29 dez, 2025 - 10:40 • Redação
Diogo Jota perdeu a vida num desastre de automóvel, ao lado do irmão André, em julho. O futebolista do Liverpool acabara de casar e de vencer a Premier League e a Liga das Nações. Tinha 28 anos. Em agosto, Jorge Costa, o histórico capitão do FC Porto, sentiu-se mal depois de uma entrevista. Foram 383 jogos enfiado na camisola dos seus amores, com a qual conquistou uma Champions, uma Intercontinental e oito ligas. Tinha 53 anos. Jorge Nuno Pinto da Costa foi presidente do seu FC Porto durante 42 anos e conquistou centenas e centenas de títulos nas modalidades e no futebol. Morreu em fevereiro, aos 87 anos, vítima de um cancro. Aurélio Pereira, o olheiro dos olheiros, deixou-nos em abril, aos 77 anos. O surgimento de Futre, Figo, Quaresma e Cristiano Ronaldo teve o seu dedo.
Radiografia 2025: veja aqui ano em revista pela Renascença
O Sporting voltou a ser bicampeão 71 anos depois, após uma temporada atribulada, com a saída de Ruben Amorim para o Manchester United, quando contava com 11 vitórias em 11 jornadas. O substituto, João Pereira, foi infeliz e somou derrotas para a Champions e Liga. Depois, chegou Rui Borges, do Vitória de Guimarães. Venceu o dérbi com o Benfica na estreia, teve alguns avanços e recuos nas ideias, mas terminou a temporada com uma dobradinha no bolso. Viktor Gyökeres foi a novela de verão. O sueco forçou a saída de Alvalade e Varandas engrossou o tom. O avançado não compareceu para a pré-época. Pouco depois, o Arsenal chegou-se à frente e assinou o futebolista por 66 milhões mais 10 em objetivos.
A presidência de Rui Costa foi prestar contas no dia 25 de outubro. Noronha Lopes era o principal adversário, numa lista com Luís Filipe Vieira, João Diogo Manteigas, Martim Mayer e Cristóvão Carvalho. Os sócios deram 42.13% dos votos a Rui Costa e levaram a contenda para a segunda volta, onde o antigo ‘10’ voltou a triunfar, agora por 65.89%, contra 34.11% de Noronha Lopes. Os 93.891 votantes representaram um recorde mundial. Durante este processo, José Mourinho regressou à Luz 25 anos depois. Na altura, curiosamente, e depois de uma triunfo glorioso num dérbi lisboeta, Mourinho saiu após o desfecho das eleições que derrubaram Vale e Azevedo e colocaram na presidência Manuel Vilarinho.
Depois do título em 2018/19, Portugal voltou a ser coroado o campeão da Liga das Nações. Aconteceu na quarta edição do torneio e os portugueses até tiveram de suar um bocadinho para chegar à frente. Nos quartos de final, uma derrota com a Dinamarca na primeira mão fez soar os alarmes. Um 5-2 na segunda mão cancelou-os. A seguir, Conceição e Cristiano resolveram contra a Alemanha na semifinal, em Munique. Na final de 8 de junho, a campeã europeia Espanha e Portugal discutiram o ouro no relvado do Bayern Munique. Depois de um 2-2 nos 120 minutos, com golos de Nuno Mendes e Ronaldo, os portugueses foram mais felizes nos penáltis. O lateral-esquerdo do PSG foi o MVP da final.
Uma nova geração de ouro. Treinada por Bino Maçães, também um produto de uma fornada dourada da década de 90, Portugal dominou o escalão de sub-17 em 2025. No verão, chegou a conquista do Campeonato da Europa, com triunfo convincente na final frente à França, por 3-0. No fim do ano veio a “dobradinha” no Mundial, no Qatar, comprovando que o título continental não foi um acaso. Anísio Cabral, que marcou sete vezes no torneio, foi quem decidiu a final frente à Áustria. Mateus Mide, José Neto, Zeega, Mauro Furtado, Martim Chelmik e Romário Cunha são outros nomes a decorar e manter sob olhar atento.
Radiografia 2025: veja aqui ano em revista pela Renascença
A treinar em Espanha, Isaac Nader conseguiu a melhor temporada de sempre, com melhores marcas pessoais em várias distâncias. Para além disso, na sua prova de eleição, os 1.500m, foi medalha de bronze no Europeu de Pista Curta em março e medalha de ouro no Mundial de Atletismo, a 17 de setembro. Dois dias depois, outra medalha de ouro: Pedro Pichardo venceu a final do triplo salto (outra vez feliz em Tóquio depois de ter sido campeão olímpico em 2021), com um último ensaio decisivo (17.91m), ultrapassando o italiano Andrea Dallavalle.
