Europeu de andebol
"Andávamos a dizer que a Dinamarca um dia tinha de perder": Areia, o triunfo histórico e aquela rosca
21 jan, 2026 - 13:00 • Carlos Calaveiras
A seleção nacional de andebol fez história ao vencer a potência Dinamarca pela primeira vez na história. À Renascença, Areia explica os golos importantes que marcou, como a seleção encara a responsabilidade dos grandes jogos e o objetivo final para o Europeu.
António Areia foi um dos principais heróis da primeira e histórica vitória da seleção portuguesa de andebol frente à Dinamarca, a campeã do mundo. O triunfo permitiu seguir para o "main round", onde a seleção continua com o sonho vivo de melhorar o sexto lugar da última edição.
Em entrevista à Renascença na manhã seguinte ao triunfo, o ponta de 35 anos "tem a consciência que foi só um jogo", embora reconheça que a "euforia" foi necessária para decarregar as energias.
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"Tínhamos vindo a dizer que a Dinamarca um dia teria de perder. Esperava que fosse contra Portugal. Como tem sido hábito nos últimos anos, conquistámos um lugar em que entramos todos os jogos para ganhar", confessa.
No "main round", Portugal vai defrontar Noruega, França, Espanha e Alemanha, uma "tabela que dá gosto olhar para ela", segundo Areia.
"Não diria que há mais pressão, há uma responsabilidade para continuarmos neste nível e temos de a ter. Temos de a transformar em sensações positivas. Se não tivermos isso, não conseguimos andar neste nível. É importante abraçar essa responsabilidade. O nosso melhor resultado num Europeu é no sexto lugar, o próximo objetivo é a Alemanha, mas se quisermos pensar um pouco mais à frente é fazer melhor do que o sexto lugar.
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Portugal nunca tinha vencido a Dinamarca. Passadas umas horas, como está o grupo? Não é todos os dias que se vence a campeã do mundo...
Temos noção ou se calhar hoje de manhã começamos a ter mais noção do que fizemos ontem [quarta-feira]. Vencemos uma seleção que tem uma hegemonia diferenciada no andebol. Fizemos história, mas temos noção já que é importante voltar já à terra. Temos a consciência que foi só um jogo, dois pontos que nos levam ao main round. Hoje temos de pensar já na Alemanha, estas competições não deixam muito tempo para celebrar as grandes vitórias. É importante a euforia que vivemos ontem, até pelas condicionantes de contar golos, etc. Isso foi importante para descarregar a energia, mas todos temos consciência que temos de ter a mesma humildade para o main round.
Antes do jogo achavam mesmo que era possível quebrar o histórico dos sete jogos, sete derrotas? Especialmente depois daquele tropeço contra a Macedónia?
Confesso que estivemos a assistir ao Roménia-Macedónia, que era importante para sabermos a margem. Depois de saber o resultado, tínhamos vindo a dizer que a Dinamarca um dia teria de perder. Esperava que fosse contra Portugal. Como tem sido hábito nos últimos anos, conquistamos um lugar em que entramos todos os jogos para ganhar. Foi igual com a Dinamarca. Pusemos na cabeça que podíamos e teríamos de ganhar. Fomos com tudo para agarrar os dois pontos, sabíamos que as chances não fossem as melhores, com o pavilhão com 15 mil pessoas, eles a jogarem em casa...
O António marcou o primeiro golo de Portugal e depois, perto do fim, fez dois golos fundamentais para o triunfo, incluindo uma rosca que já circula nas redes sociais. Naquela altura, com a pressão no máximo, como é que se tem sangue frio para fazer aquilo?
