Volta a Portugal
A Volta regressou ao Montejunto 42 anos depois. E até houve berbigão à bulhão pato no autocarro de Jorge
17 ago, 2025 - 15:15 • Pedro Castelo*
Jorge Franco, natural de Torres Vedras e residente em Palmela, estacionou a meio da subida um autocarro transformado em autocaravana, um verdadeiro ponto de encontro de adeptos.
Quarenta e dois anos depois, a Volta a Portugal voltou a terminar uma etapa na Serra do Montejunto. A última vez tinha sido em 1983, quando José Henriques, então no Clube de Ciclismo de Tavira, cruzou a meta em primeiro lugar.
Curiosamente, também este ano, na antecâmara da Volta, o colombiano Jesús Peña, igualmente do Tavira/Farense, venceu no alvo desta serra no Troféu Joaquim Agostinho, em julho.
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Mas a festa não se faz apenas na estrada. À margem da corrida, no coração do Montejunto, encontramos histórias que revelam a verdadeira essência do ciclismo: paixão, sacrifício e convívio. Uma delas chega-nos através de Jorge Franco, natural de Torres Vedras e residente em Palmela, que estacionou a meio da subida um autocarro transformado em autocaravana, um verdadeiro ponto de encontro de adeptos.
A ideia surgiu das viagens para acompanhar a seleção nacional de futebol. O veículo, originalmente de 58 lugares, foi completamente adaptado: bancos fora, cozinha, sala e quartos montados e tudo a postos para receber amigos e desconhecidos curiosos.
No dia da chegada ao Montejunto, Jorge não levou apenas apoio ao ciclismo, levou também gastronomia portuguesa. No menu, havia berbigão à bulhão pato, seguido de grão com bacalhau e ovo cozido.
“Isto é Volta a Portugal, tem de ser com gastronomia portuguesa”, explica com orgulho. O almoço foi partilhado com amigos e adeptos que, atraídos pelo autocarro e pela boa disposição, juntaram-se para um momento de convívio que ilustra bem a alma popular da Volta.
A paixão de Jorge Franco pelo ciclismo não se resume a ver corridas. Já pedalou milhares de quilómetros, incluindo uma viagem de 3.200 km até à Polónia. Em 2014, levou o desafio mais longe: rumou ao Brasil para um percurso de 20.000 km, interrompido por um atropelamento perto de São Paulo.
Longe de desistir, voltou à estrada um mês depois e completou 5.000 km de Fortaleza a Campinas. “A bicicleta é dura, mas dá autoestima. É preciso saber sofrer e eu gosto desse sacrifício”, confessa-nos, lembrando que foi o pai quem o incentivou a experimentar o cicloturismo na juventude, quando fazia provas de 80 e 100 quilómetros.
Com raízes em Torres Vedras, Jorge Franco não escondeu a emoção de ver a Volta a Portugal regressar ao Montejunto. “É especial. É perto de casa e tinha de estar presente para apoiar o ciclismo e, em particular, o meu amigo Rafael Reis.”
Autocarro estacionado a poucos metros da meta, almoço preparado e boa disposição garantida. Foi assim que se viveu mais um capítulo da Volta, feito não só de heróis da estrada, mas também de histórias de paixão que fazem do ciclismo uma festa coletiva.
*jornalista em serviço especial para a Rádio Renascença