O início do ano não foi suave, mas o ciclista de A dos Francos embalou para a melhor da carreira. Fez história ao conquistar três provas de uma semana de categoria World Tour, algo só alcançado por outros dois ciclistas na história. Dominou no País Basco, conquistou a Romandia e operou uma reviravolta na Suíça. Uma queda afastou-o do apoio a Tadej Pogacar no Tour de France, mas não afetou a Volta a Espanha. Almeida conquistou a icónica etapa do Alto do Angliru, mas nunca conseguiu superar Jonas Vingegaard. Fechou num histórico segundo lugar. A época reforçou estatuto na UAE Emirates, valeu novo contrato e deixou a questão: será em 2026 que João Almeida se torna o primeiro português a vencer uma grande volta?
Uma conquista com traços semelhantes ao Europeu de futebol, em 2016. Na altura, Portugal empatou todos os jogos do grupo e levantou o troféu. No hóquei, foram três derrotas até às rondas a eliminar. A polémica remodelação do formato apurava todas as equipas para os oitavos de final. Quando mais contava, a seleção esteve à altura. Goleou Andorra, superou Espanha nos penáltis e venceu a França, na final, por 4-1, num torneio disputado em “casa”, em Paredes, um triunfo que interrompe a hegemonia espanhola, que venceu a maioria dos Europeus neste século.
O verão em Paris foi de novela com a saída de Mbappé para o Real Madrid. Luis Enrique prometeu que não faria mossa e entregou a Champions, o principal objetivo do investimento multimilionário dos Emirados Árabes Unidos, donos do clube. Para trás ficou a equipa disfuncional de vedetas porque o formato vencedor, afinado por Luís Campos, foi um plantel jovem e talentoso, com os portugueses Nuno Mendes, João Neves, Vitinha e Gonçalo Ramos como protagonistas. Algumas semanas depois, o PSG falhou a oportunidade de juntar o troféu do novo e alargado Mundial de Clubes. Acabou vergado na final pelo Chelsea, com papel preponderante de Pedro Neto. O torneio foi de desilusão para o FC Porto, eliminado num grupo teoricamente fácil, e de bom desempenho do Benfica, que bateu o Bayern e foi eliminado pelos vencedores nos oitavos de final.
Foi a melhor prestação de sempre e até deixou o país a sonhar com a modalidade: Portugal foi quarto classificado no Mundial de andebol. Os “heróis do mar” bateram-se de frente com todos os adversários, perderam por um contra a França na luta pelo bronze, foram derrotados pela (tetra) campeã Dinamarca nas meias-finais, mas tiveram vitórias épicas contra Noruega, Suécia, Espanha e Alemanha. A equipa valeu como um todo, mas jogadores como os irmãos Costa, os guarda-redes Rêma e Capdeville e Salvador Salvador estiveram em particular destaque.
Nunca um português chegou tão alto no ranking mundial de ténis. Francisco Cabral ultrapassou o histórico João Sousa, que tinha sido 28.º, e chegou ao lugar 20 da tabela ATP no circuito de pares. Especialista na variante de pares, Francisco Cabral conquistou três torneios em 2025, ao lado do austríaco Lucas Miedler: Gstaad, Hangzhou e Atenas. Subiu para cinco o número de títulos na carreira em torneios de elite (Estoril Open, com Nuno Borges, e Gstaad, com Tomislav Brkic), a que se juntam várias finais no currículo e umas meia-final num Masters 1000. Francisco Cabral, no fecho das contas, não teve dúvidas: “Melhor época da carreira”.
Radiografia 2025: veja aqui ano em revista pela Renascença
Pela primeira vez em nove anos, o campeão mundial da F1 não é Lewis Hamilton ou Max Verstappen. O vencedor foi Lando Norris, que por agora ninguém candidata ao clube restrito de cinco ou seis melhores de sempre. O britânico da McLaren superou-se a si mesmo ao longo das 24 corridas: o início de temporada tremido obrigou-o a arregaçar as mangas, limpando erros na condução e sendo mais claro nas exigências quanto ao carro. O mais importante foi limpar a mente. “Tinha dúvidas no início do ano, mas provei-me errado”, explicou o piloto de 26 anos. Assim se colocou na melhor posição para aproveitar a queda de forma do colega de equipa, e aguentar a versão mais completa de Verstappen que a F1 já viu.