Não sei como dizer, há muitos fatores. Só o facto de estar em campo naquele momento já é um sinal de um alerta que a bola pode cair para nós. A bola passa por todos. É tudo muito incerto e imprevisível, temos de estar todos preparados. Tive a felicidade de a bola vir para mim nesses dois lances e conseguir finalizar da forma que achei, na altura, que era a melhor. Nem sempre é fácil de gerir, não me vou esquecer no Mundial do ano passado contra a França. Dizem-me que devia esquecer, eu prefiro guardá-lo para aprender com ele. Calhou para mim outra vez e consegui finalizar. Fico contente, como é óbvio. Orgulho do trabalho que fizemos durante o jogo para chegarmos a esse momento.
Portugal esteve quase sempre por cima, várias vezes dois e três golos de vantagem, mesmo num pavilhão com quase 15 mil adeptos contra. A equipa já não se intimida?
Como bons portugueses que somos, gostamos da adversidade. Faz parte do desporto e destas competições. Não foi a primeira vez que aconteceu, já o fizemos na Suécia e Noruega, agora na Dinamarca. Não sei se gostamos muito destes jogos ou não, mas transcendemo-nos um pouco. O nível de concentração eleva-se bastante. Como é lógico, um jogador neste nível só tem de gostar de jogar estes jogos, são os que dão mais pica e prazer, mesmo que o resultado não seja o melhor.
O Branquinho tinha-nos dito que já só faltava derrotar a Dinamarca, agora não falta nada. Portugal já tem uma experiência e uma qualidade que lhe permite vencer qualquer um… Podemos dizer isto?
Acho que sim, já provámos que quando estamos todos ligados, com a ambição que nos caracteriza e o compromisso correto e alinhado, somos perigosos para qualquer seleção e provamos que podemos vencer qualquer seleção. O jogo da Alemanha do Mundial não vai ser igual ao próximo. Temos de ter consciência que sim, podemos ganhar a qualquer seleção, mas podemos perder com qualquer seleção nesta fase. É importante encarar com personalidade, sentido de missão.
Mesmo defensivamente, Portugal esteve sólido e com os dois guarda-redes num dia bom. Não é fácil contra um ataque daqueles, Gidsel e companhia…
Será um dos melhores ataques do mundo, como é lógico. Tivemos uma prestação defensiva de alto nível. A entreajuda e o companheirismo foram muito importante. Os dois guarda-redes fizeram defesas nos momentos importantes, apareceram. Essa fase do jogo era importante, joga-se um andebol muito rápido hoje em dia, fizemos um excelente jogo defensivo e tentar que essa consistência de mantenha até ao final da competição.
Esta quinta-feira começa a main round. O primeiro adversário é a Alemanha. O que podemos esperar deles?
É mais uma potência do andebol europeu e mundial. Tem uma história muito grande no andebol, tem jogadores habituais a um nível muito alto, principalmente na liga alemã, que deve ser a melhor do mundo. Guarda-redes é de renome, é mais um grande jogo. Como disse, é importante não pensar que será como o jogo do Mundial, temos de fazer reset. Vamos começar a estudar os pontos fortes e menos fortes. Foco no nosso trabalho e no que podemos fazer de bom.
Depois, França, Noruega e Espanha. Já não há jogos fáceis. O António joga em França, serão eles os mais difíceis dos três?
Não sei se consigo dizer assim. São os últimos campeões da Europa, mas não destacaria nenhuma seleção acima das outras. São quatro seleções muito fortes, cinco com a nossa, seis com a Dinamarca. É um main round que dá gosto ver a tabela e jogar. Não muda nada eu jogar em França, podemos estar ao nível de todas.
Portugal vem de um quarto lugar no Mundial. Dá para começar a falar em medalha neste Europeu?
São competições diferentes, o Mundial tem mais equipas, o quarto lugar foi histórico, não diria que há mais pressão, é uma responsabilidade para continuarmos neste nível e temos de a ter. Temos de a transformar em sensações positivas. Se não tivermos isso, não conseguimos andar neste nível. É importante abraçar essa responsabilidade. O nosso melhor resultado num Europeu é no sexto lugar, o próximo objetivo é a Alemanha, mas se quisermos pensar um pouco mais à frente é fazer melhor do que o sexto lugar.








