Arsenal
Gyökeres dos 65 aos 21. "Não é tão agradável aos olhos, mas faz todo o trabalho sujo"
06 mai, 2026 - 13:45 • Inês Braga Sampaio
O goleador sueco, que se celebrizou no Sporting, não marcou na segunda mão das meias-finais da Liga dos Campeões, frente ao Atlético de Madrid, mas "foi soberbo", de acordo com Wayne Rooney. Mesmo numa época de estreia de "sobe e desce", como assumiu, Gyökeres já passou dos 20 golos pelo Arsenal.
Sessenta e cinco milhões de euros, mais que isso até se formos às casas dos milhares, das centenas e das unidades, pesam. Assim o assumiu Viktor Gyökeres recentemente, numa altura em que começa a exprimir todo o seu potencial no Arsenal. Dos 65,76 milhões de euros aos 21 golos, o sueco pode ter demorado a afirmar-se em pleno, mas agora até recebe elogios pelo "trabalho sujo".
"Gyökeres tem sido criticado, esta temporada. Talvez não seja tão agradável aos olhos como outros avançados que vemos por esse mundo fora, mas aquilo que ele faz é todo o trabalho sujo, e é muito importante para a equipa."
O autor destas declarações é Wayne Rooney, lenda do Manchester United e da Premier League. Foi na Prime Sports Video, depois de o Arsenal se ter apurado para a final da Liga dos Campeões, 20 anos depois da primeira e última presença, com uma vitória, por 1-0, sobre o Atlético de Madrid, na segunda mão, em Londres.
Gyökeres não marcou. Até falhou um golo feito, aos 65 minutos, que podia ter arrumado com a eliminatória das meias-finais. No entanto, trabalhou muito pela equipa, deixou a defesa toda do Atlético sempre em sentido e participou na jogada do golo. Foi uma exibição de grande pujança, mesmo sem o golo para a estatística.
Além disso, o internacional sueco, de 27 anos, já fora importante na primeira mão, com o golo do empate em Madrid, que permitiu ao Arsenal partir do zero para o segundo jogo, em casa. Pelo meio, encaminhara os "gunners" para o título de campeão inglês com um bis e uma assistência diante do Fulham, no sábado.
Quando estava tudo empatado na Premier League, eis que o Manchester City deixou dois pontos no terreno do Everton e Gyökeres apareceu como herói no Emirates, para alargar a vantagem londrina para cinco pontos, com mais um jogo que o rival.
"O mais importante é o que está para vir neste mês e o trabalho que temos de fazer", alertou Gyökeres, em conferência de imprensa, na véspera da segunda mão com o Atlético, quando questionado sobre o facto de ter ultrapassado os 20 golos na época.
Quando o Arsenal foi buscar Gyökeres ao Sporting, por 65,76 milhões de euros — que podem chegar 76,02 milhões, consoante o cumprimento de objetivos individuais e coletivos —, os adeptos esperavam uma entrada triunfal. Impacto imediato, como acontecera aquando da chegada do homem da máscara a Alvalade, no verão de 2023, proveniente do Coventry City, por 24 milhões de euros. Isso não aconteceu.
Gyökeres não fizera a pré-época, avisou o treinador do Arsenal, Mikel Arteta. Encontrara um estilo de jogo jogo e uma liga diferentes do Sporting e de Portugal. A equipa, por si já bem rotinada, tinha a "grande responsabilidade de ajudá-lo e compreendê-lo, para que [fosse] mais eficiente" em frente à baliza.
Ainda assim, os primeiros meses foram de "sobe e desce" para Gyökeres, como o próprio assumiu em setembro, com alguns jogos em que não conseguiu "jogar como queria". Arteta, para quem "é uma alegria" trabalhar com o sueco, e os companheiros de equipa mostravam-se encantados, como é o caso de Christian Mosquera: "Gyökeres é um animal. Treinar com ele ajuda os defesas a melhorar."
"Na nossa primeira reunião, disse-lhe que queria um avançado que, quando não marcasse há seis ou oito jogos, conseguisse aguentar com isso", revelou Arteta em outubro, quando Gyökeres somava apenas três golos em dez jogos pelo Arsenal.
Apesar das garantias do treinador, sempre que o sueco atravessa um jejum de golos, os críticos alçam a voz. Com a viragem do ano, porém, a história também mudou.
Foi no Dia dos Namorados, quiçá como prova do seu compromisso com o Arsenal, que Viktor Gyökeres apontou o primeiro dos 18 golos que marcou nos últimos 28 jogos (seleção da Suécia incluída), a que acrescentou três assistências. Ou seja, desde esse dia (inclusive) o avançado contribuiu diretamente para golos a cada 1,33 jogos.
Um contraste muito grande para os sete golos e duas assistências nos primeiros 29 encontros da temporada, que dá uma contribuição direta para golo a cada 4,14 jogos.
Sporting
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Já vão 21 golos de Viktor Gyökeres pelo Arsenal esta temporada. É a quarta época consecutiva do sueco a chegar pelo menos às duas dezenas de golos por um clube: 22 golos pelo Coventry City em 2022/23, depois 43 e 54 golos pelo Sporting e, agora, 21 e possivelmente mais ainda pelos "gunners". É o primeiro desde Alexis Sánchez, em 2014/15, a chegar a esta marca pelo clube logo na primeira temporada.
Sem contar apenas a primeira época, Gyökeres junta-se a nomes como Dennis Bergkamp, Thierry Henry, Emmanuel Adebayor, Robin van Persie, Theo Walcott, Olivier Giroud, Pierre-Emerick Aubameyang e Bukayo Saka.
Isto depois de um início complicado, como assumiu, em que a resposta às dificuldades foi tão-só continuar a remar: "Continuar sempre. Aconteça o que acontecer, tens de continuar a tentar, porque há tantos jogos e vai haver sempre desafios ao longo da época e tens de lidar com eles da melhor forma possível."
Em fevereiro, Gyökeres foi nomeado para melhor avançado do mês da Premier League. Não venceu, mas foi um sinal de que o trabalho do sueco já começa a ser reconhecido em Inglaterra. Que o diga Rooney, após o jogo de terça-feira.
"Não marcou o golo que queria, esta noite, mas desempenhou um papel enorme no facto de o Arsenal ter vencido este jogo [com o Atlético]. Com exceção daquele falhanço, foi soberbo. As arrancadas com bola, a capacidade de segurar posições adiantadas para a equipa. Assumiu os contra-ataques, fez boas movimentações e foi verdadeiramente excecional. Era exatamente o avançado de que o Arsenal precisava, alguém sobre quem construir", elogiou o antigo internacional inglês.
Dos 65 milhões de euros aos 21 golos, Viktor Gyökeres passou por muitos altos e baixos, contudo, entra na reta final da temporada com provas dadas.










