15 ago, 2025 - 15:00 • Eduardo Soares da Silva
Tem mais de 150 jogos na La Liga e arranca a sétima temporada consecutiva no campeonato espanhol. Aos 30 anos, Domingos Duarte é um central feliz no país vizinho, mas ao entrar no último ano de contrato, não recusaria um regresso para se provar em Portugal.
"Um dos meus objetivos, não sei se já, seria voltar a Portugal. Gostaria de voltar ainda a um bom nível e demonstrar o que tenho mostrado estes anos em Espanha", diz.
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O internacional português foi formado no Estoril Praia e no Sporting, mas a nível sénior só jogou no Belenenses e Desportivo de Chaves antes de rumar a Espanha, onde jogou no Deportivo, Granada e Getafe.
Entre avaliações sobre o ex-colega de equipa Luis Suárez e o alvo dos leões Yeremay, Domingos Duarte avalia o estado atual do futebol espanhol, as críticas ao seu treinador José Bordalás e as perspetivas de regressar à seleção para o Mundial.
O Getafe arranca a La Liga este domingo na Galiza, com a visita ao Celta de Vigo. O português cumpre castigo e não poderá ser utilizado, começa a temporada apenas na semana seguinte, numa visita ao Sevilha.
Começam esta temporada com um calendário inicial bem complicado: Celta, Sevilha, Valência, Oviedo e Barcelona. Não é o mais simpático...
Não podemos escolher contra quem jogamos, foi sorteio. São três jogos fora, são jogos sempre muito complicados. De certeza que vamos começar bem já este domingo. Temos muita vontade de começar e fazer um bom resultado, depois começaremos nos seguintes. Mantemos agora o foco no jogo em Vigo este domingo.
Que objetivos tem o Getafe esta época? Manutenção ou tentar algo mais?
Vamos jogo a jogo. Vamos ver se depois dá para lutar por alguma coisa, mas o mais importante é a manutenção, é o foco. Quando conseguirmos os pontos que nos garantam isso matematicamente, podemos pensar noutras coisas. Vamos com calma e lá iremos, de certeza.
São já várias épocas com o José Bordalás aí no Getafe. Ele é muitas criticado por ser muito defensivo. Concordas com isso? Como é trabalhar com ele?
É muito bom trabalhar com ele. É um treinador que dizem que é muito defensivo e a verdade é que tivemos números de uma das melhores defesas da Europa, não sei se eram top-3, ou algo assim. É uma equipa que trabalha bem a parte defensiva, se calhar era porque tínhamos algumas carências no capítulo de fazer golos e tivemos de aproveitar estas boas características de defendermos juntos. Ele é bastante exigente, pede-nos que estejamos sempre fisicamente bem, dá-nos liberdade para jogar e criar no terço ofensivo. Depende das opiniões, foi um rótulo que lhe colaram e acaba por ser discriminatório, digamos assim.
Seleção Nacional
O central internacional português foi apresentado (...)
O ano passado foi importante, suponho. Em 2023/24 jogou pouco, no ano passado começou no banco e depois recupera a titularidade e faz toda a segunda metade da época. Como foi todo o processo de recuperação de um lugar no onze?
Nunca é fácil quando não se joga. Há dois anos comecei intermitente, depois fui expulso uma ou outra vez e isso travou a minha progressão na equipa. Tive uma lesão no ombro que tinha há alguns anos e tive de solucionar definitivamente. No ano passado comecei no banco, a minha oportunidade surgiu em novembro com o Girona e passaram a ver-me com outros olhos no clube. Perceberam que estou capacitado para jogar e, graças a Deus, correu bem. A equipa começou a ganhar muitos jogos, foi uma boa fase.
E este ano, quais as previsões?
Isso é uma pergunta para o mister. Não posso jogar o primeiro jogo, estou suspenso, fui expulso na última jornada. Para começar, não vou ser titular, mas não sei no segundo jogo.
Quais são os objetivos?
Fazer o maior número de jogos possível, é o mais importante. O resto vem por acréscimo.
Como vê o momento da La Liga? Pode ser encarado como um campeonato que perdeu protagonismo desde Messi e Ronaldo, mas continuará a ter muita qualidade...
É muito difícil encontrar esta qualidade noutras ligas. Na Premier League também há muita qualidade, na Bundesliga também, mas este futebol aqui é muito bom. Está muito presente o 'fair-play' financeiro e só algumas equipas têm mais liberdade para contratar jogadores. Aí está a diferença para a Premier League.
