Sabia que, antes de chegar à F1, Lando Norris foi campeão cinco vezes em três anos? Quem diria, então, que esse piloto passaria anos com a alcunha de “Lando NoWins”? Que seria criticado por fraqueza mental? Que haveria dúvidas sobre o seu talento? Que veria as redes sociais que sempre abraçou virarem-se contra si?
Ninguém previa nada disso. Só vitórias. A McLaren previu o futuro e, oito anos depois, Lando Norris é campeão outra vez. Mas não é como das outras vezes, agora é campeão mundial de Fórmula 1. O topo do mundo em quatro rodas.
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Esta temporada de 2025 não foi uma de revelação, nem de recordes. Foi de resiliência. Lando foi-se re-anunciando devagar, num ano que espelha os sete que já tem na F1. Venceu logo a abrir, mas depois apagou-se. Até que, na Áustria, algo se reacendeu e, devagar, Norris reapareceu, tornando-se incontornável na fase final.
O piloto é o 11.º britânico a conquistar o título da Fórmula 1. Com 26 anos e 24 dias, passou a ser o sétimo campeão de F1 mais jovem de sempre, alguns meses mais novo que Niki Lauda e alguns meses mais velho que Michael Schumacher no dia da vitória do primeiro título. E faz subir para 18 o número de campeões com um título, sendo o único da lista com oportunidade para aumentar o palmarés.
Sucesso desde o princípio
Vamos ao início. A resposta à pergunta ‘quem é Lando Norris?’ começa pelo mais simples: nasceu a 13 de novembro de 1999, em Bristol, filho de Adam Norris e de Cisca Wauman — cuja naturalidade flamenga dá ao filho a dupla nacionalidade britânica-belga. Foi a mãe que escolheu o distintivo primeiro nome, mas, segundo Lando, a inspiração não foi a personagem de “Star Wars”.
O pai Adam foi, pelo menos até 2016, dono de parte da maior empresa de serviços financeiros do Reino Unido. Geriu, durante três anos, o fundo de pensões da empresa. Tudo serviu para acumular mais de 200 milhões de euros em riqueza, que tem utilizado para investir em empresas start-up, e criar uma de scooters elétricas.
A história de Lando Norris, portanto, é diferente das de muitos pilotos, de todas as gerações. Não houve sacrifícios financeiros enormes, pais com múltiplos empregos e duas hipotecas sobre a casa para suportar a carreira, nem o risco de tudo colapsar com um ano de resultados mais fracos.
Esse ano não existiu, seja como for. Depois de experimentar hipismo, moto4 e motociclismo — o herói, caso não se perceba pela cor predominante do capacete, é Valentino Rossi —, o pai levou-o a ver, com sete anos, o campeonato britânico de kart. Decisão tomada: em 2008, Lando Norris começaria a competir nas categorias de cadete. Em 2010, chegou a terceiro no campeonato nacional.