4ª Conferência Bola Branca
Luís Castro, o segredo para a manutenção do Levante e uma certeza: "Será um prazer defrontar Mourinho"
27 mai, 2026 - 10:00 • Luís Aresta
Luís Castro deseja felicidades ao ainda técnico do Benfica e explica a Bola Branca como salvou o Levante da descida à segunda divisão e como reagiu às declarações do presidente do Nantes. Depois, fala na polémica com António Silva.
A dois dias da 4ª Conferência Bola Branca, que se foca nos caminhos para a excelência no futebol português e mundial e faz a transição entre o fim das ligas profissionais, a conclusão das principais competições europeias de futebol e o arranque da preparação final do Campeonato do Mundo, a Renascença entrevista um treinador que fez carreira na formação e agora dá cartas na La Liga.
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Luís Castro, treinador do Levante, que garantiu a manutenção na última jornada, fala também sobre António Silva e deseja felicidades a Mourinho, que pode estar a ponto de trocar o Benfica pelo Real Madrid.
Saiba tudo sobre a 4ª Conferência Bola Branca, agendada para dia 28 de maio e que contará com nomes como Luís Montenegro, André Villas-Boas, Pepijn Lijnders, Antonio Gagliardi, Pedro Proença e Reinaldo Teixeira.
O Levante salvou-se ao soar do gongo na Liga espanhola. Como foi lidar com a pressão nesta ponta final da época?
Foi não olhar muito para a pressão. Foi mais trabalhar, saber o que é que podíamos conseguir se fizéssemos as coisas bem, focar mais naquilo que controlávamos, no trabalho que podíamos fazer e, felizmente, acabar da forma que acabou. Não olhámos muito para a pressão, olhámos mais para a forma como podíamos ganhar cada jogo e concretizar o objetivo.
Em algum momento sentiu o medo da descida ou lidou com esse sentimento no balneário? Ou acha que o tema foi lidado com normalidade?
Não, nunca existiu esse medo. Sabíamos que estávamos em zona de descida, isso era desde o princípio, por isso havia essa possibilidade. Até porque desde o primeiro dia que cheguei, era nessa posição que estávamos. Estávamos em último, depois saímos de último, fomos fazendo pontos, mas sabíamos que havia essa possibilidade. Agora, não houve nenhum momento em que a gente dissesse que ia descer, porque houve sempre a possibilidade matemática de sair e nós acreditámos sempre que, enquanto fosse possível matematicamente, poderíamos sair.
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O Luís Castro tinha em cima de si aquele peso das críticas do presidente do Nantes. Segundo ele, tinha planeado treinar em Espanha e deu uma golpada para deixar o futebol francês. Essas acusações foram de certa forma um estímulo no plano individual?
Essas declarações não me fizeram nem mais para a esquerda, nem mais para a direita, não mexeram sequer um milímetro naquilo que era o meu trabalho. Até porque, passado dois dias, ele retratou-se. E depois ainda teve problemas com isso, porque os adeptos queriam que eu continuasse lá e ainda teve repercussões negativas para ele. Eu não estava preocupado. O presidente do Nantes não me conhece, porque nós não estávamos juntos no dia a dia; estivemos juntos umas quatro, cinco vezes no máximo. Por isso, se é uma pessoa que não me conhece, não teve repercussão nenhuma em mim.
Eu estava preocupado era com o Levante. Também não sou uma pessoa vingativa. Eu faço as coisas para as pessoas de quem gosto e estava preocupado era em fazer para as pessoas que estavam aqui comigo e aqui que estavam ao máximo.
Em que condições é que pensa poder trabalhar agora no Levante, com mais calma para um projeto mais fundamentado?
Penso que pode ser melhor, porque temos mais tempo para planificar. Sabemos das dificuldades financeiras do clube, é público que o clube tem de se revitalizar, tem de conseguir [estabilizar] financeiramente para depois poder crescer. Dentro dessas dificuldades, vamos tentar fazer o plantel o melhor possível e por mais um ano tentar manter, e a partir daí poder começar a ter algumas condições melhores para fazer com que o clube cresça.
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O Luís gostaria de treinar um grande em Portugal? Recebeu algum tipo de sondagem nos últimos meses?
Agora, não. Nos últimos meses, não. Eu já tive sondagens de Portugal, tanto no verão, como agora, quando saí do Nantes, também me falaram de um outro clube poder trocar de treinador.
Quando saí do Benfica, poderia ter trabalhado em Portugal. Tinha várias oportunidades em Portugal e eu quis sair, sabendo que ia para uma segunda liga, porque queria chegar a uma das "Big 5". Felizmente para mim, já cheguei à I Liga francesa e à I Liga espanhola. Não estou a pensar, neste momento, em regressar a Portugal. Não é uma prioridade, a não ser que fosse alguma coisa muito diferente em termos de projeto.
E quando diz diferente, diz treinar um dos grandes em Portugal, por exemplo?
Não é pelo clube em si, é pelo projeto que seria. Dependeria mais do projeto do que do clube em si. Porque, por exemplo, ir para um grande que esteja desorganizado e que esteja sem rumo e em que as coisas não estejam muito bem, não teria interesse nenhum, porque eu não seria feliz. Não estaria bem.
