Futebol nacional
Gustavo Sá, o Golden Boy de Famalicão cumpre o jogo 100: “Fazia aquilo que ninguém estava à espera”
06 dez, 2025 - 14:55 • Redação
Chegou ao Famalicão para os sub-15, estreou-se na I Liga aos 17 e atualmente, aos 21, usa a braçadeira de capitão. “A competitividade dele no treino era enorme. Queria ganhar tudo e exigia muito dele próprio”, revela quem o lançou.
Começou cedo a jogar futebol num clube, o rapaz nascido na Póvoa de Varzim. Gustavo Sá tinha apenas seis anos quando entrou na Academia Elite Sport, em Vila Nova de Famalicão. Por ali se foi fazendo garoto, depois menos garoto e foi afinando o amor e o compromisso com a bola de futebol. Despertou o interesse dos olheiros do FC Porto e lá foi tentar a sorte. Acabou por se juntar ao Famalicão nos juvenis. E o resto é história da boa...
Não se considera a bandeira do clube, apesar de ser a cara bonita de adeptos e sócios. Este centrocampista total foi nomeado para o Golden Boy e agora enverga a braçadeira de capitão com apenas 21 anos. "Não me considero bandeira, tenho grandes jogadores a meu lado, que fizeram uma época muito boa”, disse maio, numa entrevista ao desportivo “O Jogo”.
"Sendo um miúdo que veio da formação, compreendo essas palavras [de ser a bandeira do clube], mas é apenas uma prova que é possível chegar onde queremos, passar de promessa a certeza, ser capitão. É só acreditar. Num clube que se está a desenvolver, tu também te desenvolves...”, comentou ainda, antes de confessar que comeu uma francesinha depois do golo ao Benfica no início da época passada (esta temporada já marcou a Sporting, Santa Clara e Moreirense).
Se jogar esta noite, cumpre o jogo 100 pelo Famalicão. O adversário é o SC Braga, o mesmo emblema que batizou a sua estreia.
A estreia na equipa principal chegou logo na segunda jornada de 2022/23, frente ao Braga, lançado por Rui Pedro Silva. O antigo treinador lembrou à Renascença que a decisão surgiu “por mérito próprio”, porque “o talento dele já sobressaía”, mas sobretudo porque, apesar de ter apenas 17 anos, mostrava “um conhecimento tático do jogo diferenciado” e assimilava o modelo “com muita facilidade”. Além disso, recordou que demonstrava “uma maturidade e uma liderança fora do normal para a idade”.
Já segue a Bola Branca no WhatsApp? É só clicar aqui
Rui Pedro Silva descreve o jovem como alguém tranquilo e seguro fora do relvado, embora essa serenidade mudasse quando entrava para treinar. “A competitividade dele era enorme. Queria ganhar tudo e exigia muito dele próprio”, explicou, acrescentando que isso acabava por puxar pelos outros. Sobre o facto de ser capitão aos 21 anos, o treinador defende que a braçadeira “é entregue a quem tem voz e comunicação”, e acredita que Gustavo Sá lidera pelo que mostra “no treino, no jogo e na forma como se comporta fora dele”.
O treinador destacou ainda um detalhe que considera raro num jogador tão jovem: “Era sempre capaz de fazer aquilo que ninguém estava à espera. Um passe, uma decisão, um gesto técnico diferente”. E admite que ficou com “pena de não ter continuado a trabalhar com ele”, porque vê no médio margem para crescer ainda mais.
As exibições do jovem que vê o ofício de futebolista como um sonho reforçam essa ideia. Depois de 24 jogos na época de estreia nos séniores, Gustavo somou 31 partidas em 2023/24, foi titular em 27 e marcou quatro golos. Na última temporada falhou apenas um jogo no campeonato e voltou a marcar por quatro vezes.
Esta época soma 12 jogos e três golos na I Liga e estreou-se pela seleção sub-21, com um golo em quatro jogos. Foi ainda eleito jovem do mês de agosto/setembro na I Liga, prémio que dedicou aos colegas e equipa técnica, sublinhando aos meios de comunicação do clube que “é o Famalicão a crescer e eu também”, e que o clube lhe dá “as condições ideais todos os dias”.
Para o comentador da Renascença Francisco Sousa, Gustavo Sá é já “um jogador muito apelativo para vários mercados, até de ligas de topo”, porque alia “características técnicas e físicas muito interessantes”. O especialista descreve-o como um médio ofensivo “abrangente”, com boa condução, passe, resistência à pressão e capacidade para aparecer em zonas mais exteriores, combinando com laterais ou extremos.
Sousa destaca também a presença em zonas de finalização e a agressividade nos duelos e bolas paradas, além da qualidade que mostra no momento sem bola. “Pressiona junto do avançado, tem boa leitura e sentido posicional”, referiu, acreditando que o jogador tanto pode chegar a um dos grandes do futebol português como seguir para campeonatos como o italiano, espanhol ou alemão.
Rui Pedro Silva preferiu ser cauteloso nas projeções. Já fora do Nottingham Forest, onde integrava a equipa técnica de Nuno Espírito Santo, o treinador disse apenas desejar “que encontre um projeto onde possa continuar a jogar e a demonstrar o seu valor”. E sublinhou que o mais importante é que não se deixe guiar apenas pelo estatuto do campeonato, mas sim por um contexto que favoreça o desenvolvimento.








