Mundial 2026

No Qatar, Steven Vitória sentiu que estava a sonhar com os olhos abertos. Agora, o Canadá "pode passar o grupo"

12 jun, 2026 - 09:20 • Hugo Tavares da Silva

Em conversa com Bola Branca, o agora adjunto da Indonésia desabafa: “Foi incrível, há 36 anos que não íamos ao Mundial. Inspirou o país e os miúdos, mudou e transformou o Canadá. Foi uma experiência fantástica". Canadianos estreiam-se esta noite no Campeonato do Mundo.

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Steven Vitória nunca tinha visto o Canadá num Campeonato do Mundo. Nasceu em 1987 e a seleção do país onde nasceu jogou pela última vez em 1986, no México. Deliciou-se sempre, portanto, com os heróis de outros países. Quando os canadianos voltaram a sentir o sabor bonito de disputar um Mundial, Vitória era um dos pilares da equipa.

Aconteceu no Qatar, em 2022. “Muitas pessoas perguntam sobre isso e digo sempre: senti que estava a sonhar com os olhos abertos”, revela a Bola Branca este antigo defesa central, hoje adjunto da seleção da Indonésia, ajudando o homem que era o selecionador do Canadá há quatro anos, John Herdman.

“Aquilo foi tudo incrível, não há palavras. Foi um sonho. Há 36 anos que não íamos ao Mundial. Muita gente não acreditava, mas aos poucos o país foi-se juntando, de estádios vazios fomos para estádios completamente cheios com temperaturas abaixo de zero. Inspirou o país e os miúdos, mudou e transformou o Canadá. Foi uma experiência fantástica”, celebra este cidadão de Toronto que esta sexta-feira vai sofrer durante o Canadá-Bósnia, às 20h00 portuguesas.

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Este central que tem em Vítor Campelos uma referência pelas lições e sobretudo pela natureza humana do técnico, depois de ser treinado por ele no Moreirense e no Desportivo de Chaves, lembra como foi tudo uma novidade em Doha. Mais: lembra aquela primeira jornada contra a Bélgica de Roberto Martínez.

“Eram os número 2 do mundo, o Courtois disse-me depois do jogo que merecíamos mais naquela noite”, recorda com orgulho. “São coisas que ficam. Faz parte da vida, às vezes ganha-se, às vezes perde-se. Mas certamente as experiências ficam para sempre. Foi incrível.”

Mais importante é esta mensagem: “Quando joguei o Mundial, levei aquele menino [que eu era] para dentro do campo, desfrutei ao máximo. É o palco maior quando falamos de desporto. Foi um sonho de miúdo, talvez tão grande que nem dava para sonhar. Foi fantástico”.

O Canadá somou três derrotas naquele Grupo F do Qatar 2022: 0-1 Bélgica, 1-4 Croácia e 1-2 Marrocos, a sensação do torneio. Agora a conversa pode ser diferente no Grupo B, com Suíça, Qatar e Bósnia.

“A seleção do Canadá está bastante forte, o Mundial do Qatar fez bem em termos de experiência, muitos jogadores vão repetir o Mundial”, reflete Vitória. “Já vemos grandes nomes em grandes clubes. A seleção tem vindo a crescer, esperamos que seja fantástico. O grupo é acessível mas todos os jogos são difíceis, acreditamos que vai ser o próximo passo ganhar e passar o grupo. Seria histórico e merecido.”

Steven Vitória, de 39 anos, não sabe bem se é esta a vida que quer levar. Não se sabe o amanhã, por isso convém não descurar o que lhe tocou, mas a oportunidade surgiu e a admiração por Herdman é tanta que decidiu alinhar na aventura na Indonésia, um país pelo qual está muitíssimo apaixonado.

“Vamos aprendendo todos os dias, as oportunidades vão aparecendo. Agarro muito na parte humana. Sinto e defendo e trabalho muito as relações, defendo que somos pessoas antes de treinadores ou jogadores”, diz à Renascença. “Vivo o meu dia a dia assim, percebendo o cargo para tentar ensinar os outros. Estou a adorar, estou a adorar estar na relva, a aprender, a ajudar e a ser treinador. Estou a entregar-me totalmente a este projeto.”

E acrescenta: “Estou feliz a ser adjunto de quem sou, foi um líder, fui jogador dele, um dos capitães dele, agora fazer parte do staff e ver as coisas de outra forma é incrível. Tem sido excelente ver as coisas com outros olhos. Estou a aprender bastante. Estou completamente apaixonado.”

Steven Vitória, que se cruzou com Marco Silva no Estoril, jogou em Portugal desde os juniores, no FC Porto, depois de deixar o Woodbridge Strikers do Canadá. A seguir às Antas, defendeu as cores de clubes como Tourizense, Olhanense, Covilhã, Estoril e Benfica. Seguiram-se aventuras nos Estados Unidos e Polónia, para depois regressar ao nosso país, para jogar no Moreirense, Desportivo de Chaves e Boavista, onde acabou a carreira em 2024/25.

Agora, a vida mudou completamente. “Estou completamente apaixonado pela Indonésia, pelas pessoas, pelo projeto. Foi uma mudança rápida”, confessa. E nota-se. O Canadá estreia-se esta noite, às 20h00, contra a Bósnia e Herzegovina.

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