Entrevista Renascença

Basquetebol português já fez história e reclama melhores infraestruturas. "O pavilhão Atlântico é uma desilusão"

10 mar, 2025 - 09:30 • Carlos Calaveiras

O presidente da Federação de Basquetebol, Manuel Francisco Fernandes, conta com Neemias Queta no Eurobasket, mas aponta aos problemas estruturais que ainda limitam o crescimento da modalidade: "Não há espaços para a prática da modalidade, é uma ferida aberta há muito tempo".

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As duas seleções principais de basquetebol apuraram-se para a fase final dos respetivos campeonatos da Europa da modalidade. Vai ser a quarta presença da equipa masculina, mas é a estreia para a seleção feminina.

Em declarações à Renascença, o presidente da Federação de Basquetebol, Manuel Francisco Fernandes, dá conta do momento histórico e lembra que este foi um trabalho de uma década e que envolveu clubes e federação, que, finalmente, deu frutos.

A Federação está a contar com Neemias Queta, o português que joga na NBA, para o Eurobasket, e ainda tentar convencer a universidade de Ruben Prey a libertar o jogador.

Portugal tem batido recordes no número de jogadores, clubes e árbitros, mas há um problema sério: as infraestruturas. Nestas declarações a Bola Branca, Manuel Fernandes não tem dúvidas que Portugal é o país mais atrasado da Europa no que diz respeito a pavilhões e nem o pavilhão Atlântico"serve. Faltam dois pavilhões multiusos em Portugal com cerca de dez mil lugares.

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Está a ser um ano inédito este para o basquetebol nacional com as duas seleções principais qualificadas para os respetivos europeus…

Sim, o basquetebol português vive um momento histórico e para todos aqueles que amam a modalidade, este é um tempo de enorme felicidade e orgulho. O ano 2025 é único e ficará gravado a ouro na nossa história.

Pela primeira vez, uma figura portuguesa do basquetebol integrará o grupo restrito “All of Fame” da FIBA, que é a Ticha Penicheiro. Pela primeira vez, vamos disputar um campeonato do mundo sub-19, feminino, há menos de um mês garantimos pela primeira vez presença numa fase final de um campeonato da Europa sénior feminino. E há duas semanas conquistamos mais um feito extraordinário: o apuramento para o Eurobasket masculino.

Isto não é obra do acas, é o resultado do trabalho árduo e da dedicação de várias gerações de jogadoras, jogadores, treinadores, dirigentes, clubes, até do nosso patrocinador, a Betlic, cujo apoio igualitário à liga feminina e masculina foi fundamental para a melhoria competitiva das nossas competições de topo, e isso tem influência na nossa seleção.

Vamos por partes. No caso da seleção feminina é uma qualificação inédita. Esperavam este feito agora?

Não antecipamos, provavelmente até chegámos atrasados um campeonato. Este trabalho tem dez anos, tínhamos este objetivo de atingir as finais dos campeonatos da Europa até ao ano 2025, mas estivemos muito próximos no campeonato anterior no basquetebol feminino, não conseguimos.

Sabemos que era um desafio ambicioso - nunca lá estivemos - mas tínhamos a certeza que queríamos ganhar e estar presentes. E para ganhar significava que tínhamos de ter uma atitude ganhadora.

Acima de tudo, tínhamos de nos preparar para ganhar, ter um plano definido, objetivos claros e tínhamos de criar as condições compatíveis com as exigências da alta competição. Isso implicou confiar que tínhamos os melhores treinadores, que estão connosco há dez anos, nas duas principais seleções, masculino e feminino, o Mário Gomes e o Ricardo Vasconcelos. E, portanto, ao criarmos as condições compatíveis com as exigências da alta competição, e confiarmos nos melhores treinadores, era necessário investirmos melhor na preparação das nossas equipas.

Foi necessário um grande trabalho de preparação?

