A Allsvenskan continua a ser um paraíso para os românticos do futebol mais tradicional: a liga rejeitou o VAR após protesto dos clubes e não é permitido que os clubes tenham donos. À semelhança da Bundesliga, impera a lei do "50+1", em que os sócios detêm a maioria de todos os clubes.
"Eu gosto disso, aqui defendemos o futebol pelo qual nos apaixonámos há muitos anos", contextualiza.
Isso não impede que a Suécia tenha os seus tubarões. O Malmö venceu oito de 12 títulos possíveis.
"É o clube mais fácil de comparar, porque é o maior. Têm 10 vezes maior receita do que nós. Recebemos cerca de oito milhões, eles estão perto dos 80. São muito maiores do que nós, mesmo o Hammarby e o Djugarden terão seis ou sete vezes maiores receitas", explica.
Lennartsson dá mais detalhes: o AIK, de Estocolmo, fatura só em bilhética o que o Mjällby amealha de todas as suas fontes de rendimento. Há um grande desequilíbrio de forças, que o Mjällby tenta equilibrar com investimentos certeiros.
"A nossa direção implementou desde cedo, em 2016, que temos de ser eficazes com os custos. Temos de saber onde gastamos o dinheiro. Podemos investir, mas não porque é algo que os outros fazem e tem de ser em algo que nos faça melhores, a curto ou longo prazo", explica.
Como sair da dependência de empréstimos?
A viver a sexta época consecutiva no primeiro escalão, como se explica o salto do Mjällby em 2025? Lennartsson prefere puxar a fita atrás até 2020, quando o clube regressou à Allsvenskan.
"Tínhamos cinco jogadores emprestados. Vinham dos maiores clubes, do Malmö, do Djurgårdens, do AIK. Precisávamos de bons jogadores para sobreviver na primeira divisão, não tínhamos dinheiro para comprá-los, então trouxemo-los por empréstimo", explica.
Este modelo resultou a curto-prazo, mas criava um problema óbvio: no fim do ano, regressavam aos seus clubes, o que obrigava o Mjällby a repetir o processo no ano seguinte. Até que conseguiram quebrar o ciclo com duas vendas que renderam quase três milhões de euros.
"A partir daí, conseguimos construir uma equipa para o médio prazo. Queríamos contratos longos, para não estarmos sempre a renovar a equipa, e com jogadores que fossem bons dois anos depois", explica.