Três anos de experiência não tiram a Letícia Chambino a sede de aprender. Já com a noite a cair sobre os pontos mais altos da Serra da Estrela, lança-se às curvas e contracurvas da estrada que encaracola montanha acima, para participar na aula.
“Não é a primeira experiência, mas está a ser uma experiência muito positiva, porque estamos a treinar algumas estratégias que, em torneio, não temos a oportunidade de treinar. E ao virmos cá hoje, começamos a ter um maior domínio do equilíbrio no gelo, a pontaria para acertar mais no centro do alvo. São sempre táticas que devem ser mais exploradas e esta iniciativa está a contribuir para uma grande melhoria”, salienta.
Esta experiência também alimenta a ambição de Letícia, para o próximo Interassociações: “No próximo torneio, o objetivo é subir ao pódio, pelo menos o terceiro lugar. Vamos ver se conseguimos atingir.”
A iniciativa não atrai apenas jogadores experimentados. Hugo Gaspar, de 28 anos, e Nuno Capela, de 34, vêm de Coimbra, num grupo de quatro, por causa do “senhor dos relatos do curling”. É a primeira vez que lançam uma pedra no gelo.
“Quando estava a ver jogos de curling, o comentador, de vez em quando, dizia que, em Portugal, o único sítio onde era possível treinar e fazer curling era aqui, na Covilhã. Fiquei curioso, até porque, na maior parte dos desportos, é possível praticar em qualquer sítio. Mas curling, não. Então, foi do género: ‘se temos um sítio em Portugal, por que não experimentar?’”, conta Nuno.
Hugo veio “por arrasto”. No final, porém, mostra-se satisfeito com a “ótima experiência”.
“Gostei muito. É parecido a alguns jogos tradicionais, em certa medida, e é interessante. Em pouco tempo, uma pessoa começa a perceber como é que a coisa funciona”, refere.
Para Nuno, “essa é a parte boa” do curling: “A curva de aprendizagem é brutal. Começamos ali muito ‘bananas’, sem saber muito bem o que fazer, como posicionar o corpo, a perna atrás e coisas assim. Passado meia horinha, já sai de forma natural.”
“Como é óbvio, ainda vamos ao chão e fazemos parvoíces”, acrescenta, com um sorriso.
Independentemente da motivação inicial para fazer a viagem de Coimbra para as Penhas da Saúde, os dois amigos coincidem na conclusão de que a experiência é para repetir.
“Já estivemos aqui a pensar como vir cá na sexta-feira, marcar um jogo e trazer amigos”, atira Nuno.