Organizamos estágios e torneios internacionais, em Portugal e também no estrangeiro, possibilitando o imprescindível contacto internacional, porque as nossas competições caseiras ainda não têm a intensidade e o ritmo que algumas das competições dos melhores países da Europa, e onde estão os melhores jogadores, que competem connosco.

Investimos nas tecnologias: não queríamos ninguém à nossa frente neste aspeto, nomeadamente naquilo do que diz respeito ao "scouting", e depois alargámos esse programa de "scouting" aos nossos clubes para que fosse uma ferramenta importante para a atividade, não só internacional, mas também para a nossa atividade nacional dos clubes.

Reforçamos o apoio administrativo e logístico às seleções, reforçamos o departamento de apoio médico-desportivo, reforçamos o enquadramento técnico das nossas seleções, no domínio técnico-tático e do treino físico, com técnicos especialistas para estas áreas, investimos na promoção dos nossos jogos, tal como já o fazemos para os clubes, com o programa “Valorizar”, dignificamos o espetáculo, impondo o pagamento de bilhetes e, como reconhecimento do mérito pelo trabalho realizado e dos resultados alcançados, também subimos os prémios que atribuímos aos jogadores e às jogadoras, naturalmente.

Certo…

Se fizermos uma comparação, nós sabemos que todos, ou a esmagadora maioria dos países com os quais nos confrontamos, os seus jogadores têm mais mercado, têm mais currículo que os nossos. E nós sabíamos que só podíamos competir de uma maneira, como um todo coeso, como uma equipa. Para construir uma equipa e a consolidar, leva muito trabalho, exige muito tempo.

E conseguiram os apuramentos...

Todas as equipas técnicas, dirigentes, jogadoras e jogadores estavam alinhadas, todos na mesma página, sabendo quais os objetivos: apuramento para o Eurobasket. Estavam mobilizados, determinados a alcançar este nível de excelência.

Não temos grandes individualidades - teremos quando o Neemias [Queta] vier jogar pela seleção - mas, de facto, foi o trabalho, a união, a coesão, o espírito de grupo, que teve um peso determinante nos sucessos, quer na nossa seleção feminina, quer na nossa seleção masculina.

A seleção feminina ultrapassou adversários importantes.

No feminino, ganhámos cinco dos seis jogos, só perdemos um jogo com a Sérvia e isto é uma coisa fantástica. Batemos duas vezes a Ucrânia, batemos duas vezes a Macedónia e ganhámos cá no jogo final, no último jogo, à Sérvia, que é sempre candidata aos primeiros lugares, e já venceu várias vezes o Campeonato da Europa feminino. Portanto, estamos a atravessar, de facto, um momento único.

A seleção tem a maioria das convocadas já no estrangeiro, só duas jogam em Portugal. Foi um passo importante para a evolução da equipa?

De facto, é decisivo. Claro que isto tem um outro lado menos positivo, que é a nossa própria competição feminina que podia ser mais forte se tivesse estas jogadoras cá. Mas só que ainda não atingimos o ritmo e a intensidade da competição que as nossas jogadoras precisam de ter para depois competir ao nível das seleções em igualdade de circunstâncias.

A vantagem é enorme de jogarem no estrangeiro, mas, atenção, só isso não chega, é preciso também que,quando estão todos juntas, a seleção lhes dê esse ritmo e essa intensidade que se joga ao mais alto nível e que, para quem quer ganhar, é exigido que jogue também naquelas circunstâncias.

E o campeonato nacional? O que se pode fazer para fazer evoluir as jogadoras que estão em Portugal?

Para já, de um ponto de vista de visão para o futuro, cada vez mais temos que ter os pavilhões cheios. Encher os pavilhões é decisivo, é fundamental para garantirmos mais apoios, melhor competição e, portanto, se não o fizermos, ficamos aquém.

