O que querem os iranianos
Para trás ficam algumas certezas e outros cenários que o tempo nunca vai permitir esclarecer. José Moreira acredita que há muita gente no Irão que ficou muito feliz com a intervenção externa dos Estados Unidos e de Israel.
“Antes dessa mesma intervenção, havia desejo. Provavelmente agora, com o escalar e com a dimensão que isto está a tornar, o desejo já se está a transformar mais em receio”, afirma este emigrante português no Irão.
José Moreira sentiu mesmo que "eles queriam que algo fosse mudado no país”, mas admite que havia preferências diversas sobre o melhor para o país.
“Se está a tentar perceber se havia muito medo da parte das pessoas que houvesse algum ataque, diria antes o contrário: se calhar era o desejo de muita gente”.
O português já trabalhou nos outros países da região atacados agora pelo Irão como retaliação pelos bombardeamentos que começaram no sábado.
“O Irão não é árabe, mas é muçulmano como os outros países onde eu estive. Adorei ter estado nos países onde estive, em Oman, na Arábia Saudita, no Qatar. São realidades totalmente diferentes, umas face às outras, e confesso que as expectativas relativamente ao Irão, ao seu povo e à sua cultura não eram tão altas. Da mesma forma que aconteceu isto quando emigrei pela primeira vez para a Arábia Saudita e tive uma surpresa muito agradável. Foi em 2017, está a fazer 10 anos. Mas na altura não havia Cristiano Ronaldo lá na Arábia Saudita e, portanto, a imagem era totalmente diferente”, desabafa José Moreira.
A sua carreira como treinador começou pela Arábia quando deixou de jogar, após um trajeto de futebolista com formação no FC Porto, e uma episódica passagem na equipa B do Sporting antes de se estabelecer como sénior em clubes nortenhos como o Maia, Rio Ave, Freamunde, Rio Tinto, Beira-Mar ou Tirsense.
Muitas camisolas, muitas terras, muitas vivências. José Manuel Moreira, o Cuco, sabia que o Irão era um país “com enormes sanções e estrangulamentos económicos”. Mas como estrangeiro só pode constatar que o Irão foi uma “surpresa agradável”, principalmente na forma como tratam os estrangeiros.
“O Irão é um país riquíssimo, com uma cultura riquíssima e paisagens lindíssimas. Mas o povo é a maior riqueza que o Irão tem”, afirma sem pestanejar, lamentando a perceção “de quem nunca lá esteve ou nunca lidou com eles” e reconhecendo que também partiu com reservas para Teerão no início da sua jornada iraniana.