O Sunderland já gastou mais de 100 milhões, quem subiu para a La Liga acho que nenhuma gastou mais de quatro milhões e isso é uma diferença muito grande e trava a evolução da La Liga. De qualquer modo, em jogo jogado, a La Liga tem muita qualidade. Sempre foi um campeonato que se destacou por isso e espero que continue assim, mas que tenha mais calma no 'fair-play financeiro'.
É um campeonato subestimado? Por vezes fala-se apenas do Barcelona, Real e Atlético, mas há muitos outros clubes com dimensão muito grande...
Há uma diferença aqui para outros países. Quem vive nas Astúrias ou é do Oviedo ou do Gijón. Em Portugal, puxando num exemplo, em Coimbra as pessoas se calhar são mais do Benfica do que da Académica. Num jogo entre os dois, o estádio estaria com mais adeptos do Benfica do que da Académica. Eu vivi uma experiência assim no Deportivo. As pessoas lá podem ter um carinho especial pelos grandes, mas são do clube dessa cidade. Isso promove o futebol espanhol, para que não seja tudo centralizado.
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Por exemplo, o San Mamés é dos melhores estádios em Espanha. Pode não ser o maior, levará uns 40 ou 50 mil, mas o ambiente é ensurdecedor, o hino deles, são muito apegados às raízes deles e nota-se que adoram muito o Athletic e a cidade. Isso é bom para o futebol.
Há o tema quente agora aí em Espanha, o Villarreal-Barcelona que poderá ser jogado em Miami. Percebe as críticas ou compreende a necessidade do futebol se expandir?
Não sou muito de opinar sobre estes temas. Do lado do negócio, faz sentido para o Barcelona, mas imagino que para os jogadores viajarem a meio da semana para Miami... Percebo que o Barcelona tem muitos adeptos no estrangeiro, mas para mim não tem muito sentido no lado logístico. Tudo depende também do negócio e do que é o futebol hoje em dia. Depende de muitas vontades, mas também não me quero meter muito em temas que não são da minha responsabilidade.
Voltando a falar sobre a carreira, ainda há chance de sair, ou está definido que continua no Getafe?
Ainda não sabemos, o mercado muda de um momento para o outro. Estou feliz aqui, mas nunca se sabe o que pode acontecer. Podemos estar bem e, do nada, pode surgir uma proposta que o clube gosta e tu gostas e podes mudar. Estou feliz onde estou, estou aqui há três anos e estou bem.
É o último de contrato, gostaria de ficar para lá deste ano, experimentar outra liga, regressar a Portugal?
Não pensei bem nisso ainda, imagino que vá cumprir este ano e depois pensarei no futuro. Um dos meus objetivos, não sei se já, seria voltar a Portugal. Gostaria de voltar ainda a um bom nível e demonstrar o que tenho mostrado estes anos em Espanha.
A voltar, gostaria que fosse no Sporting?
Sempre mostrei essa vontade que gostaria de voltar a jogar no Sporting. Estou aberto a todas as propostas e não fecho portas a lado nenhum.
Uma boa temporada na La Liga pode abrir as portas do Mundial?
Não sei, o que depende de mim é fazer um bom ano, muitos bons jogos e tentar ter visibilidade para fazer uma boa época. Se o fizer, é claro que mais olhos vão estar postos em mim. Não trabalho com esse objetivo, vou dia a dia para melhorar, fazer bons jogos e o resto vem por acréscimo. Mais importante é o foco no que podemos controlar.
Partilhou balneário com o Luis Suárez, que opinião tem dele?
Fomos colegas no Granada, é muito bom avançado, ele ainda era mais jovem na altura, não estava tão formado já. Agora é um jogador feito, tem todas as características para o jogo do Sporting. É muito rápido, forte, bom na finalização e acho que se vai dar bem. A liga portuguesa é boa para ele.
E o Yeremay? Conhece? Como tem essa ligação ao Depor.
É um miúdo com muito talento, acompanho o Depor. Gosto muito do clube e tenho acompanhado. Ele fez uma boa época, com números e em termos de espetáculo também. Ver o Yeremay a jogar é muito divertido. Se for para o Sporting, vai fazer uma boa época, de certeza que vai correr bem.
Fala-se muito dele já aí em Espanha?
Começa-se a falar, sim. Sabe-se que teve muitos interessados e ele recusou bastantes propostas de fora para continuar no Deportivo. Teria dito que queria ficar até devolver o Depor à primeira divisão. É curioso isso, nem todos os jogadores fazem essas declarações, mas nunca sabes até que ponto podes recusar projetos e propostas, nunca sabes quando é que os comboios voltam a aparecer.