É verdade que as seleções deram agora um passo importante para as nossas próprias competições serem acompanhadas com maior visibilidade e abrindo as portas a mais adeptos. As seleções têm essa grande vantagem, são motores para o nosso desenvolvimento, são elas que trazem muito público que tem orgulho de ser português e quer ver aqueles que representam o país. E quando a seleção ainda por cima tem sucesso, ela capitaliza mais apoios e são motores para a sustentabilidade da nossa modalidade.

Mas, de facto, a melhoria da nossa competição é decisiva também e a melhoria da competição passa também por cada vez ter melhores estrangeiras e mais jogadoras portuguesas de grande qualidade a jogarem cá em Portugal.

Apesar disso, falta-nos uma nova Ticha Penicheiro, que recentemente foi nomeada para o "All of Fame" da FIBA, já depois de o mesmo ter acontecido na NBA.

Temos duas grandes referências: a Ticha Penicheiro que é conhecidíssima e é a grande embaixatriz do basquetebol português, mas temos uma outra figura, que é a Mary Andrade, que jogou também na WNBA e que atualmente é adjunta de uma equipa da NBA masculina, que são os Raptors.

Relativamente ao futuro, nós temos, quer no masculino, quer no feminino, jovens com muito talento. Uma delas é a Clara Silva, que tem agora 18 anos e que tem 1.98m, que para mulher é a jogadora mais alta de todos os tempos em Portugal e que está no melhor "college" feminino, em Kentucky, e que nós temos esperanças que ela possa vir, pelo menos, a estar na WNBA.

E também um outro jovem jogador, que ainda tarda em impôr-se em St. John, no "college" dos Estados Unidos onde está a jogar, que é o Ruben Prey. Também é jovem, ainda não tem 20 anos, e que, portanto, apontam-se como esperanças.

Mas isto depende de um conjunto de circunstâncias, que eles tenham essa possibilidade, mas tem que ter um processo, tem que ter a cabeça bem assente, tem que ter essa grande motivação, porque só chegam lá - o funil é muito apertado - de facto, os melhores.

Também no basquetebol masculino há provavelmente um dilema que já chegou a outras modalidades: o número de estrangeiros vs a evolução do jovem jogador português. Como é que se consegue este equilíbrio?

Vou dar-lhe um exemplo concreto. Eu também pensava que era importante para o basquetebol português ter muitos jogadores portugueses a jogar e, portanto, o número de estrangeiros não podia ser alargado. Contudo, a prática veio demonstrar-me que isso não era uma verdade. A nossa melhor seleção - aquela que fez, em 2007, com o Valentin Melnichuk o nono lugar no Campeonato Europeu - toda essa equipa se confrontou com sete estrangeiros e os jogadores para jogarem tinham que ter qualidade, tinham que se esforçar.

Por vezes, há esta ideia que temos que proteger os jogadores portugueses, mas isso é uma condição que pode levar os jogadores a pensar que como têm sempre o lugar, não têm que se esforçar. Não, eles têm de conquistar e só assim, quando são jogadores de alto nível, têm de conquistar o lugar pelo seu próprio valor.

E o facto de termos jogadores estrangeiros aumenta a qualidade, a intensidade com que se joga, e isso reforça as qualidades dos próprios jogadores que vão ter a oportunidade de jogar. E repare que aqueles que são bons acabam por jogar nas nossas equipas, quer no Benfica, quer no Sporting, quer no Porto, onde estão normalmente os jogadores com as seleções nacionais. É evidente que implica que os jogadores têm que estar determinados a querer jogar basquetebol até o mais alto nível. E portanto, com os estrangeiros, isso é favorecido.

Voltando à seleção, esta é a quarta qualificação, mas Portugal não conseguia a presença no Europeu desde 2011...

Sim, foi há 14 anos. Foi o terminar de uma geração, aquela geração que ainda trazia os jogadores que estiveram em 2007. Essa geração envelheceu e nós tivemos que fazer a renovação.