Às vezes, até pode haver um clube de uma dimensão menor que é um clube organizado, tem condições, trabalha-se bem no dia a dia, o ambiente é positivo, e eu até ia olhar mais com bons olhos.
Sobre o regresso do José Mourinho à Liga espanhola e ao Real Madrid, o que é que lhe dizem aí?
Não faço a mínima ideia, porque não sei se se vai concretizar ou não, não sei se é verdade ou não. É verdade que tem saído muitas notícias, por isso, alguma coisa deve haver. Agora, desejo o melhor para o Mourinho, porque foi uma referência para mim, como para todos os treinadores portugueses da minha idade, de certeza.
Desejo-lhe o melhor, seja no Benfica, seja no Real Madrid, seja noutro clube qualquer. Desejo-lhe o melhor, mas como deve imaginar, não faço a mínima ideia.
E vai ser interessante poder defrontar o Mourinho pelo Levante, a concretizar-se esta saída?
Se ele assinar por algum clube espanhol, será um prazer poder jogar contra o Mourinho.
E o Benfica e a Liga portuguesa, na sua opinião, perdem com esta saída do José Mourinho?
Eu não vou estar a falar do Mourinho. Estou preocupado com o Levante, estou focado no Levante. Não vou interferir na vida do Mourinho e a vida do Benfica, não tenho decisão nisso.
Por isso, as pessoas do Benfica e o Mourinho terão de decidir e terão de saber o que é melhor para cada um.
Eu tinha aqui ainda duas ou três perguntas relacionadas com o seu passado e a sua passagem pelo Benfica. António Silva foi seu jogador. Como olha para esta ausência do central do Benfica do Campeonato do Mundo e sobre aquilo que se disse à volta do comportamento dele na seleção nacional?
Sobre a não convocatória do António Silva, o selecionador terá as suas decisões e já deu as explicações. Eu não gosto que interfiram no meu trabalho, porque eu é que tomo as decisões nas equipas em que estou. Por isso, não vou falar disso.
Relativamente a outras coisas que saíram, eu não tenho nenhuma dúvida do homem que o António é. Porque já não é nenhum menino, é um homem. Como muitos outros, é um dos jogadores que vão estar para sempre na minha vida. Eu acho que, por vezes, as pessoas deviam pensar duas vezes antes de falar certas coisas, porque podem causar danos na imagem de algumas pessoas, sem as conhecer, sem saber quem são. Porque estou certo que, se conhecessem o António da forma como eu o conheço, não fariam isso.
Agora, como eu sou uma pessoa que gosta mais de olhar para as coisas positivas do que para as negativas, nem vou falar muito sobre esse assunto agora. Eu não tenho dúvida do homem que ele é e ele tem de se preocupar com a opinião das pessoas que o conhecem e não com as pessoas que não o conhecem.
Dê-me só uma opinião também relativamente a esta dupla de que tanto se fala e que o Luís Castro conhece bem, Tomás Araújo e António Silva. São dois pés direitos, preferencialmente. É por isso que não serão, eventualmente, uma dupla de futuro no Benfica? Ou acha que esse é um problema que não se colo?
Se o problema fosse por serem destros, o Benfica tinha de jogar com um lateral de pé esquerdo e não jogou, este ano. Da mesma forma que o Benfica jogou com dois destros este ano sempre, pode jogar com dois destros no futuro e serem esses dois.
E Henrique Araújo? Está a tardar? Deveria sair do Benfica para jogar, na sua opinião? Ou acha que o espaço de crescimento dele ainda passa pela Luz?
Já não treino o Henrique faz muitos anos. Não sei qual é a visão do Benfica para o Henrique. Nem neste momento estou em situação de falar seja o que for do Benfica, porque já não estou dentro do Benfica faz muito tempo.
Claro que, depois de tudo o que passei no Benfica, gostaria que estivesse muito melhor do que está. Eu não faço a mínima ideia do que é que o Benfica pensa para o Henrique ou o que é que está a passar com o Henrique. Se me perguntarem o que é que eu penso do Henrique, é um ponto de lança com muita qualidade. Na formação do Benfica, em todos os escalões por onde passou, demonstrou sempre o nível de qualidade que tinha.
Agora, não sei se estagnou a evolução, se é falta de oportunidade, como é que estão a correr os treinos do Henrique... Isso eu não sei. Enquanto eu treinei com ele, enquanto eu tive o Henrique e treinei o Henrique, era sem dúvida dos melhores da sua idade, a nível internacional.
Neste momento, não sei, porque já faz algum tempo que não treino o Henrique, faz algum tempo que não vejo um treino do Henrique. Sei que tem jogado de vez em quando também na equipa B, mas também não tenho tido tempo para ver os jogos.
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Estamos em contagem de crescente para a Conferência Bola Branca da Renascença. Que conselhos deixaria aos jovens que procuram atingir a excelência no futebol, que é o nosso tema central nesta edição?
Profissionalismo, acima de tudo. Pés bem assentes no chão, porque cada vez mais vêem os jogadores a pensar que já estão mais acima do que estão. Manter a humildade e, acima de tudo, colocar o futebol à frente de outras coisas que lhes podem prejudicar a evolução.
A terminar, qual é a sua maior ambição neste momento, Luís Castro?
Ter umas férias tranquilas [risos]. Estou a precisar.
O futebol é algo desgastante, não é?
Esta época foi.







