

O Mundial das Américas é o torneio com maior número de seleções de sempre. O que pode passar despercebido é que é também o Mundial com maior número de estádios e cidades-sede.
Resumindo, os estádios ficam localizados em Atlanta, Boston, Dallas, Guadalajara, Houston, Kansas City, Los Angeles, Cidade do México, Miami, Monterrey, Nova Iorque, Filadélfia, São Francisco, Seattle, Toronto e Vancouver. As 48 seleções vão disputar 104 jogos em 16 estádios em território norte-americano, mexicano e canadiano.
Todos os campos são de relva natural e têm a mesma dimensão: 68 metros de largura e 105 metros de comprimento. Dos 16 palcos disponíveis para a competição, 11 estão nos Estados Unidos. Já o México disponibiliza três relvados e o Canadá outros dois. Vamos lá então conhecê-los...
Estádios da zona Oeste:

O estádio dos Vancouver Whitecaps é a arena mais a norte de todo o Campeonato do Mundo. As temperaturas na Columbia Britânica deverão rondar os 20ºC durante o torneio, sendo uma das localidades mais amenas da competição.
Inaugurado em 1983 e remodelado em 2011, conta com um teto retrátil de última geração.
A cidade de Vancouver é extremamente multicultural, já que cerca de metade da população tem origem fora do Canadá. Aliada à sua beleza natural, é também conhecida como "Hollywood do Norte", desempenhando um papel relevante na produção de filmes e séries à escala global.
Lotação: 48.821 espectadores
Jogos:

A casa dos Seattle Sounders é um dos oito estádios que vão trocar a relva artificial pela natural durante o torneio. É também lar dos Seattle Seahawks, de futebol americano, equipa que já conquistou duas vezes o Super Bowl.
O estádio foi inaugurado em 2004, sendo construído precisamente no local do antigo reduto do Seahawks, o Kingdome.
Seattle é apelidada de "Cidade Esmeralda", devido à vegetação predominantemente verde durante o ano, sendo também uma das cidades mais chuvosas dos EUA. Lar da primeira loja da Starbucks, é a capital do café do país e alberga ainda as sedes da Microsoft e da Amazon.
Lotação: 65.123 espectadores
Jogos:

Localizado no coração de Silicon Valley, o recinto dos 49ers é um dos mais caros do Mundial. Apesar do custo, o estádio que é normalmente utilizado para o futebol americano não possui cobertura, deixando os espectadores expostos à chuva ou, neste caso, ao sol.
Inaugurado em 2014, recebeu duas vezes o Super Bowl, o encontro dos encontros da NFL.
A cidade de São Francisco é a sexta maior dos Estados Unidos em termos de população e é uma das mais visitadas por turistas. O Sillicon Valley é um dos mais importantes polos de tecnologia do país, com inúmeras startups e as sedes de empresas como Google, Apple ou Facebook.
Lotação: 69.391 espectadores
Jogos:

Com o custo de 5,5 mil milhões de dólares, é o estádio mais caro de sempre. O estádio e uma praça adjacente estão protegidos por uma gigantesca cobertura translúcida que se estende por mais de 90.000 metros quadrados e é suportada por 37 colunas anti-sismo. Um enorme ecrã 4K, de quase 1.000 toneladas, está suspenso no teto. Como é em forma oval e de dupla face, os adeptos podem vê-lo onde quer que estejam sentados
É a casa das duas equipas da NFL de Los Angeles, os Rams e os Chargers, e recebeu a Super Bowl em 2022. Em 2028 vai ser a sede dos Jogos Olímpicos.
LA é indissociável do cinema. É a cidade do mundo com mais trabalhadores na indústria do cinema e televisão, tendo como principal atração o letreiro de Hollywood e o seu "Walk of Fame". O Santa Monica Pier e Venice Beach são outros dos pontos turísticos mais requisitados.
Lotação: 69.650 espectadores
Jogos:
Estádios da zona Centro:

A casa do Chivas é um dos três estádios mexicanos que vão receber jogos do Mundial. Localizado a 1.600m de altitude, é um dos recintos onde este fator poderá ter impacto na performance dos jogadores, apesar de apenas albergar quatro partidas durante o torneio. A cidade tem a sua época de chuvas entre junho e setembro, pelo que é possível que os jogos sejam afetados também pelas condições climatéricas.
Guadalajara é mundialmente conhecida por ser o berço do mariachi, uma dança mexicana património mundial da UNESCO. A cidade tem como alcunhas "A Pérola do Ocidente" e "Cidade das Rosas", nomenclaturas que remetem para a sua beleza e atmosfera vibrante.
Lotação: 44.330 espectadores
Jogos:

O estádio mais icónico da história dos Mundiais. É, até ao momento, o único estádio a receber duas finais, sendo palco dos títulos do Brasil de Pelé em 1970 e da Argentina de Maradona em 1986.
Em 1986 foi também o estádio que presenciou os dois golos mais memoráveis dos Mundiais, a mão de Deus de Maradona e o golo a solo do mesmo Maradona contra a Inglaterra.
Foi remodelado recentemente, tendo Portugal jogado na sua reabertura num particular frente à seleção mexicana no passado mês de março. No período de renovação os clubes da casa, o Club América e o Cruz Azul, tiveram que jogar em casas emprestadas.
Lotação: 72.766 espectadores
Jogos:

Provavelmente não há estádio neste Mundial que tenha um cenário tão impressionante como este. Localizado no sopé do Cerro de la Silla, é possível observar a montanha que se ergue a mais de 1.700m de altura de dentro do estádio. Nesta cidade mexicana não é incomum os termómetros atingirem os 40ºC, pelo que o calor poderá ser um fator a ter em conta para as seleções que aqui jogarem.
É a casa do pentacampeão mexicano Monterrey, clube que já teve Sérgio Ramos como jogador e que no último Mundial de Clubes conseguiu chegar aos oitavos de final.
A cidade de Monterrey é conhecida pelo cabrito assado e pela sua qualidade gastronómica, especialmente no que diz respeito às carnes de churrasco.
Lotação: 50.113 espectadores
Jogos:

É a casa habitual dos Houston Texans e um dos dois estádios do estado do Texas que recebe o Mundial. Localizado numa das regiões mais quentes do país, está equipado com dispositivos de controlo climático para permitir uma temperatura adequada à prática desportiva. A infraestrutura inaugurada em 2002 custou 352 milhões de dólares à época.
Já recebeu duas finais do Super Bowl, ambas ganhas pelos New England Patriots de Tom Brady.
Houston é apelidada de Space City devido ao Johnson Space Center da NASA. A expressão "Houston, we have a problem” teve origem na cidade texana durante a missão Apollo 13. A cidade também testemunhou e contribuiu com várias inovações científicas, como o primeiro coração artificial, criado por Michael DeBakey.
Lotação: 68.311 espectadores
Jogos:

Num país de grandes estádios, este destaca-se. A cúpula do estádio é uma das mais altas do mundo, suportada por dois arcos que se estendem por todo o comprimento do recinto e pouco mais. É também o estádio que mais jogos vai receber (9). As temperaturas desta localidade também se destacam por serem das mais elevadas.
O estádio custou 1,2 mil milhões de dólares e a sua forma futurista tem levado a comparações com a Death Star de Star Wars.
Dallas foi palco de alguns acontecimentos marcantes a nível criminal. Foi no Dealey Plaza que John F. Kennedy foi assassindo em 1963, tendo a cidade também assistido a alguns dos crimes da dupla Bonnie & Clyde.
Lotação: 70.122 espectadores
Jogos:

É o mais antigo dos estádios americanos para este Mundial. Inaugurado em 1972, mas já alvo de várias remodelações, é a casa dos Kansas Ciy Chiefs, equipa quatro vezes vencedora do Super Bowl.
Foi também palco do ruído mais alto alguma vez registado num recinto desportivo, 142,4db numa partida dos Chiefs em 2014.
Kansas City, apesar do nome, não se localiza no Kansas, mas sim no estado vizinho do Missouri. A cidade é apelidada de "O Coração da América" e tem uma cultura desportiva muito forte, contando com equipas competitivas nas principais modalidades norte-americanas.
Lotação: 67.513
Jogos:
Estádios da zona Leste:

Localizado no centro da capital da Georgia, é a casa dos Atlanta Falcons, da NFL, e dos Atlanta United, da MLS. O estádio é dos mais simpáticos para a carteira no que toca a restauração, com cachorros-quentes a custarem apenas dois dólares.
A cidade é um forte polo empresarial nos EUA, com as sedes da CNN, Delta Airlines, Home Depot e outras companhias da Fortune 500 a estabelecerem-se em Atlanta.
Lotação: 67.382
Jogos:

Este é o estádio com um clima que promete ser um problema durante o torneio. Com temperaturas médias a rondar os 31ºC e sem capacidade de refrigeração (ao contrário dos de Houston, Dallas ou Atlanta), prevê-se que os jogadores sintam dificuldades em lidar com o calor e a humidade durante os jogos.
É a casa dos Miami Dolphins, da NFL, e os seus parques de estacionamento acolhem o Grande Prémio de Fórmula 1 uma vez por ano.
Miami é a única grande cidade norte-americana fundada por uma mulher e tem áreas com mais falantes de espanhol do que de inglês, graças a uma comunidade emigrante proveniente da América Central e do Sul. É uma das cidades mais turísticas dos EUA, com Miami Beach a ser das principais atrações.
Lotação: 64.091
Jogos:

É a casa do Toronto FC, da MLS, e da seleção masculina do Canadá que, desde a inauguração, jogou mais de metade dos jogos em casa neste estádio.
Está localizado a escassos quilómetros da CN Tower, um dos mais emblemáticos monumentos da cidade, que até 2007 era o edifício mais alto do mundo sem suporte.
Devido às temperaturas negativas do inverno, a cidade de Toronto desenvolveu um sistema de túneis subterrâneos chamado PATH, que permite aos cidadãos deslocarem-se pela cidade sem saírem ao ar livre, conectando estações de metro e edifícios no centro da cidade.
Lotação: 44.315
Jogos:

Este estádio é a casa dos New England Patriots, da NFL, e dos New England Revolution, da MLS e foi renovado recentemente em 2023.
Inagurado em 2002, foi construído no mesmo local do antigo Foxboro Stadium, que recebeu quatro jogos do Mundial de 1994.
Boston é uma das cidades com maior comunidade portuguesa nos EUA. Recentemente albergou o Boston Portuguese Festival, um festival que celebra a cultura portuguesa com gastronomia, música e danças nacionais.
Lotação: 63.815
Jogos:

O estádio de Filadélfia é um dos estádios mais sustentáveis do mundo. Tem mais de 10.000 painéis solares e consegue gerar um terço da energia utilizada anualmente pelo estádio. A extremidade norte do estádio é o ponto mais marcante da arena: uma torre de aço sobre a qual se encontra uma pequena secção circular de assentos chamada Eagles Nest.
Além de jogos de futebol, é também palco de jogos de futebol americano. Entre esses jogos, já recebeu por 14 vezes a partida anual entre os jovens universitários da Marinha e do Exército americano.
A cidade de Filadélfia já foi, por duas, capital dos EUA, inclusive durante a Revolução. Foi também em Filadélfia que se assinou a constituição americana.
Lotação: 65.827
Jogos:

É o estádio que recebe o jogo mais aguardado desta edição. Recebeu também a final do Mundial de Clubes de 2025, entre Chelsea e PSG, além da edição de 2014 do Super Bowl. A construção custou cerca de 1,6 mil milhões de dólares, sendo um dos estádios mais caros dos EUA.
Apesar da nomenclatura "Nova Iorque", o estádio está localizado nos pântanos de Nova Jérsia, sendo quase exclusivamente acessível apenas com recurso a viatura particular.
As cidades de Nova Iorque e Nova Jérsia estão separadas pelo Rio Hudson e a travessia entre elas é uma das rotas diárias mais utilizadas mundialmente. As cidades também partilham a Estátua da Liberdade que, apesar de ser oficialmente em Nova Iorque, fica mais perto geograficamente de Nova Jérsia.
Lotação: 78.576
Jogos:
*texto editado por Hugo Tavares da Silva