Neste momento, o jogador mais velho é um jogador com 33 anos, mas temos muitos jogadores com 23, 24 anos, aqueles que saíram do campeonato de Sub20 de 2019, onde surgiu o Neemias [Queta], o [Vladyslav] Voytso, o [Francisco] Amarante, o Rafa Lisboa e mais recentemente o André Cruz, que é o jovem mais novo a competir. A seleção tem de ter um misto de maturidade e, neste momento, a nossa equipa em termos globais tem maturidade porque tem muitos jogos já realizados no âmbito internacional e ganharam essa experiência.

A fase final vai decorrer entre agosto e setembro. Vamos contar com Ruben Prey e Neemias Queta?

Com o Prey temos alguns problemas, estamos a lutar para que o "college" onde ele está e que paga bastante bem, o autorize a vir jogar. Disseram que setembro é muito difícil, mas nós estamos a fazer tudo para ver se conseguimos. Para já, há uma garantia: que ele jogue o Campeonato da Europa de Sub-20.

O Neemias mostrou aquilo que já tinha demonstrado antes, um grande orgulho em representar Portugal, assim ele esteja bem. O nosso diretor técnico [Nuno Manaia] já esteve nos Estados Unidos, a falar com o Neemias, falou com o treinador do Prey - e com o Prey - e foi também falar com a nossa jogadora, a Clara Silva.

Temos ainda essa possibilidade de conseguir que o Prey venha às duas ou uma [das competições] e que o Neemias, tudo aponta - e ele demonstrou uma grande vontade - de estar presente no EuroBasket.

Resumidamente, à partida, o Neemias estará, mas ainda há dúvidas em relação ao Prey, é isso?

Exatamente.

A FIBA já chamou “ano extraordinário” a este 2025 de Portugal… Também a seleção sub-19 feminina está qualificada para uma fase final. Isso quer dizer que o país está atento à formação?

Exatamente, nós estamos a fazer um grande investimento, a começar logo na deteção dos talentos. Nós temos uma competição que chamamos “Festa Nacional do Basquetebol Juvenil”, que inclui todas as seleções distritais do país, de sub-14 e sub-16, mas também, antes, temos uma competição que chamamos “Festa Nacional do Minibasquete”, onde temos também todas as seleções de sub-12, portanto, jogadores com 11 ou 10 anos, onde já fazemos deteção e observação dos talentos, a que se seguem alguns estágios de aperfeiçoamento. E, depois temos os estágios das seleções de sub-14, sub-15, sub-16, sub-18 e sub-20, todos os anos.

E ainda temos os Centros Nacionais de Treino, um feminino no CAR do Jamor e outro masculino em Ponte Sor. Portanto, fazemos um grande investimento e, claro, contamos com aquilo que é imprescindível também, que é o trabalho dos nossos clubes, que têm vindo a melhorar e que permitem que as nossas seleções, também jovens, obtenham melhores resultados.

Há um projeto consolidado do departamento técnico em cooperação com as nossas associações e com os nossos clubes e para que os resultados apareçam ainda com maior veemência.

Como estamos ao nível do número de atletas federados?

Nos dois anos do Covid-19 baixámos, mas depois, no ano seguinte, já tínhamos mais que antes do Covid-19. Na época 2023/2024, batemos o recorde do número de jogadores e jogadoras inscritos, batemos o recorde do número de equipas, batemos o recorde do número de clubes, batemos o recorde do número de treinadores, batemos o recorde do enquadramento humano, dirigentes e atletas, todo o enquadramento humano. Aumentamos o número de árbitros, realizámos muito mais jogos, pulverizamos a demografia federada toda e cada vez temos mais gente a acompanhar, em particular os escalões etários mais jovens, o que é público para o futuro.

E as infraestruturas? Temos bons (e suficientes) pavilhões?

Não, não, não. Tocou na ferida, que é uma ferida que está aberta há muito tempo e que não é uma ferida do basquetebol, é uma ferida do nosso desporto. Estamos carentes, os nossos clubes não têm espaços para a prática.

