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Futebol nacional

Benfica exige "suspensão imediata" do processo de centralização de direitos televisivos

09 jul, 2025 - 12:05 • Inês Braga Sampaio

Os encarnados anunciam também, em carta a que Bola Branca teve acesso, a suspensão do seu lugar de gerência na Liga Centralização "até existir uma alteração de rumo".

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O Benfica requer a "suspensão imediata" do processo de centralização de direitos televisivos do futebol profissional, cuja entrada em vigor está prevista para 2028, por considerar que "os pressupostos que deveriam fundamentar essa transição permanecem por cumprir". Os encarnados anunciam também a suspensão do seu lugar de gerência na Liga Centralização "até existir uma alteração de rumo".

Em carta ao presidente da Liga Portugal, Reinaldo Teixeira, a que Bola Branca teve acesso, o presidente do Benfica, Rui Costa, pede "uma reflexão profunda e abrangente para a definição de um novo modelo de direitos televisivos a adotar para um futuro de sucesso do futebol português". O modelo atual representaria "um salto no escuro".

"O que vemos, com crescente preocupação, é um insuficiente trabalho estrutural, planeamento rigoroso e visão estratégica, sem os quais a centralização está em sério risco de falhar nos seus objetivos primordiais", lê-se na missiva, que será enviada aos clubes das ligas profissionais de futebol portuguesas, ao Governo, aos partidos políticos com assento parlamentar e à Autoridade da Concorrência.

O clube encarnado pede ainda à Federação Portuguesa de Futebol, à Liga e à Procuradoria-Geral da República "uma investigação, acompanhada de uma definição de diretrizes claras, relativas ao exercício de ex-árbitros em estruturas futebolísticas bem como mecanismos que bloqueiem influências diretas ou indiretas na atual arbitragem". Uma bicada à contratação do antigo árbitro Bertino Miranda para a sua estrutura do FC Porto, como assessor e formador na área da arbitragem e leis de jogo.

Receita pode nem chegar aos 150 milhões

O Benfica, que solicita uma audiência "urgente" ao Governo e a todos os grupos parlamentares, divide a sua argumentação contra o processo corrente de centralização dos direitos televisivos em quatro pontos:

"O atual processo de centralização está atrasado, em risco de falhar os objetivos e já desatualizado face ao contexto internacional. O impacto que o futebol tem como setor estruturante da economia portuguesa exige uma visão estratégica clara e uma gestão responsável. O SL Benfica será sempre solidário com a missão coletiva, mas realista relativamente ao seu valor no mercado, e ao potencial do projeto nos atuais moldes. Defender o futuro do futebol português passa por honrar os pressupostos da centralização, garantindo que não se avança sem uma visão clara e um plano que crie as condições necessárias ao seu sucesso."

O clube da Luz refere que "ainda não existe um plano estratégico, sustentado por dados, que demonstre que a centralização irá gerar mais receitas globais". A meta dos 300 milhões de euros por época "carece de fundamentação credível à luz da realidade atual do mercado nacional e do próprio mercado internacional", argumentam os encarnados.

A direção de Rui Costa teme que, sem reformas estruturais e modernizações, "será impossível atingir o objetivo".

"É provável que o valor da centralização não atinja sequer os 150-200 milhões de euros, o que representaria uma perda de receita irreparável para todos os clubes portugueses — grandes, médios e pequenos. Esse cenário comprometeria o equilíbrio competitivo, a sustentabilidade financeira e а qualidade global do futebol nacional", lê-se.

"Aventura mal preparada", diz Benfica

Embora reitere que "será sempre solidário com o desenvolvimento e melhoria do futebol português", o Benfica sublinha, também, que "essa solidariedade não pode significar abdicar do valor real e comprovado" que considera representar no mercado nacional e internacional.

Por estas razões, o Benfica pede que haja a "coragem de repensar toda a abordagem ao modelo de centralização". Declara a SAD benfiquista que "não podemos embarcar numa aventura mal preparada".

"Mais do que afirmações ou profissões de fé, precisamos de garantir — com dados, com planeamento, com reformas concretas — que essas promessas são exequíveis. E avançar na centralização quando estiverem asseguradas as condições que a justificam: valorização do produto, crescimento real de receitas, modernização da indústria e reforço da competitividade", pode ler-se no comunicado.

A direção de Rui Costa pede um plano alternativo para "uma centralização responsável", em que inclui certos requisitos:

Valores esperados de direitos audiovisuais em diferentes cenários de quadros competitivos; criação de um fundo de emergência para apoio de clubes em dificuldades financeiras na transição; formatos "alternativos" para distribuição e promoção; modelos de distribuição "com base em mérito desportivo, valor mediático e audiências"; investimentos "mínimos obrigatórios" em infraestrutura e tecnologia por parte dos clubes; mecanismos de escuta regular aos adeptos e operadores; plano de combate à pirataria e modernização da legislação de proteção audiovisual; propostas de revisão fiscal; revisão do regime de seguros desportivos e proteção social no desporto profissional.

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