Os apoios existem, mas não resolvem tudo. Há empréstimo de cadeiras e raquetes, apoio aos mais jovens e colaboração com diferentes entidades. Para o alto rendimento, porém, o caminho é mais exigente.
“A carreira de atleta de alto rendimento necessita de recursos que apenas são possíveis pela colaboração de várias entidades”, explica Joaquim Nunes, referindo a Federação, o Comité Paralímpico Português e os patrocinadores.
As cadeiras de competição continuam a ser caras, mas o coordenador relativiza: “Não será a cadeira que limita a progressão ou o acesso aos níveis de excelência”.
Fora do campo, o maior adversário é a visibilidade (ou a falta dela)
Se dentro do campo os atletas encontram pertença, fora dele enfrentam invisibilidade. “O desporto adaptado, em geral, não possui visibilidade”, critica Joaquim Nunes. “É uma carência reveladora da falta de cultura desportiva que nos caracteriza como nação.”
Mas pequenos gestos de reconhecimento fazem toda a diferença. Nuno Vale lembra, com entusiasmo, o apoio que sente mesmo fora do campo: “Nós, principalmente eu e o meu colega, viajamos muito de comboio, porque não temos condições para ir de carro. Para fazer todos os meses uma viagem para Lisboa fica caro. Então nós optámos pelo transporte público, vamos de comboio. E sentimos o apoio das pessoas. Falam connosco, perguntam-nos se é fácil, se é difícil, que deve ser difícil jogar, que empurrar a cadeira com a raquete na mão… e essas coisas realmente não são fáceis. Mas temos sentido o apoio das pessoas. Nessas viagens temos sempre muito apoio, muitas pessoas a conversar connosco, a inteirar-se do que é o ténis também.”
Para Joaquim Nunes, o jornalismo desportivo tem aqui um papel decisivo. “Dar a conhecer os processos de treino, as prestações desportivas e as condicionantes de vida destes atletas mostra o empenho e a capacidade de superação. São exemplos para a sociedade.”, afirma.
“Nós, principalmente eu e o meu colega, viajamos muito de comboio, porque não temos condições para ir de carro. Para fazer todos os meses uma viagem para Lisboa fica caro. Então nós optámos pelo transporte público, vamos de comboio. E sentimos o apoio das pessoas. Falam connosco, perguntam-nos se é fácil, se é difícil, que deve ser difícil jogar, que empurrar a cadeira com a raquete na mão… e essas coisas realmente não são fáceis. Mas temos sentido o apoio das pessoas. Nessas viagens temos sempre muito apoio, muitas pessoas a conversar connosco, a inteirar-se do que é o ténis também.”
Um futuro feito de pessoas
Os objetivos estão definidos: aumentar o número de jovens e mulheres, criar centros regionais de treino, garantir representação em todas as categorias da seleção nacional. Mas, para já, o crescimento do ténis em cadeira de rodas faz-se sobretudo de histórias individuais.
A de Nuno Vale, que começou depois dos 50.
A de Alex Silva, que encontrou no desporto um recomeço.
A de João Couceiro, que mostrou que também é possível sonhar alto.