Queremos aumentar mais o número de clubes e o número de treinos e o número de equipas, mas não temos possibilidade de o fazer da forma como gostaríamos porque os clubes estão impedidos, não têm condições, não têm espaços, andam com a casa às costas para todo lado. Hoje o treino é na escola, amanhã é no pavilhão, depois é noutra escola porque são vários a disputar os mesmos espaços e a entrada do futsal ainda veio criar um problema maior para todas as modalidades coletivas.

Hóquei, basquetebol, vólei e andebol têm um problema enorme com os espaços para a prática e é maior carência do desporto português porque também se põe ao nível dos campos, das piscinas, dos estádios para as pistas de atletismo, etc.

Não precisamos só de espaços para o treino normal ou para a atividade lúdica, mas precisamos de espaços também para a competição que não temos em condições e, fundamentalmente, somos o país mais atrasado da Europa ao nível das instalações indoor para competições de alto nível. Nós não podemos organizar nada aqui em Portugal porque as exigências - ter um pavilhão com 8500 lugares ou para uma final de Campeonato da Europa, ter dez mil lugares ou mais, que é o que vamos apanhar agora quando formos à final do Campeonato da Europa. Nós não temos nenhum pavilhão.

Só o pavilhão Atlântico…

Não, isso não é um pavilhão para o desporto. O pavilhão Atlântico é uma desilusão.

O andebol vai lá fazer alguma coisa, mas custa-lhe muito dinheiro porque o pavilhão não tem condições, não foi preparado para desporto. Está preparado para o espetáculo, mas não é o espetáculo desportivo. É outro espetáculo que tem toda a razão de ser, mas não temos. Diga-me, há quantos anos é que não se faz uma competição desportiva nesse pavilhão tão bom que é o pavilhão Atlântico?

Provavelmente é um pavilhão que está lá para ser rentável e é mais rentável provavelmente com as outras atividades, mas não temos nenhum [para desporto] nem em Lisboa, nem no Porto. É confrangedor como é que nas áreas dos dois principais centros urbanos não existe um pavilhão com mais de quatro mil lugares. Se quisermos jogar um campeonato internacional temos que levar a nossa seleção para Badajoz qualquer dia porque as exigências mesmo ao nível das seleções são cada vez maiores pela FIBA.

Não estou a falar dos países ricos, da Alemanha nem da Suécia, estou a falar dos países com o nível e com o produto interno bruto abaixo do nosso. O Campeonato da Europa este ano vai ser em Chipre, que tem 800 mil habitantes e um produto interno bruto significativamente inferior ao português. E eles têm dois pavilhões com mais de nove mil lugares. Nós não temos nenhum.

É uma situação que tem que ser vista. Naturalmente não se pode fazer tudo ao mesmo tempo, mas a construção de dois multiusos com capacidade para levar mais de cinco, seis, sete até aos dez mil espectadores é algo que o país precisa.

Em Espanha, para se jogar na ACB [primeira divisão espanhola de basquetebol], precisa um pavilhão, no mínimo, com 8.500 lugares. Quer dizer, nós não temos nenhum e eles têm pelo menos 18. Todas as cidades têm. Em Badajoz têm pavilhão para 10 mil lugares, Cáceres tem pavilhão para 10 mil lugares, Sevilha tem dois, Málaga tem dois, Madrid tem três, Barcelona tem três. Nós estamos ainda longe ao nível das instalações desportivas, houve um descuido e instalações novas deste calibre não temos e precisamos.

Imagino que já se tenham queixado aos vários governos

Nem mais. Se for ver, quando foi o PRR, as cinco federações estavam a trabalhar em conjunto e esse era um dos cinco eixos que apresentámos, de apoio do PRR para o desenvolvimento do desporto. Era precisamente a questão das infraestruturas desportivas.

