Entrevista Bola Branca

"Foi muito fácil ser capitã de rapazes, éramos amigos": Carolina Pedreira, a melhor jovem futsalista do mundo

09 jan, 2026 - 10:30 • Redação

A Renascença falou com a ala portuguesa que foi eleita a melhor jogadora jovem de futsal do mundo pelo Futsal Planet, distinção que surge após uma época marcada pelo Mundial feminino e pela afirmação no campeonato espanhol.

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Carolina Pedreira recebeu a notícia de que tinha sido eleita a melhor jogadora jovem de futsal do mundo pelo Futsal Planet durante um almoço com amigas, ao perceber que o telemóvel não parava de vibrar com mensagens da família.

“Quando vi muitas mensagens, já achei estranho”, conta à Renascença. A confirmação chegaria pouco depois: a internacional portuguesa, de 23 anos, tornava-se na primeira atleta nacional a conquistar o prémio atribuído pelo Futsal Planet.

“Claro que fiquei mesmo muito feliz”, admite a ala portuguesa, que já sabia que o resultado seria divulgado nesse dia, mas não esperava o momento exato. A reação foi imediata: “Partilhei logo a notícia com as minhas amigas”, num gesto simples que acompanha um percurso construído de forma gradual e consistente.

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A ligação ao futsal começou cedo. Carolina Pedreira começou a jogar aos três anos, no Quinta dos Lombos, clube onde cresceu num ambiente profundamente ligado à modalidade. “A minha família é muito ligada ao futsal. Todos já jogaram ou fizeram parte da estrutura de um clube”, explica. Até aos 15 anos jogou exclusivamente com rapazes, experiência que considera determinante. “Sempre joguei com rapazes e acho que isso fez um bocadinho a diferença”, afirma.

Essa vivência incluiu, em vários momentos, a braçadeira de capitã em equipas maioritariamente masculinas, algo que recorda com naturalidade. “Sempre foi muito fácil. Tive grupos de rapazes espetaculares, éramos amigos e isso facilitava tudo”, descreve.

Da formação no Quinta dos Lombos seguiu-se a passagem para o Sporting, onde se afirmou na equipa principal durante várias temporadas. “Foram clubes muito importantes para aquilo que sou hoje”, sublinha, reconhecendo que, apesar de não associar o seu percurso a uma carreira recheada de títulos, esteve sempre em contextos de elevada exigência. “Nunca fui uma jogadora que ganhou muitos títulos, mas sempre fui muito feliz a jogar e estive sempre ao mais alto nível”, refere.

Nos últimos anos, a carreira ganhou dimensão internacional com a mudança para Espanha. Depois de passagens por Marín e Burela, clube no qual conquistou a Taça da Rainha, representa atualmente o Poio Pescamar. A adaptação fora de Portugal é vista como um passo importante também a nível pessoal. “Ter saído de casa ajudou-me a crescer muito a nível pessoal e desportivo”, admite. “É um campeonato muito competitivo, jogo contra e com as melhores, isso obriga-me a trabalhar ainda mais.”

A época ficou igualmente marcada pela participação no primeiro Campeonato do Mundo feminino de futsal, disputado em dezembro, nas Filipinas. Carolina Pedreira integrou a seleção nacional que alcançou a final da competição, terminando como vice-campeã mundial. “Foi um orgulho gigante. Fomos as primeiras jogadoras a representar Portugal num Mundial oficial”, recorda. “Estava a viver um sonho e sei que há muitas pessoas que gostariam de estar no meu lugar.”

Carolina Pedreira na Quinta dos Lombos 2 Foto: Instagram Carolina Pedreira
Carolina Pedreira Mundial Foto: Seleções de Portugal
Carolina Pedreira na Quinta dos Lombos Foto: Instagram Carolina Pedreira
Seleção Carolina Pedreira Foto: Seleções de Portugal

No torneio, contribuiu com golos e assistências, reforçando um estatuto que vinha a consolidar. Soma atualmente 41 internacionalizações e 17 golos pela seleção sénior, além de integrar a equipa que conquistou o título no Mundial Universitário feminino. Uma competição que identifica como marcante: “Deu-nos muita visibilidade e as pessoas começam a olhar para ti de outra forma”, explica, destacando a final disputada frente ao Brasil.

Reconhecida também pela imagem de marca, cabelo solto e forte predominância do pé esquerdo, Carolina admite que essa identidade já é notada em Espanha. “Toda a gente me pergunta porque jogo com o cabelo solto”, conta, acrescentando: “Sempre joguei assim, nunca joguei de outra forma”.

Quanto ao prémio agora conquistado, prefere encará-lo como continuidade e não como ponto de chegada. “É só mais uma motivação para continuar a trabalhar e fazer aquilo que mais gosto”, sublinha. O foco mantém-se no coletivo, com ambições bem definidas. “Quero ganhar muitos títulos a nível de clube e de seleção”, conclui. “Ganhar um título por Portugal é, sem dúvida, o meu maior sonho.”, remata.

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