Futebol Feminino
Benfica vence FC Porto no inédito clássico da Taça de Portugal e faz a dobradinha
17 mai, 2026 - 19:22 • Inês Braga Sampaio
Benfica e FC Porto encontraram-se pela primeira vez no futebol feminino. Encarnadas confirmaram favoritismo, mas as portistas deram boa imagem, num jogo que fez história, também, na assistência.
O primeiro clássico da história do futebol feminino nacional sorriu ao Benfica, que derrotou o FC Porto na final, por 2-0, e arrecadou a sua terceira Taça de Portugal.
Antes do jogo e da dobradinha do Benfica, vamos a tudo o que aconteceu até ao apito inicial, numa partida que bateu o recorde de assistências de finais da Taça: estiveram 22.258 espectadores no Jamor.
O ambiente circundante ao Estádio Nacional do Jamor vibrava com a paixão do primeiro clássico da história do futebol feminino. Música, cânticos, vuvuzelas (e quem as mandava calar) e até alguns petardos coloriam o ar sobre o mar de camisolas encarnadas e azuis e brancas.
Alguns clássicos eram jogados dentro da própria família: a Renascença encontrou dois irmãos portistas com filhos divididos; um pai e dois filhos portistas, com uma mãe e um genro benfiquistas. Daí também surgiu uma crítica à Federação Portuguesa de Futebol, por não ter criado uma zona específica, nas bancadas, para que grupos com adeptos de ambos os clubes pudessem manter-se juntos.
Já no estádio, e com a contagem decrescente a terminar, destacou-se a cerimónia de abertura da final. A cantora Mimicat, que representou Portugal na Eurovisão em 2023, interpretou uma canção sua, e depois, cantou o hino nacional, num espetáculo que terminou com fumos azuis e vermelhos e fogo de artifício.
Soou, então, o apito inicial e ainda muitos adeptos não se tinham sentado (ainda havia gente a entrar no estádio a cinco minutos do intervalo) quando, aos quatro minutos de jogo, o Benfica adiantou-se no marcador.
Lúcia Alves cruzou, a bola foi saltando de cabeça em cabeça e chegou à linha da pequena área, onde Pauleta e Caroline Moller tentaram o remate na cara de Cora Brendle. Quem conseguiu mesmo chegar à bola foi a dinamarquesa, que encostou para o golo. O lance foi anulado por fora de jogo, num primeiro momento, no entanto, após analise do VAR, foi validado.
Apesar do golo madrugador do Benfica, o clássico estava equilibrado. As encarnadas tinham mais bola e criavam mais perigo, contudo, o FC Porto conseguia assustar nas transições. E mesmo quando a final parecia encaminhar-se para o intervalo ainda plenamente em aberto, o Benfica voltou a marcar.
Aos 40 minutos, na sequência de um canto da direita, Diana Silva tocou desde a marca de penálti para a frente e Moller, novamente ela, apareceu a tocar a bola para o fundo das redes, para o bis.
Ao intervalo, um momento insólito: Kika Nazareth, que estava nas bancadas com uma camisola do Benfica, foi "inundada" de jovens a pedir selfies e autógrafos.
A jogadora do Barcelona não era a única ilustre nas bancadas: o Presidente da República, António José Seguro, o cardeal e bispo de Setúbal, Américo Aguiar, e a ministra da Juventude e do Desporto, Margarida Balseiro Lopes, também marcaram presença.
A final parecia resolvida, contudo, o Porto regressou do intervalo com novo ímpeto e colocou o rival em sentido. Ainda assim, eram forças díspares — o Benfica, detentor de duas Taças e hexacampeão nacional; o Porto, acabado de vencer a II Liga e de ser promovido ao principal escalão.
A diferença notou-se até ao final do jogo, que o Benfica, apesar dos calafrios, conseguiu controlar, conservando a vantagem, perante um Porto que criava jogadas perigosas, mas falhava sempre no último passe ou na tomada de decisão final.
Ainda assim, as portistas deixaram uma imagem promissora, poucos meses antes de se estrearem na I Liga. Tanto que até alguns adeptos benfiquistas aplaudiram a equipa de Daniel Chaves após o fecho do encontro. Por seu lado, os adeptos portistas cantaram a alto e bom som em apoio às suas jogadoras.
Apito final e o Benfica completa a dobradinha, depois de também ter conquistado o campeonato. É a terceira Taça de Portugal para as encarnadas.











