Ciclismo
Esta Volta a Portugal não é para sprinters. "O percurso está descompensado”
04 ago, 2025 - 10:00 • Eduardo Soares da Silva
Equipas dedicadas aos velocistas lamentam um percurso desequilibrado, com um aumento das chegadas em alto. Diretores acreditam que "sprinters" puros e com menos capacidade de resistir a subidas podem até não ter nenhuma oportunidade nesta edição da Volta a Portugal.
Veja se a Volta a Portugal passa à sua porta
A Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua dominou por completo a primeira parte da Volta a Portugal em 2023, com a conquista das primeiras três etapas. No entanto, receia que este ano possa não conseguir lutar por vitórias com um percurso mais duro e com menos oportunidades para os sprinters
“Acho que esta edição não está nada compensada. Uma volta de dez dias com cinco chegadas em alto e sem contar com Santarém, que termina a subir. Tem muitas chegadas para os homens da classificação geral, não para sprinters puros. No meu ponto de vista, está descompensado. Faltam etapas para o pelotão chegar inteiro”, lamenta Gustavo Veloso, diretor da equipa, à Renascença.
Na época passada, a dureza do percurso foi semelhante, embora os diretores considerem que este ano a Volta a Portugal sobe mais um degrau na dificuldade, com o acrescento da chegada no Sameiro, em Braga.
Com cinco chegadas de montanha, um prólogo e um contrarrelógio, não sobram muitas oportunidades para as equipas que apostam mais nos velocistas, como é o caso da Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua.
“A etapa de Fafe seria uma coisa entrar na cidade e sprintar, outra é ainda fazer o 'sterrato' e depois voltar. A última vez que lá fomos já só passaram 25 ciclistas. A etapa de Santarém pode ser a mais fácil de controlar, mas tem o último quilómetro a subir, a de Viseu tem uma chegada plana, os últimos 70 quilómetros não têm grande dificuldade, o problema é chegar lá no grupo principal e com a corrida controlada”, considera.
O ProCyclingStats, conhecida plataforma de dados de ciclismo, não caracteriza nenhuma etapa da Volta a Portugal como de perfil plano. Às cinco etapas de alta montanha, juntam-se quatro de categoria “acidentada”.
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A etapa com menor ganho de elevação é mesmo a oitava, com chegada a Santarém, que acumula 1,471 metros de altitude, mas conta com uma rampa final até à meta de um quilómetro com uma pendente de 6,1%, o que dificulta a tarefa aos mais velozes.
Este percurso obriga algumas equipas a tomar decisões difíceis. A Rádio Popular-Paredes-Boavista, que tem um plantel composto por trepadores e velocistas, deixa de fora João Martins, um talentoso sprinter de apenas 21 anos.
“O João nem alinha porque esta Volta é demasiado dura”, confessa o diretor desportivo José Santos à Renascença.
Há ainda outros riscos. Gustavo Veloso teme que algumas destas etapas mais acidentadas possam ser conquistadas pelas fugas: “Se tivermos uma fuga de 15 atletas, já com tempo perdido, e a equipa do camisola amarela não tiver interesse em controlar, temos de ser nós a perseguir. Guardamos dois ciclistas para o sprint, sobram-nos cinco. É muito difícil controlar. O percurso não se adapta nada bem à nossa equipa, mas teremos de lutar para conseguir vitórias”, considera.
Quem está mais satisfeito é Américo Silva, diretor desportivo da Aviludo-Louletano-Loulé. A sua equipa é também virada para sprinters, com destaque para os dois argentinos Tomas Contte e German Tivani, mas ambos têm um perfil diferente.
“O nosso objetivo é vencer etapas. O percurso é duro para os puros sprinters, mas o Contte e o Tivani são mais versáteis, passam melhor a média e alta montanha, mas não há nenhuma etapa como a de Lisboa do ano passado”, lamenta.
Os algarvios venceram duas etapas no ano passado. Tivani levantou os braços logo em Lisboa, na segunda etapa, e Contte celebrou em Fafe, na oitava etapa. "Acho que podemos repetir o resultado", considera o dirigente.
Iúri Leitão será um dos grandes nomes a ter em conta. O campeão olímpico na pista está escalado pela Caja Rural para competir na Volta a Portugal, mas Américo acredita que o percurso será mais simpático para a sua equipa.
“O João Matias e o Liñarez (ambos da Tavfer) são os maiores rivais, mas, se vier o Iúri Leitão, então aí é que se torna o máximo adversário que teremos. Continuo a achar que mesmo com o Iúri, o percurso favorece-nos bastante mais a nós do que a ele", conclui.
A Volta a Portugal arranca esta quarta-feira, dia 6 de agosto, com um prólogo de 3,4 quilómetros na Maia e termina no dia 17 com um contrarrelógio de 16,7 quilómetros em Lisboa.
Pelo meio, o pelotão terá cinco chegadas em topo, no Sameiro, Senhora da Graça, na Serra da Estrela, Guarda e na Serra de Montejunto.










