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Tertúlia Bola Branca

Quando o Boca Juniors quis levar António Simões e daí surgiu o sindicato dos jogadores

17 jun, 2025 - 11:04 • Hugo Tavares da Silva

Rui Miguel Tovar contou na "Tertúlia Bola Branca" um episódio que remonta a 1967, quando um encontro no elevador entre Simões, Eusébio, Rattin e o presidente do Boca motivou uma oferta do gigante de Buenos Aires. A recusa do Benfica mudou a história.

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Acabava-se de falar do drible cruijffista de Hassan Nader (hãã!? realismo mágico?) que deu origem ao penálti convertido por Valdo contra o Boca, em 1995, num relvado dos Estados Unidos. Tal e qual como aconteceu na noite de segunda-feira (este Benfica-Boca dos tempos modernos terminou empatado a duas bolas). E Rui Miguel Tovar, um participante residente do programa “Tertúlia Bola Branca” da Renascença, lembrou-se de uma história.

O jornalista, artesão de uma memória que roça o escândalo, puxou a fita até 1967. Benfica e Boca Juniors integraram “uma digressão inventada por um empresário que meteu as duas equipas no mesmo hotel”. Era comum, explica Tovar. A ideia era os encarnados e os xeneizes jogarem dois encontros em duas cidades norte-americanas.

Veja aqui o último episódio do programa "Tertúlia Bola Branca"

“O que aconteceu nesses jogos provocou um terremoto desportivo-político-social em Portugal com dimensões consideráveis”, informou o autor da biografia de Simões, pouco depois da meia hora de programa, que vai para o ar sempre às segundas-feiras. A partir daqui, deixamos fluir o verbo de Rui Miguel Tovar, em roda livre, como ele tanto gosta:

É nesse jogo que o Boca Juniors se interessa pelo António Simões. Fizeram uma proposta oficial ao Benfica, “damos isto ao Benfica e isto ao António”, que, claro, finalmente recebia uma proposta de jeito. “Quero tentar, quero jogar no Boca Juniors”.

A negociação começou no elevador do hotel quando o António Simões e o Eusébio entraram, estava lá o presidente do Boca e o [Antonio] Rattin, que era o capitão. O Rattin, no ano anterior, tinha sido expulso no Mundial de 66, no Inglaterra-Argentina. Não havia cartões, o árbitro expulsou-o verbalmente. O Rattin só queria um tradutor, pediu ao árbitro que era da RDA, que não quis saber e o expulsou.

O Rattin saiu muito a custo, naquele estilo argentino e rodou meio-campo do lado de fora e pisou a passadeira vermelha onde a rainha passaria. Desaustinou o público inglês, tornou-se uma figura na Argentina e no mundo por causa disso.

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No elevador, o Rattin disse ao presidente: “Devias contratar era este, o António Simões”. Começou aí. O Benfica rejeitou a proposta e o António Simões reagiu: “Então porquê, se quero ir? Porque estou amarrado? O meu contrato vai acabar, não quero renovar, quero ir para o Boca Juniors”.

Não havia a liberdade que há agora, não havia opção. Se o jogador não quisesse renovar, renovava. Era assim que funcionava. O clube é que decidia. O António Simões teve um braço de ferro gigante com o Benfica. Cinco anos depois, por causa disso, dá-se a criação do sindicato de jogadores, em 1972. Ainda estamos no tempo do outro senhor. Só havia dois sindicatos em Portugal, o dos jogadores foi o terceiro.

Tudo começou com o Benfica-Boca Juniors.

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