Público é que habitualmente não há muito nos pavilhões, apesar de haver localidades com grande história no basquetebol. O que se pode fazer para conquistar mais adeptos?

Nós queremos sempre mais gente nos pavilhões, o encher pavilhões é um projeto que temos, que é o programa "Valorizar", em que nós apoiamos o que faz com que ir a um jogo seja um momento atrativo e em que as pessoas se sentem bem.

Tem vindo a aumentar [a média de espectadores], mas não ainda aquilo que nós gostaríamos que aumentasse, mas quero transmitir-lhe que há vários clubes com cada vez mais gente a assistir. Na zona de Aveiro, Oliveirense, Ovarense, Esgueira, são três clubes que estão na liga masculina e que têm sempre o pavilhão muito bem composto, com adeptos fiéis que conhecem o jogo e que são fãs da nossa modalidade.

Mas também no Norte está-se a alargar, para Guimarães, o basquetebol democratizou-se e alargou o seu espaço de influência. Neste momento vai ao Algarve, vai às Regiões Autónomas e vai até Braga e há público, o Barreiro tem muito público, o Barreirense e o Galitos. E isso significa que estamos a conquistar mais gente. As seleções são um outro fator que contribuem para ganhar-se novos fãs que possam seguir o basquete dos clubes. Há aumento do público, mas ainda é insuficiente relativamente à nossa ambição de termos os pavilhões cheios e ser difícil encontrar bilhetes quem chegar lá no momento do jogo.

A Federação Portuguesa de Basquetebol apoia Fernando Gomes para o Comité Olímpico de Portugal. Quais são as principais razões para esta escolha?

O Dr. Fernando Gomes é a figura que melhor serve os interesses do desenvolvimento do desporto em Portugal e do Comité Olímpico. O Dr. Fernando Gomes tem provas dadas, muitas provas dadas, da sua competência. É um apaixonado do desporto.

As suas origens são do basquetebol, foi internacional, era jogador do FC Porto, esteve nos Jogos Universitários em Moscovo na altura e, portanto, era um grande jogador de basquetebol. Depois foi diretor da Associação de Basquetebol do Porto, foi diretor das modalidades do FC Porto, foi presidente da Liga de Clubes de Basquetebol, é uma pessoa com uma vida dedicada ao desporto e com conhecimento eclético de todas as modalidades. Sabemos que é uma figura abrangente, que atrai recursos pelo conhecimento, pela consideração, por respeito e sabem que o que o Fernando Gomes fizer, fá-lo com excelência.

E, por isso, mais do que o programa, é a própria figura. Tem um programa sólido, muito abrangente e inovador. São fatores decisivos para dizer que o Fernando Gomes é, sem dúvida nenhuma, a figura mais apta para dirigir o Comité Olímpico Português e aquele que tem capacidade de suceder a um outro legado, que foi José Manuel Constantino, que, aliás, em tempos, apontou o Fernando Gomes como o futuro presidente do COP.

Para fechar, o professor Manuel Fernandes foi jogador, treinador, coordenador de seleções e é agora presidente há vários anos. Décadas ligado à modalidade. Será este o melhor momento?

Sim, sim, não tenho dúvidas. Mesmo naqueles que a gente considerava os bons momentos, e quando havia menos países a competir, porque houve uma explosão de países na Europa e todos eles bons no basquetebol. Repara-se: Estónia, Letónia, Lituânia, Sérvia, Croácia, Eslovénia, Macedónia, Bósnia, Ucrânia, Bielorrússia, tudo baluartes do basquetebol. No meu tempo não havia esses países, havia aquilo que se chamava União Soviética e havia Jugoslávia. Está a ver que era mais fácil na altura, mas agora Portugal está onde nunca esteve: nunca teve tantos praticantes, nunca teve tantos jogadores e nunca obteve tantos resultados internacionais, nunca teve um jogador na NBA. Se há momento em que podemos dizer que o basquetebol atingiu o momento mais alto, é o ano 2025.

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