa é certa: são cenários diferentes e opostos. Que no fim ganhe quem se preparar melhor e quem tem mais qualidade e competência.
O Abel costuma bater nos calendários e excesso de jogos. Com que espírito está ele a olhar para este Mundial?
Nós já andamos a preparar os jogos do Brasileirão e da Libertadores para esta competição. Usar esta motivação extra de estar no meio dos melhores e entre os melhores para os motivar antes, quase como se os jogos que vinham fossem de preparação.
Infelizmente, nos últimos dois jogos do Brasileirão, não conseguimos ter o resultado esperado. O rendimento não foi mau, mas o resultado foi. Mas isto preparou-nos mentalmente que vamos passar dificuldades e temos de estar preparados para isso. Que estas duas derrotas sirvam para aumentar o foco e a concentração nesta competição.
Como vê este FC Porto? Presumo que nem consigam ver o nosso campeonato, mas do que vê pelas análises, apreciou alguma coisa ou algo surpreendeu?
Não acompanhamos a 100%. Vimos alguns jogos. Somos portugueses, estamos por dentro, sabemos que é uma equipa em reconstrução, que passou por algumas dificuldades este campeonato, mas tenho a certeza que a continuar assim vão colher frutos daqui a um, dois anos. É preciso tempo e paciência. Vimos agora o caso claro do Paris Saint-Germain.
Mas o FC Porto tem muita qualidade do meio-campo para a frente, com jogadores jovens, irreverentes, criativos. Vamos ter de usar algumas armas para bloquear e tentar superiorizar-nos na intensidade, na agressividade. Usar os nossos pontos fortes na organização para tentar superar os momentos fortes do FC Porto, não deixar os três da frente terem espaço e, depois, com bola, tentar aproveitar as costas dos defesas. Vai ser um bom jogo, engraçado de ver.
Martín Anselmi fez nome no Brasil. Tem alguma opinião dele?
O Anselmi tem um sistema tático bem vincado, comportamentos bem definidos, rigorosos nos comportamentos, fazem bem o que lhes é pedido. Vamos tentar arranjar armas e soluções para ir contra essas ideias, porque não há sistemas perfeitos e ganha quem tiver mais competência e rigor. Mas vamos tentar explorar o que nós achamos para criar mais problemas ao FC Porto.
Alan Shearer disse que o Palmeiras ia vencer o grupo. Qual é a expectativa para o torneio? Alguma meta mínima?
É claro que todos nós queremos passar a fase de grupos, esse é o principal objetivo a curto prazo, mas para isso acontecer tem de ser jogo a jogo. Sabemos que é muito importante entrar bem, se possível com uma vitória. A história diz-nos que é essencial e é para isso que vamos trabalhar, para conseguir somar três pontos e, no segundo jogo, se possível, garantir a nossa passagem à fase seguinte.
É a despedida do menino Estêvão, certo? Já cobraram dele "coisas belas" para o adeus?
Relativamente ao Estêvão, pedimos-lhe para aproveitar ao máximo todos estes momentos, com todo o profissionalismo que tem tido até hoje. Que dê o seu melhor, se possível mais 5% do seu melhor na resiliência, no sacrifício, na qualidade, que vai ser essencial. Todo o mundo do futebol já o conhece bem e esperemos que faça um belo campeonato e que tenha muito sucesso.
Queria fazer paralelo com Rodrigo Mora, do FC Porto, e saber se tem alguma teoria sobre o porquê de andarmos a ver tantos miúdos a aparecer e já com tanta maturidade...
Os jovens são o futuro. Cada vez aparecem mais cedo porque cada vez o investimento é maior na formação, cada vez os jogadores são escolhidos mais cedo, cada vez têm mais qualidade de treino. O mercado está muito agressivo e são os melhores. Há o exemplo do [Lamine] Yamal [do Barcelona], do Estêvão, do Mora. São jogadores com muita qualidade. O Mora é um caso idêntico ao do Estêvão, a diferença é que o Estêvão daqui a três semanas já está num grande europeu – o Chelsea – e o Mora, tudo a correr normalmente, também deverá acontecer isso a curto, médio prazo. Espero que só demonstre a sua qualidade a seguir ao jogo do Palmeiras, mas é aproveitar o que eles acrescentam ao futebol moderno: a irreverência e a criatividade, argumentos que dão vida ao espetáculo.










